O porco e a lama

Uma das maneiras mais claras de ser desonesto consiste em fazer generalizações. Uma pessoa quer dar a sua opinião sobre um assunto, franze um sobrolho experiente e descarrega a sua generalização: os pretos, as mulheres, os ciganos, os homens, os professores, os médicos, os adolescentes, as enfermeiras, as crianças, os jovens de hoje em dia. Dessa descarga nascem injustiças, racismos vários e xenofobias laborais (porque há muita gente com certezas absolutas sobre profissões que nunca exerceu).

Macário Correia afirma que a maioria dos desempregados no Algarve não quer trabalhar. Por uma razão muito simples: Macário Correia conhece todos os desempregados algarvios, o que lhe permite chegar à conclusão de que a maioria não quer trabalhar.

Se Macário Correia não conhecesse todos os desempregados do Algarve, estaria a ser um porco que, ao refocilar na televisão, espalharia lama sobre milhares de algarvios, o que seria inaceitável. Macário Correia não quereria decerto estar ao nível de um católico como Pedro Mota Soares ou de um holandês que reduz tudo a gajas e vinho ou de um alegado jornalista.

De qualquer modo, quero que fique claro: os porcos não são todos iguais.

Comments

  1. JgMenos says:

    A maioria, não é necessáriamente uma generalização.
    O que é uma generalização é o modo como o subsídio de desemprego é gerido.
    Tudo se reduz a uma cena de sim/não, tudo ou nada.
    O empregado subsidiado, garantiria ocupação de empregos, ainda que por períodos experimentais ou até melhor oportunidade, acabando com os profissionais do desemprego.
    – Sempre há salários de referência para toda e qualquer actividade profissional.
    – E um desempregado não tem profissão… a não ser a de desempregado.

    • Paulo Marques says:

      Exactamente, tudo se reduz a uma cena de sim ou não: ou aceitas as merdas para onde o IEFP te manda, ou ficas sem nada.
      Ou subsidias o trabalho barato ao capital para aumentar guardar num paraíso fiscal, ou os média dizem que és mau.
      Até sabes umas coisas.

    • Paulo Marques says:

      E, já agora, a defender mais um com carreira de subsidiodependente reformado aos 55 condenado por quatro crimes relacionados com corrupção?

  2. Pimba! says:

    Acho bem.
    Eu também näo quereria trabalhar pelas misérias que os “empresários de sucesso” do Algarve pagam aos seus “colaboradores”.
    Paguem a 10€/hora e veräo como teräo exércitos de desempregados à porta, prontos para dar o litro!

    • francis says:

      e quando acabar a epoca alta ? mandam o empregado embora e ele que se desenrasque, que faça dieta, que dê aguinha aos filhos, poi o patrão ja engordou a conta e pro ano cá nos vemos outra vez, eu rico e tu miseravel

      • JgMenos says:

        E preciso impor o instituto da adopção e não esta perversão de patrão/ empregado!!!!

        • POIS! says:

          Ora pois!

          Vejo que Vosselência ainda alimenta a esperança de ser adotado.

          Como diz o povinho, lá na minha terrinha “a fézada é a última a bater a bota”. Diz o povinho. Lá na minha terrinha.

          Resta dizer que o ditado foi corroborado por um painel de experientes e respeitados cangalheiros.

  3. Anonimo says:

    Também vale para as genralizações da malta de Direita, dos conservadores, de todos os pais de famalicão. Há generalizações mais generalizadas que outras, tais como os animais.
    No Algarve, paguem, eles aparecem.Há no entanto um pormenor que passa ao lado, é que o Macário e outros assumem que para trabaçhar na hotelaria (o “core” do All-garve) qualquer tipo residente no IEFP serve, quando deveria ser gente qualificada para as tarefas.

    • francis says:

      ora ai está um ponto importante. Gente que sabe o que está a fazer ? Não, qualquer pessoa pega numa bandeja e leva umas cervejas á mesa. Pagar mais ? Não!! vamos importar brasileiros e monhés e eles fazem o trabalho baratinho. ( li que a hotelaria quer importar 5000 imigrantes para alimentar a ganância)

  4. Rui Naldinho says:

    “Temos de trazer de novo o Dr. Passos Coelho para o governo, para que transforme de novo as relações de produção nesta extremidade da Europa, numa espécie de Ásia dos pequeninos”

    O lema desta gente foi sempre: BOM E BARATO
    Bom trabalhador, mas com Salário barato
    De permeio vão à missa ou às entrevistas nos jornais do qual são proprietários, glorificar as suas dádivas em prol da sociedade.

    • Brand says:

      não diria melhor – mas este jornalixo gosta de propagar esta doutrina insultuosa

    • Paulo Marques says:

      Palhaços. Fazem lá ideia de como prosperou a Ásia, só comem a propaganda com a testa.
      Qual produção, ó Macário?

    • Anonimo says:

      “Portugal é um país competitivo em termos de custos salariais. Os custos salariais são mais baixos do que a média dos países da União Europeia e a pressão para a sua subida é muito menor do que nos países do alargamento”, sustentou o ministro, perante a plateia de empresários chineses.

      • Paulo Marques says:

        Para fora, admitem todas as pessoas “responsáveis” o desígnio de república das bananas ao serviço da hegemonia.

        • Anonimo says:

          Porém, continuam a acumular maiorias absolutas… ou dizem as verdades, ou o povo concorda com a declaração.

          • Paulo Marques says:

            Chomsky já explicou isso; o consenso criado no senso comum tem muita força, mesmo que pouco senso. Quando se percebe, “ah, mas não há alternativa” até ao “ah, mas isso é o que diz a eurásia, com quem sempre estivemos em guerra”.

  5. balio says:

    Eu diria que Macário Correia tem razão. Com tanta oferta de emprego que por aí há, se se está desempregado é mesmo porque não se quer trabalhar.

  6. Joana Quelhas says:

    Se eu disser :
    “Os homens correm mais rápido que as mulheres”, estou a dizer uma banalidade.
    Toda a gente sabe que os homens correm mais rápido que as mulheres.
    Como toda a gente sabe também que existem algumas mulheres que são mais velozes que alguns homens.
    Mas estes casos excepcionais não tiram a validade da primeira proposição.
    Aliás a generalização em categorias é uma prática científica, que permite o próprio avanço da ciência.
    Qualquer pessoa normal percebe isto como percebe o que o Macário quis dizer.
    Porque é que este pseudo-intelectual não percebe o óbvio ?
    Por uma razão muito simples, que agora é moda na esquerda: ‘Virtue signalling”.
    Um esquerdista está sempre atento a qualquer oportunidade de tentar vender a ideia que está moralmente acima dos demais.
    Faz parte da sua patologia.

    Joana Quelhas

    • Paulo Marques says:

      Porque está a tirar a excepcionalidade do rabo, além de assumir que a compensação compensa o trabalho libertador.

  7. POIS! says:

    Ora pois, ó Qwelllhasss! Só uma pequena adaptação:

    “Um(a) direitrolha está sempre atento(a) a qualquer oportunidade de tentar vender a ideia que está moralmente acima dos demais.
    Faz parte da sua patologia”.

    Gostou?

    Depois daquele paleio sobre generalizações, acho que a ciência caba de dar uns pulos com mais esta.

    Obrigado, ó Quwelllhasss. Se o Nobel calhar por cá, tem direito a uma parte da medalha. Pode ficar com a coleira.

  8. Paulo Marques says:

    Sem não for muito chato, até perguntava onde estão esses desempregados preguiçosos se, como noutros lados, o número de pessoas empregadas continuava a crescer até decidirem criar a crise. Só para saber.

    https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&contecto=pi&indOcorrCod=0007970&selTab=tab0

  9. João Mendes says:

    Acho que te vou cancelar. Foste muito desagradável com os porcos.

  10. José Ferreira says:

    O autor desta crónica sentado na poltrona munido de opiniões alheias ,dá-lhe assim um ar de inteligente… sem a mínima noção da vida real!

    • Paulo Marques says:

      E o sujeito condenado por crimes nebulosos tem, apesar de nunca ter estado empregada tanta gente, pelo menos até se forçar o início da recessão.

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.