Acaba o Cartão. Continua a repressão.

No final do ano passado, assistimos ao fim do Cartão do Adepto. Esse Cartão que era até então a maior aberração alguma vez feita aos adeptos portugueses. O esperado era que acabasse o Cartão e acabasse a repressão sobre os adeptos. Como é óbvio, não poderíamos estar mais enganados. A repressão mantém-se viva, a discriminação de adeptos continua, apenas desaparece o tal retângulo e os 20 euros que custava.

Este Cartão dava acesso às ZCEAP (Zonas com Condições Especiais de Acesso e Permanência dos Adeptos). Apenas nestas zonas são permitidas bandeiras, tarjas, faixas e afins com mais de 1 metro por 1 metro, megafones, tambores, etc. E para aceder a estas zonas é necessário ser maior de 16 anos. O objetivo proclamado por quem quis imitar algo que já falhou pela Europa fora era combater a violência. Como nunca foi um pano ou um megafone que fez de alguém mais ou menos violento, o objetivo real era claro: limitar a liberdade de expressão dentro dos estádios.

O Cartão caiu e deu lugar aos bilhetes nominais. Alguém que queira aceder a esta zona do Estádio que discrimina os adeptos tem de ceder os seus dados. Em vez de ser um Cartão que serve de identificação durante mais tempo, o adepto é identificado para aquela partida, por querer apoiar de uma forma diferente do que habitual.

É urgente lutar pela liberdade na bancada. É urgente devolver à bancada a sua característica popular e não permitir que haja mais e mais medidas que limitam a natureza do jogo mais belo. Esta luta não tem cores, esta luta é de todos aqueles que querem defender a liberdade dos adeptos.

Sexta, há clássico no Dragão. Um grupo afeto ao SL Benfica já anunciou que não marcará presença devido a estas medidas. Este é só um dos exemplos que poderia dar. É triste que adeptos tenham de recusar apoiar o seu clube num clássico para manter a sua luta. A culpa é da Liga, do Estado e de todos os que se mantêm calados na luta contra um futebol que é de todos menos dos adeptos.

Comments

  1. C Almeida says:

    O cartão do adepto ?

    O que é essa coisa.?

    Assunto muito importante, sem dúvida

    Parabéns

    Cumprimentos

    Carlos Almeida

  2. Luís Lavoura says:

    É urgente lutar pela liberdade na bancada.

    A liberdade de fazer merda?

    O que observo em bastantes jogos de futebol são excessos de liberdade.

  3. POIS! says:

    Pois é!

    Acaba o cartão. Continua a repressão.

    Há binómios policia/cão, bem armados com bastão (*).

    Comanda a malta um Macacão, volta e meia há cacetão.

    Uns acabam na prisão, ou pagam um grand’a multão.

    Outros no cirurgião, alguns até no caixão.

    Se ganharmos há festão, se perdermos pancadão.

    Seja lá no vermelhão, seja no nosso Dragão.

    Hoje é dia de jogão vai ser grande a curtição.

    Mas tanta proibição dá-nos cabo da diversão.

    E sem um megafone na mão, já nem há liberdade de expressão.

    Nota: (*) Por enquanto, armado, só o polícia.

  4. POIS! says:

    Pois é…o liberalismo, estúpidos!

    Então vocês estavam a pensar em ir calmamente para um lugar sentado a ver pacificamente duas equipas cheias craques a jogar à bola?

    São tótós, ou quê?

    Se atrás de vocês estiverem três tipos de megafone a dissecar a vida privada da mãezinha do árbitro, ao mesmo tempo que vos exigem que segurem numa faixa do tamanho de 50 lençóis onde está escrito “Vai para a tua terra ó caboverdiano e volta a pendurar-te nas árvores” ficam incomodados?

    Então não sabem que a liberdade de expressão deles é um direito sagrado? Francamente!

    O que vos vale é que a malta da Juventude Liberalesca é pacífica. Ou levavam um cachação, que é para aprenderem o que é a Liberdade!

  5. Anonimo says:

    Sempre gostei de ir a um estádio e ver um jogo em pé porque o gajo à minha frente passa os 90 minutos em “cânticos” (de costas para o relvado).
    O cartão é uma aberração, Portugal muito gosta de “legislar” e fazer coisas por decreto. Pensam que só por meterem umas larachas em despacho tudo se cria como que por magia.
    Os macacos continuam a passear-se pelos estádios e imediações, mas um cartão resolve tudo.
    Repressão sobre os adeptos é estes andarem à beira de um estádio vestindo as cores erradas e levarem no focinho. Ou nem pensarem em levarem crianças a um dito clássico.

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