Quem se presta a fazer todo o tipo de figura, acaba a fazer figura de parvo

Fotografia: EPA/JOEDSON ALVES

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhou o Presidente da República do Brasil, o proto-fascista Jair Bolsonaro, nas comemorações dos duzentos anos da independência do Brasil.

Aquilo que, para Marcelo, era apenas um acto de diplomacia (que Marcelo, e bem, diz manter “com democracias” e com “ditaduras”), para Bolsonaro foi, como era esperado, uma acção de propaganda eleitoral, num momento em que se aproximam as eleições presidenciais brasileiras e em que as sondagens apontam, cada vez mais, uma vitória de Lula da Silva, re-candidato a presidente, pelo Partido dos Trabalhadores.

Depois da figura a que se prestou, estando presente numa comemoração nacionalista de exaltação do sentimento divisionário que se sente no Brasil, numa época cada vez mais marcada pela ascensão e queda dos populistas de extrema-direita, Marcelo Rebelo de Sousa disse “não se sentir desconfortável”. Primeiro, porque, diz, não viu o que a bandeira do Brasil que lhe puseram à frente tinha inscrita no lugar da “Ordem e Progresso”. Segundo, porque, diz, o Presidente da República “desloca-se diplomaticamente e mantém relações diplomáticas com chefes de Estado de democracias e de ditaduras”. Terceiro…

O terceiro ponto não o diz, mas digo-o eu: Marcelo Rebelo de Sousa foi dos mais vocalmente contra a lei da Interrupção Voluntária da Gravidez em Portugal e temo que, se lhe perguntarem directamente, mantém a mesma posição religioso-poeirenta da altura; e Marcelo também sabe bem o que é manter “relações” com a extrema-direita, uma vez que cresceu numa família onde o pai, Baltasar Rebelo de Sousa (ex-sub-secretário de Estado da Educação Nacional), foi uma das figuras que secundavam o ditador português António de Oliveira Salazar, tendo sido os seus pais, também, padrinhos de casamento de Marcello Caetano, sucessor de Salazar no “trono” português.

Portanto, é natural que não se sinta “desconfortável” por aparecer ao lado do presidente wannabe fascista do Brasil. Das várias caras que Marcelo Rebelo de Sousa tem, esta talvez seja a que melhor conseguiu esconder desde que foi eleito pela primeira vez, mesmo com os sucessivos vetos ao progresso na questão da Eutanásia.

Quem se presta a fazer todo o tipo de figura, acaba a fazer figura de parvo.

Comments

  1. JgMenos says:

    Todo o cabrão progressista faz do aborto um pilar da libertação dos povos, como se o sexo sem compromisso ou precaução fosse um direito inalienável, símbolo libertador de uma qualquer opressão que só traduz irresponsabilidade ou desleixo.
    O que não raro é um mal necessário, arvoram-no em bem maior e bandeira de mérito.
    Uma justa medida do carácter dessa cambada.

    • João L Maio says:

      Ora bem! E isto diz-nos alguém que poderia ter sido um aborto.

      • José Peralta says:

        João L. Maio

        “Poderia ter sido” ?

        Mas ainda não reparou ?
        O JgMenos é mais um cabrão fascista que É um…nado-aborto…

    • POIS! says:

      Pois…”precaução”???Quer dizer…contraceção???

      Mas que grande apelo ao pecado! Não esperava isso de um sacro-salazaresco de alto coturno, pregador da virtude e da explosão demográfica das classes baixas e remediadas, como tem sido apanágio de Vosselência.

      Mas, como diz o povinho lá na minha terrinha, na melhor nódoa cai o pano. Não está a sentir uma ligeira impressão na cabeça? É isso!

    • Paulo Marques says:

      É refrescantemente honesto que admita que os erros devem ser para a vida, porque a vida deve ser um martírio. O senhor carregue as cruzes que quiser com todo o gosto, que o resto tem mais que fazer.

    • Nenhum cabrão progressista faz do aborto uma bandeira, o que um cabrão progressista faz é incentivar à luta contra os cabrões dos capitalistas que obrigam as mulheres do povo a ter que fazer o aborto para que eles possam viver à grande e à francesa.

  2. Alberto Manuel Gomes Mendes says:

    Caro João,

    Se tivesse que apostar dinheiro meu diria que podemos estar perante uma “surpresa” nos resultados finais. Bolsonaro, tal como Trump em 2016 ganhará, se calhar até na primeira volta (O meu prognostico, que vale o que vale, ou seja nada).

    Sobre o aborto: qual é a posição não religiosa / sem pó? Tem de ser a favor? Há bons argumentos não religiosos para ser pró-vida. O do código genético, que define grande parte do que vamos ser e que é definido na fecundação é um deles (e.g. cor da pele, cor dos olhos, orientação sexual, traços de personalidade, etc). O mesmo para a eutanásia: todos os pareceres pedidos pela A.R eram contra, por isso cheios de pó? Talvez devesse desempoeirar a sua cabeça o olhar para os de opinião diferente como pessoas que também pensam e não como lorpas que ainda não viram a sua luz.

    • Paulo Marques says:

      Há uma diferença; como Trump em 2020, toda a gente conhece o bicho, e a quantidade de merda deste é muito maior. Até o entope.
      Mas não, não tem que ser a favor; só precisa de uma razão forte para se meter na vida dos outros. Por muito que a queiram tornar inviolável, o com que se acaba é mais gente lamentavelmente a atirar-se para a frente do comboio.

  3. JgMenos says:

    Fosse o idiota do Bolsonaro – que disputa com o Lula o saber-se qual deles simboliza a miséria intelectual e de carácter do brasileiro mais medíocre – uma mera aproximação aos valores fundadores do que a cambada define como o fascismo de Salazar.
    Mas sempre todo o esquerdalho invectiva os valores que a sua mesquinhez e instinto de ralé não alcança sequer formular, quanto mais compreender.

    • Paulo Marques says:

      Não mata e tortura gente que chegue, o verme.

    • João L Maio says:

      Pois, tem razão!

      #BolsonaroNãoMatouoSuficiente

    • POIS! says:

      Pois também se nota em Vosselência a evolução do fenómeno Bolsonaro, antes uma vítima da “cambada”, atualmente “um idiota”.

      Identificam-se 5 fases:

      Primeiro ano do mandato: Jair Bolsonaro;

      Segundo ano: Javai Bolsonaro;

      Terceiro ano: Jaindo Bolsonaro;

      Na atualidade: Javais Bolsonaro.

      Em breve: Jafoste Bolsonaro!

      Moral da história 1: o bestial passou a besta, o estupendo a estúpido, o ideal a idiota.

      Moral da história 2: a alma do Oliveira da Cerejeira voa a uma velocidade supersónica. Cada vez há Menos fascistas a conseguir meramente aproximar-se.

  4. luis barreiro says:

    Típico da esquerdalhada defender criminosos.

    • Paulo Marques says:

      Típico de direitolo fazer acusações sem provas a quem tem opções diferentes.

  5. francis says:

    O anterior era uma mumia que se achava acima da plebe. Este parece o bobo da corte, o palhaço de serviço H24, de manhã em Faro, ao almoço em Bragança e ás 17 em Beja a botar faladura sobre uma velhinha que cortou um dedo a descascar batatas. Quando aparece no ecran da minha TV mudo imediatamente de canal. De uma vulgaridade insuportavel.

  6. Anonimo says:

    Faltou um cha cha cha do Prof Martelo.

  7. esteves aires says:

    Hoje passei para dizer, que ainda estou vivo… os meus amigos vão ter que levar comigo!!!

  8. Antonio Lourenco says:

    Ele só engana os tolos, os ignorantes e pessoas de MÁ FÉ. Já o sabia desde sempre e, de outras coisas…

  9. Daniel Passaia says:

    Sugiro se informarem mais sobre meu Brasil. Leiam a revista Oeste ou Gazeta do Povo, como sugestão.
    Abrir a boca para chamar alguém de facista no Brasil, tu vai ver que certamente não é o atual presidente Bolsonaro (um dos poucos que vem cumprindo a Constituição brasileira).

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