
Dos 6 reatores que constituem a Central Nuclear de Zaporijjia apenas 1 está em funcionamento. Um dos sete pilares de segurança de uma central nuclear é a garantia de ter em permanência alimentação elétrica exterior para fazer funcionar a central. Desde sexta-feira, a central de Zaporijjia deixou de ser alimentada pelas 4 linhas de 750 kV da rede elétrica exterior. A linha de alimentação de emergência providenciada por uma central a carvão foi ontem cortada na sequência de um incêndio exterior. A central ainda pode assegurar o seu funcionamento através de geradores a gasóleo ou através de um processo de realimentação utilizando um dos reatores, mas esta é uma solução para pouco mais de uma semana. Neste momento o único reator em funcionamento está a fornecer energia para que todos os sistemas de segurança se mantenham operacionais, em particular as piscinas de arrefecimento onde é guardado o combustível usado (durante cerca de 8 anos).
Outros pilares da segurança estão a ser seriamente comprometidos, em particular as condições de trabalho dos engenheiros e técnicos da central que têm sido tratados de uma forma totalmente irresponsável pelas tropas russas, impondo ritmos e organização de trabalho desadequados às exigências de segurança. O erro humano está ao virar da esquina.
Num cenário de a central ficar sem energia elétrica, perdendo a capacidade de arrefecer o combustível usado, uma série de acidentes de diferentes escalas poderão acontecer que vão desde a fuga de água altamente radioativa das piscinas até a um cenário semelhante a Fukushima. Em caso de mais bombardeamentos da central, a tipologia de acidentes pode ser muito mais complexa e difícil de estimar a sua gravidade. Recordo que em Chernobyl estivemos muito perto de ter uma explosão colossal com capacidade de contaminação gravíssima à escala continental (toda a Europa) evitada in extremis por 3 técnicos que arriscaram a vida por todos nós.






Como parece ser claro, os russos utilizarão a central nuclear de Zaporijjia como arma de arremesso psicológico, sob a forma de chantagem, sobre os ucranianos e os países periféricos.
A questão que eu colocaria, não tenho conhecimentos para tal, é se uma hipotética explosão nuclear ☢️, não chegaria com os seus terríveis efeitos de radiação às portas de Moscovo e dos seus amigos de Minsk?
Tem de chegar. Caso contrário o crime compensa.
Pode chegar, nem é preciso ser uma explosão, basta uma vaporização descontrolada da água de arrefecimento de barras de combustível usado para provocar uma nuvem altamente radioativa que pode chegar a território russo.
Eu só coloquei a questão, porque segundo uma rápida pesquisa que fiz no Google, a distância por estrada da central de Zaporijjia a Moscovo são 1044km, por estrada. Em linha recta serão no máximo uns 900km.
Portanto, e seguindo a linha do seu raciocínio:
Os russo são maluquinhos, bombardeiam as suas próprias forças, e não hesitarão em fazer explodir a central nuclear, contaminando com isso não só a Ucrânia como a sua aliada Bielorrússia e até o seu próprio território.
Já os ucranianos são extremamente racionais e bem comportados, e nunca poriam em perigo o seu território (mas também o território dos seus inimigos, e dos aliados dos seus inimigos) sobretudo tendo em conta que contariam com a cumplicidade dos meios de comunicação para imputar o “desastre” aos inimigos.
Vejamos agora outro ponto de vista:
A Rússia ocupa neste momento o Donbass, incluindo a central. Se mantiver esse território, poderá vir a usar a central em seu próprio benefício no futuro. Tendo em conta que se trata da maior central nuclear da Europa, com capacidade para abastecer vários países em redor, é óbvio que isso é algo que os ucranianos não gostariam que acontecesse.
Tendo em conta que o Zelensky não é flor que se cheire, como já ficou demonstrado desde 2014, não me admiraria que ele preferisse uma política de “terra queimada”, do género “se não é para mim não é para ninguém” (sobretudo porque contará com a cumplicidade dos média para sair incólume em termos reputacionais de um golpe desses, como tem saído de vários outros, como por exemplo o bombardeamento da cadeia onde estavam os membros do batalhão Azov, e as mortes de civis provocadas pelos ucranianos, que nunca são notícia).
Não estou a dizer que é isto que se passa, apenas que não confio em nenhuma das partes, e os “repórteres” que estão “no terreno” (não estão, estão muito longe) limitam-se a repetir o que as chefias ucranianas lhes dizem, o que está longe de ser fiável.
Claro que eu não acredito que os russos façam isso. Só se forem malucos. Daí questionar o autor do texto, dessa mera hipótese, até pela distância da central do território russo.
Mas a hipótese de cortarem o abastecimento de luz à Ucrânia é uma realidade. Ainda que a Central nuclear esteja em território ucraniano. Bem como a hipótese de utilizarem os trabalhadores da central, a maioria são técnicos ucranianos, como uma espécie de reféns.
Tudo o resto são divagações suas sobre a guerra, as quais, algumas até corroboro.
A contrário de alguns comentadores aqui do Aventar, não troco nenhum FdP “Oriental” por um FdP “Ocidental”, e vice versa, só porque eu estou deste lado.
Para mim podiam morrer todos na mesma fogueira.
Obviamente puseram-se a jeito, mas cara e põem todos em risco em continuar a pôr a funcionar, coroa são criminosos por a pararem.
É improvável que haja um acidente, os edifícios não são frágeis e os desenhos têm contingências. Mas a existir uma explosão (não nuclear), a área depende do vento; no caso de Chernobyl, as cinzas voaram até bem longe, sim. Não é o fim da vida, mas não é bom, até porque queremos todos comida dos campos ali perto.
Não sei se são reféns ou não, há relatos de que alguns saíram, alguns dos outros queixam-se de tudo e mais alguma coisa. Se até a IAEA é enganada por Putin, ou pior, está em conluio, isto é que é um esquema!
Uma zona de protecção é muito bonito, é assegurada como quando são precisos camiões para a inevitável logística?
os engenheiros e técnicos da central têm sido tratados de uma forma totalmente irresponsável pelas tropas russas, impondo ritmos e organização de trabalho desadequados às exigências de segurança
Como sabe???
As tropas russas têm algum interesse em comprometer a segurança da central? Não têm.
As tropas russas violaram o tratado que estipula que as centrais nucleares não devem ser ocupadas durante um conflito. Logo aí começaram por comprometer a segurança. Porque é que bombardearam a central por várias vezes? Está tudo documentado e estão lá testemunhas neste momento, por isso não vale a pena vir para aqui com negacionismos. Se calhar fazem-no é porque não há grande organização nem lógica das operações que realizam, isto desde a guerra da Tchechénia.
As tropas russas violaram o tratado que estipula que as centrais nucleares não devem ser ocupadas durante um conflito.
Que tratado é esse? Nunca ouvi falar.
Como se pode deixar de ocupar uma central nuclear durante uma invasão? A central nuclear está instalada num território e esse território é, necessariamente, ocupado por um ou outro dos contendores.
[as tropas russas] bombardearam a central por várias vezes
Como assim, então as tropas russas primeiro ocupam a central e depois bombardeiam-na? Bombardeiam os seus próprios soldados? Que disparate…
Quando caem projéteis de artilharia sobre a central, não há forma (creio eu) de saber de onde esses projéteis provêem, se da zona ocupada pela Rússia se da zona ocupada pela Ucrânia. Estando a central ocupada por tropas russas, acho natural supôr que os bombardeamentos provêem do lado ucraniano.
Luís, existe maneira, sim, desde rastos de calor, nuvens de fumo, ângulo de queda (há mísseis que não explodiram), até os n+umeros de série dos projécteis.
Lembre-se que hão imensos satélites a passar por cima da zona continuamente, que até dão para ver quando os soldados russos estão a fumar.
Agora não espere é que os americanos digam de onde vieram os ataques porque… isso contrariaria a narrativa!
Mas há quem emprenhe pelos ouvidos e invente tratados e ache que os russos que tomaram conta do local há 6 meses se auto-bombardeiam… quando têm as forças ucranianas do outro lado do lago.
Isso pressupõe que também não é usada como base militar, e, bem…
Saúda-se que a IAEA, apesar de ser bombardeada, esteja a fazer o seu trabalho.
“os engenheiros e técnicos da central têm sido tratados de uma forma totalmente irresponsável pelas tropas russas, impondo ritmos e organização de trabalho desadequados às exigências de segurança”
… ou se calhar estão é a fazê-los trabalhar como deveriam, lembremos que por alguma razão a Ucrânia já tinha o PIB per capita mais baixo da Europa antes da guerra, tipo 1/3 do da Rússia.
Não são propriamente eficientes.
Continuem a insistir e a acreditar que os russos são todos maluquinhos suicidas… vai dar um resultadão!