Azar, o Zé julga que é jornalista

A vida é um palco, já dizia o Bardo, transformando-nos a todos em actores. No prolongamento desta imagem dramática, e sem ser original, é possível dizer-se que o mundo é um conjunto de palcos em que desempenhamos papéis diferentes. Não me faz, portanto, confusão que, de copo em riste, entre compinchas, possamos exercer o saudável direito ao disparate, mesmo que seja politicamente incorrecto ou só incorrecto e até desinformado, porque há sítios em que é lícito que  todas as louras sejam burras e todos os alentejanos, preguiçosos.

José Rodrigues dos Santos confunde a televisão pública com uma tasca de que é cliente habitual, o que faz com que se sinta autorizado a piscar-nos o olho ou a exibir um ar heteromalandreco logo a seguir a reportagens sobre passagens de modelos. As pipas donde sorve directamente são as câmaras de televisão e as tiragens dos livros que vai publicando. Estar inebriado em público é o primeiro passo para confundir os palcos e misturar papéis: foi assim que, na Grécia, o alegado jornalista José Rodrigues dos Santos foi o Zé do costume e fez umas generalizações sobre os indígenas, muitos deles, pelos vistos, falsos paralíticos que caminham em direcção a “subsidiozinhos”.

O Zé, entre amigalhaços, tem direito a chamar os nomes que quiser a qualquer povo ou grupo social ou classe profissional. Se o mesmo Zé quiser ser, finalmente, o jornalista José Rodrigues dos Santos, deve tomar dois cafés duplos bem fortes e dar tempo a que os vapores das câmaras se desvaneçam. Só nesse momento, poderá começar a investigar e a ter cuidado com a objectividade da linguagem e a não confundir os telespectadores com colegas de brincadeiras ou confidentes de maledicências.

O problema do Zé, no entanto, é não perceber que tem um problema, como é típico de quem sofre de algum tipo de dependência. Como, por estar sempre ébrio de mediatismo, vive convencido da sua superioridade, respondeu às críticas que lhe foram feitas com um sobranceiro “Azar, eu falo.” E, desta vez, tem razão: é o azar de quem deseja ver jornalistas a trabalhar na televisão pública.

Comments

  1. Manolo Heredia says:

    o homem, lá porque vê todos os anos ser publicado um livro em que consta o seu nome como autor, tem-se em grande conta.

    Quem dá o nome a livros que são recados, também aceita ir à grécia pessoalmente emitir recados…


  2. Os Santos na Grécia só dão problemas. Irá escrever mais um pest seller dedicado à corrupção no Olimpo sendo o Tsipras um temivel membro da irmandade dos Corrup que querem descredibilizar EUro?

    • joao lopes says:

      tem muita razão:o zé escreve mesmo “pest” sellers,porque os livros do zé são uma peste,e alem disso não é Peter Sellers,quem quer,é só quem pode.

  3. lisboa says:

    não será o zé um paralitico,sempre á espera do subsidio mensal que recebe do dilheiro pago pelos contribuintes.

  4. lisboa says:

    será que a editora do zé declara todos os titulos vendidos as finanças .

  5. Nightwish says:

    Portanto, o Pinguim foi empurrado… Porque não disse logo?


  6. Este gajo acha que pode insultar toda a gente. Primeiro os gregos, agora os portugueses.
    Disse numa entrevista que tem dinheiro suficiente que lhe permite deixar de trabalhar na RTP.
    Faça-o, seu fascista e leve consigo o seu amigo Carlos Daniel. Vá embora que a democracia agradece.
    Começa-se a perceber porque não são divulgados os nomes de jornalistas envolvidos no escândalo do Panama.

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  1. […] nada mais a acrescentar. O que havia a dizer já o João José Cardoso, o José Gabriel e o António Fernando Nabais fizeram o favor de dizer. I rest my […]


  2. […] A Sarah já fez referência ao assunto. Vale a pena ver o vídeo. De acordo com o Zé Rodrigues dos Santos, o Zé Rodrigues dos Santos é jornalista. […]


  3. […] o episódio dos paralíticos gregos e o da possível brincadeira à volta da sexualidade de Alexandre Quintanilha, há uma diferença: […]


  4. […] Rodrigues dos Santos tem presenteado os portugueses com alguns episódios dignos de registo. A fábula dos paralíticos gregos, a brincadeira de mau gosto que visou o deputado Alexandre Quintanilha ou a forma nada […]


  5. […] Zé acredita que é jornalista. Agora, pensava que era historiador, mas fascismo não é quando um homem […]


  6. […] parece um grupo de amigos à volta de umas minis, enquanto explicam os problemas da humanidade. O Zé que pensa que é escritor fingiu, há uns anos, que era jornalista e regurgitou umas generalizações acerca dos gregos. Mota Soares, alegado católico, lançou uma […]

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