Fernando Medina e Sérgio Figueiredo: um banquete para a extrema-direita

Quando Sérgio Figueiredo era director de informação da TVI, Fernando Medina, então presidente da CML, era comentador residente. Comentava a actualidade, comentava política interna, comentava eleições. Comentava tudo. E ganhava uns trocos, que a vida em Lisboa está é para os camones.

Agora, que Fernando Medina é ministro das Finanças, e Sérgio Figueiredo enveredou pela consultoria, os papeis inverteram-se. E o antigo director da TVI foi agora contratado pelo antigo presidente da CML, por ajuste directo, para prestar serviços de “consultoria estratégica especializada”, pela módica quantia de 4767€/mês, valor que se equipara ao auferido pelo próprio Medina.

Isto corrói a democracia mais do que qualquer venturice. Porque é exactamente disto que se alimentam as venturices. De portas rotatativas que tresandam a compadrio e outras coisas que vocês sabem. Na falta de emigrantes, muçulmanos e elevada criminalidade, melhor combustível não há.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Não quiseram uma maioria absoluta?
    Agora aguentem.
    O que Medina fez, vergonhoso diga-se, é aquilo que fazem todos os partidos de governo. Usar e abusar do poder que os eleitores lhes conferiram, dando lugares bem remunerados a amigos. Este é mais um.
    Mas se isto me choca, chocava-me bem mais o falecido António Borges, no tempo do Dr. Passos Coelho, a sacar 25000€ todos os meses ao erário público, depois de ter ficado desempregado, como conselheiro económico do governo. O azar dele foi ter morrido.
    Isto já para não falar daquela célebre transumância de três PSD’s e um CDS para à EDP, no tempo da Troika, logo a seguir à venda da EDP aos chineses.
    Tudo coincidências hard core.
    Não se preocupem que quando estes saírem, os outros vão fazer rigorosamente igual. Não é para isto que os portugueses votam neles?

    • Amora de Bruegas says:

      Esta promiscuidade laboral e salarial, é um dos muuitos motivos pelos quais não gostam do Estadista! Eles são cleptomaníacos e filo-pirómanos…., mas de burros nada têm e sabem muito bem que o Prof, Salazar nunca os contrataria, excepto para varrer as ruas e limpar latrinas!

      • João Mendes says:

        Salazar? A bitch do avô do Salgado? Andas a falhas a hora dos comprimidos outra vez, facho?

      • POIS! says:

        Ora pois, ó Abóbora de Burregas!

        Poer exemplo, o António Ferro fartou-se de varrer ruas!

        E o Ramiro Valadão, a limpar latrinas era um ás! (aliás, para calar os nacional-sindicalistas das “jaquetas cerúlias”, o Estadeiro Oliveira da Cerejeira arranjava sempre mais uma latrinazita para limpar…).

        Já para não falar do Casal Ribeiro, mas esse foi muito bem aproveitado: constatados os gases que soltava na Assembleia Nacional, foi posto a administrar a Cidla. Muita botija encheu!

  2. esteves aires says:

    A ética é uma coisa, que muitos nunca ativeram, tanto, o Cavaco, Barroso, Passos, Portas, Moedas, Cristas, e tantos outros…, não tenho espaço para os enumerar. E como diria o jurista Arnaldo Matos; “isto é tudo um putedo”!!!

  3. POIS! says:

    Ó Mendes, que injusto!

    O Sérgio Figueiredo é um homem que não se fez na política, vem da sociedade civil, do terreno, da realidade económico-empresarial, não das vestustas secretárias de cerejeira das repartições públicas.

    É um arrojado “entreperneur”, que subiu a pulso. Quando chegou ao “Jornal de Negócios” este vendia uma média de 16 jornais por dia, e 14 eram dados. Quando saiu, soube de fonte segura, a média diária era de dois milhões, mais coisa menos coisa. Não havia tasca no país onde não se discutissem as últimas novidades do PSI-20, as multimilionárias transferências dos CEO ou a pujança do nosso sistema bancário

    Foi com grande sacrifício que, agora, trocou o seu lugar de “consultor para a sustentabilidade” onde faturava milhões por hora, pelos trocos de um ordenado de ministro.

    Note-se que é licenciado e tal, o que o torna o homem certo para o cargo de “consultor estratégico especializado”.

    Especializado em quê? Ora, em consultoria estratégica! Estavam á espera de quê?

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      POIS! Por muito que me custe, tenho de concordar com esta publicação.

      Já lá diz o ditado: Mesmo um relógio parado dá as horas certas duas vezes por dia. POIS! Foi desta. Subscrevo.

      • POIS! says:

        Pois mas…

        Vosselência deve abandonar essa vida sedentária. Acertar duas vezes por dia pode não compensar. Olhe o seu coração!

        • Fernando Manuel Rodrigues says:

          POIS! Eu elogiei-te. Aproveita, e não abuses!

          Agora vai pela sombrinha…

  4. JgMenos says:

    A proposta dos indignados parece ser:
    «Concurso Público: ministro quer avaliador do seu trabalho, que seja homem de confiança, que alerte para os potenciais fracassos e que, quando ocorram, os embrulhe em boas e convenientes palavras, por forma a assegurar o sucesso das políticas públicas, independentemente do que diga a UTAO»

    • POIS! says:

      Pois mas, nessas condições…

      Quem ia ganhar o concurso, digo eu, era o Miguel Relvas e o seu exército de “bloggers” amestrados.

      Se já tivesse estudado, é claro!

      Pode ser que ele comente o caso lá na CNN. Vou estar atento. Deve dar para a malta se rir, agora que os humoristas estão a banhos.

    • Paulo Marques says:

      Concurso público, para assessor do executivo é coisa que não existe.

  5. Anonimo says:

    Ontem vi alguém a criticar, e nao era deputado do Chega.
    O problema nem é tanto o Ze ou o Manel, amigo ou cunhado, podia ser bom naquilo que faz. O que pergunto é qual a função que vai desempenhar, serve ao certo para quê. Que resultados deve apresentar ao fim de dois anos. Quem o avalia e como.
    E como este, muitos…

  6. Paulo Marques says:

    Não concordo muito. Corrói mais porque é altura de empobrecimento para lidar com a estagnação do sistema, e não conhecem, nem são aconselhados pelos lobbys, outra solução. Houvesse pão e gasolina, era mais um membro do governo por confiança política a ser avaliado em eleições – afinal, estão à espera que nomeiem quem não conhecem de lado nenhum?
    Nem estou a fazer juízos de valor, não gosto de um e não conheço o outro, e não me inspira confiança; mas não é por aqui que se altera a opinião da actuação do governo, é só um alvo fácil e errado.

  7. Arlindo da Costa says:

    Mas qual o problema? Até o Zelensky tem assessores recrutados em Washington e Londres, ganhando uma boa maquia.
    Deixem o mercado funcionar, seus comunas.

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