A obliteração de Thomas Massie

Rep. Thomas Massie, R-Ky., listens during a joint subcommittee hearing of the House Judiciary Committee, on Capitol Hill, April 1, 2025, in Washington. (AP Photo/Mark Schiefelbein, File)

Thomas Massie já era uma estrela do partido republicano quando Trump ainda comprava e votava em candidatos democratas.

Fervoroso opositor do intervencionismo militar, adepto do controle da despesa e de um governo limitado nos seus poderes, Massie foi e é o enfant terrible do Partido Republicano, mas não era um problema para Donald Trump.

Sobretudo se Trump tivesse cumprido o que prometeu.

Mas Trump não só não cumpriu, como, em muitos casos, fez o exacto aposto daquilo que prometeu em campanha.

O caldo começou a entornar-se quando Massie decidiu exigir toda a verdade sobre os ficheiros Epstein. E agravou-se com a oposição à Guerra do Irão e com a denuncia de um alegado “takeover” da administração Trump e do Tesouro Americano por parte do Estado de Israel, representado nos EUA pela poderosa e opaca AIPAC. Thomas Massie cumpriu a sua promessa eleitoral. Donald Trump, que fez campanha a prometer revelar os ficheiros, acabar com as forever wars e meter todas as fichas no America First, não.


E como Massie parece ainda conservar a totalidade da espinha dorsal, ao contrário dos membros da seita trumpista, cá e lá, não cedeu às pressões para deixar cair estas bandeiras. E foi atropelado pelo fundamentalismo MAGA e pelos milhões dos oligarcas sionistas, nas primárias do Kentucky. Foi a primária mais cara de sempre na história dos EUA. Entre 25 e 30 milhões de dólares.

Mas a grande lição aqui é outra. Num regime protofascista, como aquele que Trump está a construir, as eleições são de quem as pode comprar. Massie foi eleito para o Congresso 7 vezes. Venceu todas as primárias no seu círculo por margens a rondar os dois terços. Era um republicano popular e estimado pelo antigo partido republicano. Um político que nem o dinheiro das PACs conseguia comprar. O seu adversário não se deu ao trabalho de aparecer a um debate ou de falar sobre as propostas que não tinha. A sua proposta de valor era ser um fantoche de Trump. E derrotou Massie por larga margem com o seu arsenal de milhões.

Porque é que Trump decidiu usar tantos recursos para travar o autor da Epstein Files Transparency Act?

Porque um autocrata quer-se rodeado de lambe-botas obedientes. Só assim se explica que um palerma como Pete Hegseth chegue a liderança do Pentágono. E quem se mete com Trump, não leva: é obliterado. Além disso, Trump já deixou bem claro que quer abafar o caso Epstein. Porque está inocente, claro. Ele e os seus amigos.

Também interessante de notar é o silêncio absoluto de tantos que, ainda há pouco tempo, elogiavam com vigor as qualidades de Thomas Massie. Lá e cá. Massie foi alvo de uma campanha suja e acabou derrotado por um sabujo contratado por Trump. Nem um pio. Nem um artigo, nem um podcast, nem um vídeo do Tonecas da IL no Tiktok. Nada.

Rigorosamente nada.

Comments

  1. Já no regime democrático dos Democratas e do Labor, as ameaças são os podcasters; no Reino Unido, estabelece-se o precedente de que qualquer condenação por júri pode ser elevada a terrorismo por um juiz escolhido a jeito; e para o ocidente inteiro, a ameaça com direito a sanções de condenação à fome são os jornalistas e membros da ONU.

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