«A escola deve ser democrática, mas não impingir a democracia.»
António Barreto
Eu talvez preferisse a ditadura à democracia, se fosse ditador vitalício, rodeado por uma guarda pretoriana e com direito a pensão completa. Seria um ditador benevolente, amigo do meu amigo. Os meus inimigos teriam, apesar de tudo, a possibilidade de me criticar, desde que o fizessem em silêncio, porque o barulho faz-me dores de cabeça. O meu retrato, como é óbvio, estaria em todas as salas de aula e todos os alunos ficariam a saber que sou uma pessoa naturalmente bondosa, desinteressada, inteligentíssima e modesta.
Não é necessário impingir as virtudes da ditadura, porque, como predadores que somos, sermos lobos uns dos outros está-nos na massa do sangue e isso nota-se todos os dias.
A democracia, por ser tão custosa, por nos obrigar a contrariar a natureza do animal, tem de ser imposta, criando reflexos condicionados que nos levem a perceber que a sociedade humana não é a selva em que queremos viver.
Apesar da minha vocação para ditador, impingiram-me a democracia ainda em tenra idade. Devo isso a algumas pessoas e instituições, nomeadamente à Escola, onde fui alvo de doutrinações mais ou menos explícitas, entre benignas e malignas, sentindo-me sempre protegido e exposto e, com alguma frequência, obrigado a exercer o espírito crítico que me levou a escolher um caminho, quando me mostraram tantos.
A obsessão da direita, incluindo a alegadamente moderada, com a doutrinação de que os alunos são alvo é muito divertida, como todas as coisas perigosas. A propósito de António Barreto, diria que ser senador não é algo que se escolha, é algo que nos é oferecido e que devemos rejeitar. Escolher um verbo como ‘impingir’ no contexto que usou é um direito que a democracia lhe concede, porque a democracia também aceita a parvoíce.






Não percebo porque ficam tão admirados. Esse A Barreto nunca me enganou. Quem seguiu o seu percurso político também não fica surpreendido
Cumprimentos
O António Barreto está velho e ultrapassado. Devemos dar-lhe muito desconto. Em breve estará na cova.
António Barreto sempre foi velho e ultrapassado. Fugiu à guerra e confundiram essa fuga como um acto de um antifascista… Barreto sempre foi fascista…
Cem por cento de acordo: estamos perante um verdadeiro “déspota iluminado”, embora me pareça que a petróleo dos candeeiros.
Lembro aqui que este Sr. “sociólogo” (*) fez uma célebre série de documentários “Portugal: um Retrato Social” que era muito utilizada nas escolas. O João José Cardoso até fez uma montagem didática de partes de vários episódios que intitulou “Como Era Portugal Antes da Democracia?” que pode ser vista, entre outros locais (acho que até no Aventar), aqui:
Para evitar “impingimentos”, desafia-se este senhor a proibir a sua utilização e a pedir desculpa por não ter colocado a ditadura ao mesmo nível.
(*) Há uns anos, outro iluminado entretanto desaparecido, Vasco Pulido Valente, escreveu no Público, onde alternava com o escriba, que a sociologia era uma burla, em termos científicos. Não vi pêvea de reação. O António enfiou o barreto e assobiou para o lado.
Pois eu achei o artigo excelente, como de resto tenho achado tudo o que António Barreto tem escrito. E sim, a democracia deve ser aceite, e não “impingida”. E só quem vê o mundo a preto e branco é que acha que, se não se “impinge” a democracia, se está a “impingir” a ditadura. Nem uma coisa nem outra.
A doutrinação deve ser banida das escolas. Simplesmente BANIDA.
Achar que a escola “doutrina” é coisa de doido ou de quem não pisa o chão de uma sala de aula há muito.
A escola não doutrina coisa nenhuma, nunca me senti doutrinado. Tive professores de todos os quadrantes políticos, crentes empedernidos e ateus convictos, portistas e benfiquistas, homens e mulheres. Quem acha que existe isso de “doutrinar” está a querer que eu acredite que todos os componentes de uma escola, seja ela qual for, pensam todos da mesma maneira sem derivações. Da mesma forma, tenho em casa um pai e uma mãe com visões diferentes sobre vários assuntos.
Dessa mescla, que me fez sempre questionar e ouvir o outro, nasci eu, com as minha opiniões e posições sobre vários temas. Ninguém me doutrinou. Aliás, a única vez que me senti doutrinado foi na catequese, quando me tentaram vender um peixe podre.
O destaque do artigo diz o seguinte: “A escola não deve doutrinar, nem ensinar nenhuma matéria relativa á vida privada dos cidadãos, às suas escolhas pessoais, às suas preferências religiosas, à expressão dos seus sentimentos, à sua sexualidade ou ao desenvolvimento afectivo da sua personalidade”.
Peço aos “indignados” que esclareça a que parte disto é que objectam.
Ora pois!
A escola não deve ensinar nada disso. Ensinar? Nem qualquer falar de assunto que seja controverso.
Estou a visionar uma aula de História Barreta: “dizem que havia campos de concentração, gulags e etcetras, dizem. Mas até podia haver uma razão válida para isso, não somos nós que o temos de pôr em causa aqui. Por favor informem-se na net que isso não é assunto para ser aqui tratado. Aceitem a versão que acharem mais conveniente.
Para a semana falaremos de um acontecimento que dizem, teve importância: a dita “Revolução de Abril”, que permitiu passar de um regime político para outro regime político. Uns dizem que foi bom, outros que foi mau”.
E, depois, defende-se o Serviço Militar Obrigatório para forçar os cidadãos ideologicamente relapsos a “integrarem-se na sociedade”! Aí a “aceitação” já passa a ser à força!
“A escola não deve ensinar…”
Para António Barreto, há matérias que a escola não pode ensinar. Não se pode ensinar que a homossexualidade existe, que a religião existe, que as dietas alimentares existem, que o desporto existe, etc.
“A escola não deve doutrinar, nem ensinar nenhuma matéria relativa á vida privada dos cidadãos, às suas escolhas pessoais, às suas preferências religiosas, à expressão dos seus sentimentos, à sua sexualidade ou ao desenvolvimento afectivo da sua personalidade”.
Que se fechem as escolas, então!
Mais uma doutrinação do “barrete”!
E porquê ficar-se por aí? Também não deve doutrinar o respeito pelos outros, o comprimento das leis, a empatia, o empenho, tudo mais “escolhas pessoais” e mais “doutrinado” que a embirração do autor e do Fernando.
Barreto, aquele senhor que já foi ministro do PS.
FIM.
Já lá vão 2 comentários sonegados!
Comentários a este texto?
Sim.
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Dois comentários aceites e desaparecidos
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Sonegação não houve, porque não há censura nem moderação de comentários. Aliás, nunca iria cortar a palavra ao meu “troll” preferido.
Acrescento que tentei, duas vezes, usar o telemóvel para comentar e tive direito ao mesmo erro. Só consegui através do computador.
pois tem a certeza?
Veja lá bem no guarda-fatos. Do lado direito, encostado ao seu amigo fuzileiro, está o coirão treteiro mamão nº III. É capaz de os ter lá no bolso.
Lá está o coitadinho a chorar, invés de aprender a ter competência para dar a volta. Compreende-se.
O meu comentário acima passou com a difícil e temporária medida de… fazer logout. Fosse menos conspirativo e chegava lá.