Amanhã, parece que começa o Mundial de Portugal. Muitos já o chamam de Mundial da vergonha, mas não é o suficiente para deixarmos de seguir com a mesma intensidade os heróis nacionais que se irão sacrificar pela nossa pátria. Os direitos humanos são inalienáveis, menos quando se trata de bola, porque o desporto irá unir toda a gente. O Qatar, neste momento, é aquele homem que bate na mulher e depois pensa que resolve tudo com umas flores. Neste caso, as flores são o futebol.
Entendo que para o Ocidente este Mundial seja uma vergonha e tal, mas agora esqueçamos isso. Quem não deve esquecer são as famílias dos trabalhadores que faleceram em condições terríveis, aqueles que não podem assumir a sua identidade no Qatar, aqueles que vêem as suas liberdades individuais aniquiladas. No entanto, o Ocidente perde cada vez mais a moral para criticar estes regimes totalitários. A cada oportunidade de ver dinheiro à frente, o Ocidente coloca as tretas dos direitos humanos de parte e verga-se perante os cifrões que lhes são colocados no papel. Perdemos constantemente os valores a troco de preços. A culpa disto já não é do regime assassino do Qatar, é de quem se aceita corromper por tão pouco.
Mas esqueçamos isso. Esqueçamos isso, porque sabemos que, em princípio, nunca será um dos nossos ou próximo a sofrer o que esses migrantes sofreram. Esqueçamos isso, porque vivemos neste canto à beira-mar plantado que até é bem sossegado. Esqueçamos isso, porque sim, trabalhadores a falecer é chato, mas agora a preocupação é se o Danilo joga a central. Esqueçamos isso, porque ter um estádio em cima de um cemitério pode não ser agradável, mas já imaginaram se o Félix marca um golo mesmo ao ângulo naquela baliza? Esqueçamos isso, porque é o último Mundial do Ronaldo… O pior é que também foi o último de 6500 trabalhadores.
Nunca nos esqueçamos.






” A culpa disto já não é do regime assassino do Qatar, é de quem se aceita corromper por tão pouco”
Exactamente
Os direitos humanos são inalienáveis, menos quando se trata de bola, porque o desporto irá unir toda a gente.
Que exagero. E o petróleo, gás, materias primas e telemóveis baratos?
Tudo oa gente ….
https://sicnoticias.pt/desporto/2022-11-22-Donos-do-Manchester-United-estao-a-estudar-venda-do-clube-8fec161a
Que paciência teve o Cristiano para aturar aquela mafia tanto tempo
Tendo em conta que continua a querer ser futebolista profissional, não parece que queira abandonar a máfia.
Também poderia passar a ser ciclista profissional num clube bem conhecido por drogar os seus próprios atletas, para obter vitorias.
Todos?
O Félix já descobriu como se corre?
Não faz mal, vai voltar ao país que nunca bombardeia hospitais, nem centrais, nem tortura, nem trabalhos forçados na prisão, nem sequer invade ilegalmente inventando uma qualquer centrifugadora… ai, não, espera, isso foi o anterior, esqueçam lá isso que agora portam-se bem.
É como dizem por aí, o escandaloso é só mesmo o que existe directamente para a competição, que o resto é o pão nosso de cada dia. E 6500 pesam tão pouquinho… basta acreditar que, morrendo fora da construção, foi obra do acaso sem qualquer relação. Afinal, o trabalho trás a liberdade, como lembrou uma vez o saudoso ex-ministro, não é verdade?
Trás, trás… à frente e a traz.
Há dados oficiais de quantos (e quantas, não sejamos sexistas) morrem anualmente a esgravatar lítio para dar força à mobilidade sustentável? Apostaria que isso é tudo malta sindicalizada, e que trabalha sob as normas das autoridades do trabalho lá do sítio.
Devem de haver, é evidente que um carro para cada um não tem nada de sustentável, mas sempre será um número bastante inferior aos que morrem à vários anos com o que temos.
Então é colocar esses números públicos, pode ser que os activistas dos direitos humanos que se indignam contra o Mundial como se isto fosse algo nunca antes visto ponham os seus telemóveis e e-trotinetes no lixo.
E acha que não sabem? Como o gás Russo, os paineis solares Chineses, o petróleo Saudita ou Venezuelano, os chips da sudeste asiático ou a soja brasileira, não há alternativa sem o colapso, porque os unicórnios continuam a não conseguir violar a física. Há é escolhas a fazer, com mais ou menos hipocrisia, e mais ou menos realismo.
É que a conta dos danos aumenta todos os anos, e vai continuar por muitos mesmo com as melhores intenções.
Quem não deve esquecer são as famílias dos trabalhadores que faleceram
Também não esquecem as famílias que durante meses foram sustentadas por trabalhadores no Catar.
Se esses trabalhadores lá estiveram, foi porque lá se ganha bom dinheiro que lhes permite sustentar as famílias.
aqueles que não podem assumir a sua identidade no Qatar, aqueles que vêem as suas liberdades individuais aniquiladas
Ainda ontem a Polícia Judiciária desmantelou uma rede que fazia o mesmo a trabalhadores em Portugal.
Essas coisas não se passam somente no Catar. Também se passam em Portugal.
Poderá parecer-lhe um pormenor insignificante, mas por cá a Judiciária trata de os deter (assim tenha meios), enquanto por lá há a total conivência (e até incentivo) do governo e das autoridades.
É claro que passa, basta procurar escravatura moderna e o nome de qualquer país que se encontram boas oportunidades de sustentar a família. É um bocadinho incompatível com aquela coisa do sistema de regras e dos direitos humanos, mas há animais mais iguais do que outros.
Pois é, Mister Figueiredo!
Mas se os “players” dos “mercados” se tivessem recusado a entrar no negócio e a lucrar milhões, se a “mãozinha invisível” que “autorregula os mercados” tivesse feito uma pausazinha na acumulação à tripa forra, talvez não fosse possível aos nababos das rodilhas gastarem um PIB e tal anual neste festival.
Os “mercados” já reagiram??? Não consta!.
Tá quieto! Grandes negócios estão em perspetiva. Os “futuros” do gás, então, é uma maravilha!
Saia mais uma baixa de impostos para os nababos ocidentais, aliados dos nababos do oriente.
Vivam os liberalescos. Viva o Impetuosa Liberalesca!
PS. Permita uma singela homenagem ao liberalesco Pinto: viva o liberalismo vietnamita!
Se até o gás do mais maior grande perigo do mundo se liberaliza lavando-o por outros locais à vista de todos, tudo é possível, camarada.
Eu referia-me especialmente aos negócios de gás “de papel”, que tanto excita os liberalescos. “Futuros”, “short sellings” e tal…
Eu sei, mas acho que devo bater sempre na tecla que nada é simples, e tudo é uma escolha política.