É ou não é: gozar connosco?

Ligo a televisão na RTP e, sentados a uma mesa, num painel sobre o mundo laboral em Portugal, estão Carlos Oliveira, director executivo da Fundação José Neves, ligada à Farfetch (que tem estado nas parangonas por denúncias de abusos e assédios laborais e sexuais dentro da empresa), Estela Barbot, cujo apelido explica de onde vem e é presença assídua, desde 2019, no Bilderberg e, por último, Vieira da Silva, profícuo (só que não) antigo ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, antigo ministro da Economia, Inovação e Desenvolvimento e antigo ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Durante os cerca de dez minutos em que me mantive ligado, ouvi “menos Estado”, “baixar os impostos” e “privatizar”. Bastou-me para perceber qual a intenção do programa, como se o painel presente não tivesse sido, já, escolhido a dedo. Um pau-mandado do CEO da Farfetch, uma Barbot Bilderberg confidente de alguns chernes e um fracassado ex-ministro dos governos que mais liberalizaram a economia em Portugal. Para falar do mundo laboral, dois neo-liberais de berço e um neo-liberal adoptado por vias terceiras. Um espectáculo!

Depois de quase 3 décadas de privatizações em que o Estado rompeu com as suas responsabilidades e de borlas fiscais às empresas do PSI-20 que operam no país (as mesmas que distribuem milhões por accionistas, mas que colocam o dinheiro na Holanda), estas almas iluminadas de presunção acham que a melhor estratégia é fazer com que todos os portugueses comam ainda mais gelados com a testa. E, como se não bastasse, ainda conseguem dizer tudo isto sem se rirem, com uma lata descomunal de quem viveu, sempre, com o cu virado para o sistema solar inteiro.

O programa chama-se “É ou Não É?” e eu digo já que é. É, de facto, de uma falta de noção risível pôr os lobbies privados a render no canal público. Eu rio… e desligo a televisão.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Só vi a Barbie a perguntar porque não imitamos o sucesso da Suécia, para a seguir dizer que o estado interfere demais na economia e que há que precarizar. Palavras para quê?
    Minto, depois foram buscar o avençado da Goldman que se tornou persona non-grata na Europa, e que tanto fez para que esta fosse uma anedota.
    Tal como alguém que leve o benfiquista de Paredes como jornalista.

    • João L Maio says:

      Ouvi, também. E ri. É gente como a Est(r)ela “Queres cometa?” ou a travesti Queillas e o deMenos que nos provam que a saúde mental é de primordial importância, pois são pessoas extremamente perturbadas psicologicamente, ao ponto de conseguirem desdizer em 2min o que disseram 2min antes.

  2. Joana Quelhas says:

    O comuna Maio anseia por mais estado .
    Quanto mais melhor! Ou seja, acabem com o sistema de saúde privado que temos para que o nosso SNS fique excelente, pois todos sabemos que se o sistema privado fosse proibido o nosso sistema público iria melhorar ao nível do da Venezuela, , Coreia do Norte ou até Cuba, pois acabava o termo de comparação.

    O comuna Maio anseia por mais impostos.
    Aliás o melhor seria a entrega total do salário e depois aquilo que precisássemos o estado fornecia , eliminando desperdícios e optimizando a produção, o que seria óptimo para as alterações climáticas.

    Claro, proibir qualquer programa televisivo em que alguém ousasse por em causa a óptima ideia de nacionalizar tudo.

    A primeira a privatizar seria a Farfetch, que tem uma péssima gestão . Os privados só pensam no lucro. Nem seria necessário cobrar impostos pois os lucros iriam directamente para os cofres do povo (Estado).

    A seguir seria a Barbot , cuja gestão todos sabemos é horrível. Para quê tantas cores ? Quando 2 ou 3 chegavam ( as 2 ou 3 seriam decididas pelo Comité Central ) , melhorando assim também o desperdício, com os ganhos evidentes nas alterações climáticas.

    Daqui a 3 décadas de nacionalizações estaríamos ao nível de Cuba e só a aristocracia comuna/Xuxa poderia por dinheiro na Holanda.

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Pois é, ó Quwellasss!

      Não seria preciso acabar com o setor privado por decreto.

      Acabasse a ADSE (a propósito! Não é um privilégio intolerável de uma “casta”? Se não é, já foi. Tem dias, portanto!), as requisições do Estado, os “vales cirurgia”, o quase exclusivo da diálise e a coisa entrava logo em derrapagem.

      Já para não falar das acumulações dos médicos do setor público. As legais e as disfarçadas.

      Quantos portugueses existem capazes de financiar integralmente os seus próprios gastos de saúde? E, principalmente, os de uma família inteira? Quantos?

      E não venha para aí com o paleio dos seguros de saúde. Veja as condições contratuais desses truques. Foram feitos para saudáveis, não para doentes.

      Não é por acaso que a crise das urgências comece pela falta de obstetras. Os partos são um dos grandes negócios do setor privado. Porque não são doenças: sabe-se quando começam, quanto duram e quando acabam. Já viu algum privado a abrir um hospital oncológico (a fundação Champallimaud não serve! Por razões óbvias!)?

      Quanto ao resto…”A primeira a privatizar seria a Farfetch”. Ora aí está! Talvez fosse uma boa ideia! Por vezes Vosselência tem saídas geniais!

      • POIS! says:

        Pois também ficamos a saber…

        Que o supremo objetivo dos agentes económicos (“players” em linguagem liberalesco-quelhista, em português “brincalhões”) é “por dinheiro na Holanda”…

    • Paulo Marques says:

      Imaginem achar que o sistema de Cuba é mau, quando mandam médicos para ajudar em todo o lado, e criam boas vacinas sozinhos, ambos com os parcos recursos que o sistema não lhes nega, e depois vir falar da eficiência da Farfetch.
      O importante é fazer barulho até passar.

    • João L Maio says:

      A facha Joaninha faz rir o pessoal no Aventar. Obrigado, facha, nunca te cales ❤️

  3. JgMenos says:

    Na Farfetch há gente a querer comer gente?
    Se não é canibalismo é assédio sexual!

    • POIS! says:

      Pois compreende-se…

      Que Vosselência faça tal associação.

      Influência lá das áfricas. Fora dos bairros salazarescos, aquilo era uma selva. Dizem.

      PS. Já lhe devolveram a caminha de rede que lá deixou atadinha aos coqueiros? Não??? Que esbulho execrável! E ninguém faz nada!

    • João L Maio says:

      Não é na Farfetch, isso é nos partidos de esquerda… esses é que comem criancinhas ao pequeno almoço, não sabes?! Porra… tu é que és facho e eu é que tenho de fazer as piadas óbvias? És mesmo diminuído (o teu nome assenta-te tão bem).

      Na Farfetch há bodes velhos a babar em cima de borboletas novas, quando as borboletas lhes dizem não querer a babá, os bodes mandam-nas bater asas para outro lado… não lês as notícias, burro velho? Já noutro lugar que te apraz, a Igreja, há raposas caquéticas a comer pintainhos. Nunca te li revoltado… deves gostar disso de mais, ó deMenos.

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