Na escola era recorrente ouvir-se a frase “Mete-te com os do teu tamanho!” sempre que um “valentão” era, por qualquer “razão”, violento para com quem fosse mais fraco.
Mas, diga-se, havia também quem gostasse de assistir ao espectáculo do mais forte oprimir o mais fraco.
Lembrei-me disto quando, recentemente, assisti – como todo o país – à ameaça pública de Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) dirigida à Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, durante um evento oficial – inauguração dos novos Paços do Concelho da Trofa.
A estrelar em terras laranjas, e na presença de Luís Montenegro, MRS resolveu mostrar que no sangue ainda correr qualquer coisa de PSD, e resolveu brindar com aquilo que há muito a Direita reclama: dar um aperto ao Governo.
Desta vez, não fez o papel de amuado, como quando se queixou à comunicação social de que não foi atempadamente informado da composição deste Governo. Tendo mesmo de engolir João Gomes Cravinho como MNE.
MRS soube escolher o momento e a vítima. Pois em oportunidades anteriores poderia ter dado igual recado, ou melhor feito igual ameaça a António Costa ou mesmo a Mariana Vieira da Silva. Mas sabe que uma coisa é ameaçar António Costa ou uma Vieira da Silva. Ou meter-se com um Cravinho. Outra é ameaçar Ana Abrunhosa, a milhas de distância do peso genético-partidário daqueles outros.
Mais a mais, meter-se com Mariana Vieira da Silva, é meter-se com o PS. Meter-se com António Costa, é meter-se com o PS. E que sem se mete com o PS… Já se sabe.
E o momento, excelente: terreno e assistência a condizer.
Após isto, foi interessante ver a reacção da Direita portuguesa – da liberal até à facha -, que logo salivou de contentamento, e de fome, por aquele MRS – que tardava a dar sinal – capaz de pôr estes socialistas na linha.
E os que não salivaram, remeteram-se ao silêncio.
Não importa se a execução do PRR está sob a tutela de Mariana Vieira da Silva e não de Ana Abrunhosa. Ou se sobre a execução do Portugal 2020 há muito que Marcelo Rebelo de Sousa tem feito vista grossa. Nada disto interessa, porque a fome tolhe a razão. E a fome da Direita por um MRS castigador de socialistas, teve um pequeno “snack” que soube a banquete.
MRS pode, assim, continuar o seu papel de comentador político e desportivo por mais algum tempo. Talvez até mesmo ao fim do seu mandato.






Marcelo induzido por falsas sondagens, não sabendo interpretar a realidade do país profundo, mas apenas a realidade que o rodeia na passarela dos eventos mediática, construída na base de uma certa ansiedade da direita, na ficção jornalística dos múltiplos casos e casinhos em que o PS se deixa enredar, ou no mundo das selfies, tentou enterrar o PS numas eleições antecipadas desnecessárias e perniciosas, que acabariam por dar uma maioria absoluta aos socialistas. No final deve ter ficado, ele e os seus assessores, com um grande melão.
Marcelo pode ter algumas virtudes, não nego, mas não é tão inteligente como alguns apregoam. Caso contrário não tinha caído na esparrela das sondagens. Acresce que o mediatismo onde sempre navegou já o traiu por diversas vezes. Numa coisa eu estou de acordo com Passos Coelho. Marcelo é mesmo um cata vento.
Mas se o povo gosta, “siga a marinha”.
Estamos a falar de quem ? Do filho de ministro ?
Marceço precisa de aparecer diariamente nas televisões e adora o palco. Um vaidoso.