Quem se presta a fazer todo o tipo de figura, acaba a fazer figura de parvo

Fotografia: EPA/JOEDSON ALVES

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhou o Presidente da República do Brasil, o proto-fascista Jair Bolsonaro, nas comemorações dos duzentos anos da independência do Brasil.

Aquilo que, para Marcelo, era apenas um acto de diplomacia (que Marcelo, e bem, diz manter “com democracias” e com “ditaduras”), para Bolsonaro foi, como era esperado, uma acção de propaganda eleitoral, num momento em que se aproximam as eleições presidenciais brasileiras e em que as sondagens apontam, cada vez mais, uma vitória de Lula da Silva, re-candidato a presidente, pelo Partido dos Trabalhadores.

Depois da figura a que se prestou, estando presente numa comemoração nacionalista de exaltação do sentimento divisionário que se sente no Brasil, numa época cada vez mais marcada pela ascensão e queda dos populistas de extrema-direita, Marcelo Rebelo de Sousa disse “não se sentir desconfortável”. Primeiro, porque, diz, não viu o que a bandeira do Brasil que lhe puseram à frente tinha inscrita no lugar da “Ordem e Progresso”. Segundo, porque, diz, o Presidente da República “desloca-se diplomaticamente e mantém relações diplomáticas com chefes de Estado de democracias e de ditaduras”. Terceiro… [Read more…]

Saudosismo

A forma como a opinião pública tratou Otelo Saraiva de Carvalho aquando da sua morte e como trata, agora, o antigo ministro de Salazar, antigo presidente do CDS, Adriano Moreira, é sintomático de como o saudosismo está impregnado neste pequeno quintal chamado Portugal.

Não que o Otelo merecesse mais loas. O ex-ministro de Salazar é que não merece tantas. Portugal lava… e lava… e lava… e lava… e às tantas já nem nos lembramos que muitos foram activos colaboracionistas da ditadura do Estado Novo.

Campo de Concentração do Tarrafal. Em 1961, Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, mandou reabrir a prisão com o nome Campo de Trabalho de Chão Bom.

“Deus, Pátria, Família… Trabalho”, segundo André Ventura

Deus – aquela vez em que decidiu invadir um funeral para se deixar fotografar para os jornais. Muito católico, não haja dúvida.

Pátria – aquela vez que Ventura foi a um comício do Vox gritar “Viva a Espanha!, Viva a Espanha!”, num portunhol que, para portunhol, estava muito mal amanhado. Muito patriótico, sem dúvida.

Família – o líder do Chega, casado com uma catequista e sendo ele mesmo um ex-seminarista, não tendo sequer filhos (se descontarmos a coelha como herdeira) é, sem dúvida, o melhor porta-voz do ideal de família.

Trabalho – apologia feita pelo líder partidário que mais vezes faltou ao seu trabalho.

Era uma vez um maneta que dizia que o mal do Mundo estava em todos terem mãos.

«Manda quem pode,

obedece quem deve.»

«Estejam Quietas com a Cama!»

O trabalho jornalístico de Miguel Carvalho, adiante citado, é primoroso e merece boa leitura. Aprende-se muito. Todas as leituras complementares da figura Salazar que nos dêem os figurantes aleatórios que o rodearam, como Rosália Araújo, complementam-nos a nós, compõem a portugueseologia que nos falta, especialmente nesta hora em que recolhemos, impotentes, temerosos e com esta raiva amordaçada, os agraços dos anos ávidos da jacobinada socialista, a factura da grande devastação lesa-pátria socialista, os efeitos nocivos da democracia tomada como pretexto para a impunidade da criminalidade política mais crassa, essa inter-partidária, mas notoriamente mais de assinatura socialista, dado a recente capitulação e pré-falência nacionais terem sido obra sua. Depois de Salazar, veio Soares. Com ele, começou a medrar todo um sistema malicioso dado à permissividade selectiva: ao mesmo tempo que nos castiga e oprime no plano económico e fiscal, vai perdoando largamente a políticos gangsters qualquer crime, a reiteração de qualquer crime, qualquer prevaricação, qualquer abuso de poder, qualquer veleidade de auto-eternização no cargo. No fim, vêem-se premiados com as delícias do furto aos contribuintes e condenando milhões de cidadãos à mais vexatória penúria, ancorados a dívidas incomportáveis pelas décadas das décadas. Não poderiam tais consumadas bestas democráticas ter ao menos a virtude de não falhar na sustentabilidade do Estado Português e nos pressupostos da nossa soberania garantida, coisas em que Salazar não falhou?!: «Em São Bento, onde Salazar por vezes vegeta, há quem veja miragens de melhoras. «Não se iluda, senhor director! Ele mija na cama e borra-se todo!», dirá o motorista Furtado a Costa Brochado, jornalista e intelectual salazarista. No palacete, escasseiam as visitas ao morto adiado, abundam fraldas, transfusões e preocupações. «Era do cadeirão para cama e da cama para o cadeirão.» O tremor de terra que assusta Lisboa em 1969, abana os candeeiros em São Bento e apanha o ditador prostrado, entre lençóis, com as enfermeiras em volta. «Estejam quietas com a cama!», atirou ainda Salazar, emergindo por momentos dos confins da alma.» Miguel Carvalho

25 Poemas de Abril (III)

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu…

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho… [Read more…]