
Foto: Lusa
Existe um detalhe que escapou a maior parte dos comentadores nacionais, sobre a forma como Marcelo Rebelo de Sousa tratou a ministra Ana Abrunhosa, na inauguração dos Paços do Concelho da Trofa. Um detalhe que, tendo passado despercebido, não terá escapado ao radar dos seus assessores.
Recuemos até à Assembleia Municipal da Trofa de 28 de Fevereiro de 2020. No final da sessão, o presidente da câmara, Sérgio Humberto, propôs-se “bater no presidente da República”. E estas foram as suas palavras:
O presidente da Republica… eu não admito alguém do meu partido, que já foi convidado três vezes, ou quatro vezes, para vir ao concelho da Trofa, para vir ao aniversário do concelho da Trofa, o 20º, para vir ao lançamento da primeira pedra, para vir à Feira Anual da Trofa, para vir a vários sítios, nunca cá veio. Ao bairro da Jamaica ele vai – nisto, da bancada do PSD, ouve-se “à festa do Avante”. E Sérgio Humberto prossegue – a festa do… ele vai a todo o sítio, ok? Ele vai a todo o sítio – nova intervenção de um elemento da bancada do PSD “Mas há de querer vir e não vem”. Sérgio Humberto concorda – Exatamente! O objectivo nosso é ele ir aos 307 municípios e não vir ao nosso. Vamos ser diferentes. Ele se tem medo do metro até à Trofa, de manifestações, que o chefe da Casa Civil estava preocupado da primeira vez que o convidamos para a Feira Anual, se havia manifestações. Pá, que não venha à Trofa. Não precisamos que ele venha. Se vier claro que temos que o respeitar porque é presidente da República. Mas não é com um convite, pá, da câmara municipal. E é do meu partido. Mas sobretudo sou trofense. E doo-me. Porque é inadmissível, porque não o convidamos para coisas insignificantes. Pá, eu até não sei como é que ele não foi à China visitar já o coronavírus. Se calhar tinha dado jeito, ele ter ido à China.
É pouco provável que esta declaração de guerra tenha passado despercebida à equipa do presidente. Até porque ela chegou ao Twitter – fui eu que a coloquei lá – e o Twitter é, no que toca às dinâmicas políticas, A Rede. E tudo o que inclua as palavras “Marcelo Rebelo de Sousa” é passado a pente fino pela equipa presidencial.
Perspicaz como o sabemos, Marcelo sabia que, para brilhar na Trofa, teria que abandonar a postura de moderador imparcial e saltar para a trincheira do PSD. E a ministra Abrunhosa, que nem sequer é militante socialista, está longe de ter o peso de uma Ana Catarina Mendes ou de uma Mariana Vieira da Silva. Era, portanto, um alvo fácil. E estava ali mesmo a jeito. Os astros alinharam-se e Marcelo descarregou a G3 em cima dela.
Claro que isto vale o que vale e não passa da minha interpretação. Mas não é novidade que Marcelo é viciado em afectos e aplausos, e sabia que, para ter na mão uma plateia feita sobretudo de personalidades do PSD, com a entourage de Sérgio Humberto que aplaudiu a declaração de guerra do autarca, teria que sair da sua zona de conforto.
E saiu.
E lá acabou “levado em ombros”, para inaugurar uma das obras mais importantes de um concelho cujo presidente garantia que nunca mais o convidaria para nada. Porque é trofense. E porque se dói. Ainda bem que Marcelo não visitou o coronavírus na China. Assim, o seu nome ficará para sempre na placa do bonito e muito esperado edifício dos Paços do Concelho, lado a lado com o do autarca que garantiu não o querer cá. Porque a política, meus caros, é a arte de comer sapos. Sérgio Humberto comeu um dos grandes, Marcelo comeu um ainda maior.






Continuamos todos a falar do filho do ministro Baltazar .
Deixem isso para o Menos
É difícil reparar quanto gasta tantas palavras em tanto lado para não dizer nada.
A cacicagem “do Norte”, no seu pior! E ainda pior é quem lhes apara o jogo.
Lembra-me uma do falecido Avelino Ferreira Torres, quando, um dia, promoveu mais um jantar de homenagem a si próprio, no qual ia anunciar qualquer coisa.
Anunciava-se também a presença de Paulo Portas mas o repasto começou, continuou e.. Portas nada!
Uma repórter da TSF abordou então o Avelino sobre a ausência, ao este respondeu, em direto: “Portas? Não sei quem é, minha senhora! E eu gosto é de mulheres! Não gosto de homens!”.
A certa altura, atrasado como era costume, entra Paulo Portas. Que ficou ali, subserviente, a ouvir a repetição do discurso que o Avelino já tinha feito, com o barrete enterrado até aos artelhos!
Gentinha em palco!
Abril, Sempre!
Pois é! Qual a admiração?
Mesmo na saudosa época salazaresca, o palco sempre foi democrático.
Os pides e os bufos ficavam na plateia.
Ao ponto que chegas, defender corruptos a troca de uma migalha.
O autarca não é a autarquia.