Eu até conheço dois gajos que gastam muito em gajas e bagaço!


As imagens com que escolhemos ilustrar as nossas opiniões são o rabo de fora dos nossos preconceitos mal escondidos, a não ser que sejamos muito hábeis ou que não tenhamos rabo. Dijsselbloem é um dos gatos mais desastrados que tenho visto, e só sobrevive porque vivemos num ambiente em que os políticos nem sequer precisam de ter vergonha na cara, bastando lembrar o amigo Juncker e o seu fascínio pelo charme do défice francês ou, há mais tempo, o Durão Barroso que jurou pela existência de armas terríveis no Iraque e que se pôs a correr para Bruxelas, abandonando, patrioticamente, o cargo de primeiro-ministro do, por assim dizer, seu país.

Relativamente a Dijssolbloem, e porque estamos a falar de gente que se comporta como um bêbedo que se esqueceu do alfabeto numa tasca tão reles que nem a ASAE lá entra, tenho a dizer que só se perdem as que caírem no chão. Por muitas voltas que queiram dar ao discurso do holandês, ao escolher a imagem dos dissipadores em mulheres e vinho é evidente que deixou escapar um complexo de superioridade que não é mais do que a manifestação na crença de que faz parte de uma raça superior. Para disfarçar, ainda recorre a uma das minhas palavras preferidas, solidariedade, alegando que isso correspondeu à generosa prática dos povos do Norte, oposta ao parasitismo dos sulistas europeus.

Dijssolbloem, na verdade, é um manga-de-alpaca ao serviço dos interesses verdadeiramente defendidos pelo eixo Bruxelas-Estraburgo, cujo objectivo é, há muitos anos, empobrecer o Sul, através da destruição do tecido produtivo e do esmagamento dos salários, de modo a que os nórdicos possam, solidariamente, passar férias servidos por criados de mesa conformados, eventualmente lúbricos e bebedolas nas horas vagas.

É claro que, entre nós, houve quem defendesse o ministro holandês, porque há por aqui quem sinta que o povinho tuga merece ser castigado, do mesmo modo que França conseguiu ter um Petain. Camilo Lourenço, por exemplo, esquece-se de si em novas glórias, sempre que se baixa um salário.

Por cá, também temos exemplares que argumentam com a mesma profundidade do ministro holandês, que, sozinho, parece um grupo de amigos à volta de umas minis, enquanto explicam os problemas da humanidade. O Zé que pensa que é escritor fingiu, há uns anos, que era jornalista e regurgitou umas generalizações acerca dos gregos. Mota Soares, alegado católico, lançou uma crítica nauseabunda sobre os beneficiários do Rendimento Social de Inserção, que são uma malta que não quer é fazer nenhum, sem excepção, claro.

Por mim, na minha opinião, que é uma opinião pessoal, as pessoas que são de um país em que se põe droga nos bolos e putas nas montras é um tipo de pessoas que, efectivamente, é toda mal formada e deve ter joanetes, por exemplos.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O problema de Dijsselbloem é bem mais vasto do que as suas parvoíces. Ele representa hoje o pensamento dominante de uma certa EUROPA , sentada no EUROGRUPO e na Comissão Europeia.
    Este apenas faz de porta voz, uma espécie de bobo da corte, de “manuelinho”, desse pensamento dominante, do qual Wolfgang Schäuble é o cérebro.
    Como pertence a um grupo politico contrário ao dominante, o PPE, contrataram-no para fazer este papel:
    DIZER AQUILO QUE O OUTROS PENSAM E INSINUAM NOS GABINETES, MAS NÂO QUEREM SER ELES A DIZER
    E como ele pertence a um Partido Trabalhista, nada melhor ser ele o protagonista destas baboseiras, para que não passe a ideia que isto é uma guerra entre direita esquerda.

  2. Paulo Ribeiro says:

    Essa malta faz o faz e diz o que diz porque sabe que não existem consequências. Gostava de ver as reuniões que foram feitas com os países do sul a ter um resultado prático. Se Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia fizessem um tratado económico onde preferissem produtos do sul da europa sobre os do norte íamos ver esta gentinha a dobrar a língua. Só o sector automóvel mudava completamente. Mas o que se vê é os governos do sul a comprar transportes e armamento aos do norte, quando os nossos vizinhos produzem os mesmos produtos e até estão mais próximos. Pagamos de diversas maneiras e ainda somos insultados.

  3. Ana Moreno says:

    “Por mim, na minha opinião, que é uma opinião pessoal, as pessoas que são de um país em que se põe droga nos bolos e putas nas montras é um tipo de pessoas que, efectivamente, é toda mal formada e deve ter joanetes, por exemplos.” Isto é uma graça cínica, não é?

  4. Paulo Só says:

    O pior é que estava sóbrio. Gastei tudo com a Angela Merkel, mas quem bebeu o vinho foi o Juncker.

  5. O estranho é que ele só diz se eu; todo o resto do discurso é feito pelos que se sentem mencionados. Não é bem significativo ? virgens ofendidas que des minutos depois já estão a aprovar aumentos com o dinheiro dos outros, perdendo logo toda a dignidade ofendida.

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