
O resultado prático da visita de Nancy Pelosi a Taiwan foi este: um bloqueio naval e um país sitiado, refém de exercícios militares que, do ponto de vista de Pequim, podem passar de temporários a permanentes, na medida em que Taiwan é território chinês e Pequim dispõe do seu território como bem entende. Do ponto de vista chinês e do ponto de vista da comunidade internacional, que NÃO reconhece Taiwan como um estado soberano. E este é um dos raros casos em que a expressão “comunidade internacional” pode ser usada com substância, sendo que apenas 13 Estados reconhecem a soberania da Formosa. E o único europeu é a Santa Sé, so do your math.
Há quem defenda que Pequim teria já preparado estes exercícios militares há meses, porque estas coisas não se preparam de um dia para o outro. Como não sou especialista em assuntos militares, aceito sem levantar ondas que este desfecho seria igual com ou sem a visita de Pelosi. Mas sem Pelosi, seguramente, não haveria margem para desculpas esfarrapadas. E a speaker do congresso ofereceu uma perfeita a Xi Jinping.
O que se segue?
A julgar pelo desfecho do ajuntamento de tropas russas na fronteira com Ucrânia, no final de 2021, podemos estar à beira de uma invasão de Taiwan. Espero estar enganado, mas já antes me atrevi a antecipar esta possibilidade, fruto das novas circunstâncias que resultaram da invasão da Ucrânia. E se a situação na altura já era tensa, mais tensa ficou. E o timing, para a China, é perfeito. A última coisa que o Ocidente quer e precisa é abrir outra frente de batalha, enquanto assiste ao esmagamento da Ucrânia.
E uma coisa é certa: a Europa não se atreverá a aplicar à China as sanções que aplicou à Federação Russa. Porque nenhum país europeu reconhece a soberania de Taiwan e porque o modelo económico ocidental não sobrevive sem a mão-de-obra barata que o regime chinês lhe providência. Pequim sabe-o, Washington também e a União fica a ver, enquanto acumula lenha para o próximo Inverno. Os Taiwaneses, como os Ucranianos, estão por sua conta. E continuarão a ser usados em nome de “valores mais altos que se levantam”.






A senhora Nancy Pelosi, serviu os interesses (imperialistas), não só dos «é-u-á», como os do governo do PCC… Se o governo dos EUA fosse democrático só tinha que a demitir…, mas não o fez , os interesses do imperialismo, são mais do que uma guerra entre o governo de Taiwan e a China!!! E agora é só esperarmos o que vai acontecer!
Taiwan não é um país independente. Não é reconhecido pela ONU como um Estado soberano. Nem sequer é reconhecido pelos EUA, que já tiveram posições distintas nesta matéria. Mas como a hipocrisia fala mais alto, sempre foi assim, no tempo de Richard Nixon acabaram por dar o dito por não dito.
Mas Taiwan é um país “independente” da China no plano económico. Não necessita da China continental para nada. Tem um nível de vida superior ao Chinês e, mesmo sendo uma democracia com defeitos vários, é apesar de tudo bem mais democrático que o regime de Xi Jinping, uma ditadura, em nada diferente da Rússia de Putin. Tal como eram Hong Kong e Macau, antes de estarem debaixo do domínio continental de Pequim.
Qual é o problema de tudo isto. A China está cada vez mais a tornar-se numa potência mundial, tentando consolidar o domínio regional de uma série de territórios que historicamente lhe pertenceram.
Onde é que o capitalismo neo liberal entra neste filme, mesmo em regimes comunistas como o da China e Vietname, por exemplo.
O capitalismo tem uma gula desenfreada. Nunca se sentem saciados. Faz parte do seu ADN. Nomeadamente a partir do fim do padrão ouro, como reserva da emissão de moeda. Descontentes por terem de pagar impostos e terem de cumprir regras na Europa e nos EUA, resolveram emigrar para a Ásia, dando-lhe o falso nome de globalização. Mais até do que para a África ou para a América do Sul e Central, por desconfiança, onde os regimes assentam nas formas coloniais de poder, no qual a corrupção tem um papel desincentivador, e numa relação de forças entre as várias etnias e raças, com uma instabilidade política permanente. A Ásia oferecendo ao capitalismo mão de obra barata e mais qualificada, optimiza o investimento.
O analfabetismo na China e no Vietname é hoje bem menor do que noutras regiões do planeta, fruto em boa parte da alfabetização e escolarização que o comunismo impõe. Na Índia, no Paquistão e Bangladesh as taxas de analfabetismo, são bem mais altas, sociedades muito estratificadas, daí as indústrias serem tendencialmente mais básicas e de menor valor acrescentado.
Só que o capitalismo, ao contrário do que acontece na Europa e nos EUA/Canadá, tem muita dificuldade em controlar politicamente estes Estados. A emergência de novas super potências como a China, quem sabe um dia a Índia, torna tudo muito mais complicado. Criar um monstro é também uma possibilidade real.
Veremos a médio prazo o que dali virá.
Invadir uma ilha não é o mesmo que avançar pelas estepes, e ocupar/destruir campos não é o mesmo que o fazer às fábricas mais avançadas do mundo.
Posso estar a perder alguma coisa, da mesma força que não prestava atenção nenhuma quando o Zé se preparava para limpar o oriente do país, mas o relevante para a hegemonia são mesmo estas últimas, as fábricas de microprocessadores que quer fazer voltar a casa para deixar de depender do peão. Se o abandonará às feras depois de o atiçar não estaria perto de ser o segundo caso.
E a eurolândia? Bom, assina qualquer coisa enquanto não se sentir obrigada a fazer pela vida; em que forma virá e qual a resposta é adivinhação, mas a poli-crise está aí, e os “valores democráticos europeus” não ajudam muito.
Veremos se os EUA os têm onde é preciso e navegam onde dizem ter direito de o fazer.
Têm, usando um americanismo, da mesma forma que um elefante numa loja de porcelana; pode ninguém os conseguir impedir, mas algum dia partem a loiça toda.
Pois, desde que os seus interesses geo políticos sejam beliscados, metem-se logo ao barulho. Só que às vezes as coisas correm-lhes mal. Não faltam exemplos.
Pois mas…
Se toparem algum talibã no convés de uma fragata…ala que se faz tarde!
Obviamente que os americanos abandonarão os twaineses, como vão abandonar os ucranianos, etc. Basta ver o histórico recente. Abandonaram os curdos, os afegãos, os iraquianos, os sírios, etc.
Não podem abandonar de quem nunca quiseram saber, só deixam de ser úteis.