Tiananmen-Ocidente-Kiev

O “incidente” de Tiananmen, eufemismo que o regime chinês usa a propósito deste horrendo episódio, fez ontem 33 anos. Foi um massacre, sobretudo de estudantes, que lutavam pela liberdade e por uma China democrática. Não sabemos quantas pessoas morreram, mas estima-se que possam ter sido alguns milhares.

E o Ocidente, sempre disponível para acudir às aspirações democráticas alheias, o que fez?

Fez o que sabe melhor: assobiou para o lado durante anos, para depois abrir as portas da OMC ao regime, garantindo lucros extraordinários a um punhado de aristocratas do capitalismo, cujo custo foi a destruição da capacidade produtiva de muitos Estados ocidentais, como é o caso do português.

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Como chegamos até aqui

A Abecásia e a Ossétia do Sul foram ocupadas pela Federação Russa em 2008. A península da Crimeia em 2014. Desde então, nunca foi segredo para ninguém que os separatistas do Donbass eram apoiados financeira e militarmente pelo Kremlin, que garantiu a subsistência dessa agressão à soberania ucraniana, no plano militar e financeiro, ao longo de oito anos.

Paralelamente, a oligarquia russa continuava a expansão dos tentáculos de Moscovo pelo continente europeu, de Bruxelas às sedes das principais organizações internacionais, sob tutela directa de Vladimir Putin, movimentando milhões de rublos e negociando diariamente nas principais praças financeiras do Ocidente, de Frankfurt a Wall Street, com escala em Amsterdão, Zurique e na City de Londres, ou Londongrado, alcunha que nos diz tudo o que precisamos de saber sobre a colonização levada a cabo pelo Kremlin.

Quando não estavam a transformar o produto do saque ao povo russo em dividendos e propriedades de impensável luxo, a corte de oligarcas russos ocupava os tempos livres em actividades como a compra e gestão de alguns dos principais clubes de futebol da Europa, fazia férias em Puerto Banús, no Mónaco e na Costa Esmeralda, licitava obras de arte na Christie’s, comprava diamantes em Antuérpia e fazia shopping em Paris e Milão, o que ajuda a explicar o lobby que grandes estadistas como Mario Draghi tentaram inicialmente fazer, para que as insígnias italianas e francesas de luxo, bem como a indústria belga de pedras preciosas, fossem poupadas à lista de sanções. Acabar com a guerra sim senhor, mas deixem o lifestyle dos senhores oligarcas em paz.

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Esquerda Direita Volver 14 – Ucrânia: perspectivas de conflito e de paz

Este é o regresso da rubica “Esquerda Direita Volver” do PodAventar, com o assunto dominante: a invasão da Ucrânia pela Rússia, numa dupla perspectiva de conflito e de paz. Um debate desta feita sem moderação, com os aventadores António de Almeida, Fernando Moreira de Sá e José Mário Teixeira. Que conflito é este e como se pode sair dele?

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Esquerda Direita Volver 14 - Ucrânia: perspectivas de conflito e de paz







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Let’s look at the trailer….

Podem ir buscar as pipocas.

Conversas Vadias 48

Na quadragésima oitava edição das Conversas Vadias, marcaram presença António de Almeida, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, João Mendes, Orlando Sousa e (imagine-se!) Carlos Garcez Osório.

E os temas vadiados, foram: Miss Universo, guerra e paz, Ucrânia, oligarcas russos, Putin, capitais, Médio Oriente, hackers, opinião pública, geografias, culto de personalidade, China, Israel, Taiwan, Europa, EUA, Ocidente, mercados, Sporting e petardos.

No fim, e como sempre, as sugestões: [Read more…]

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Conversas Vadias 48







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Peng Shuai, o Partido Comunista Chinês e o Capitalismo entram num bar…

Ao longo dos últimos dias, um pouco por todo o mundo, personalidades de diferentes quadrantes exprimiram a sua revolta. Escreveram-se editoriais, artigos de opinião e milhões de publicações nas várias redes sociais, emocionadas e repletas de indignação. Alguns responsáveis políticos, lideres de organizações internacionais e de instituições de renome juntaram a sua voz ao protesto. E todos, sem excepção, fizeram a mesma pergunta:

  • Onde está Peng Shuai?

Ao que tudo indica, Peng Shuai está onde sempre esteve: na China. E aquilo que lhe aconteceu, após denunciar o “alegado” abuso sexual de que foi vítima, por parte do antigo vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli, sendo imediatamente censurada e desaparecendo da vida pública chinesa, é aquilo que se espera de um regime totalitário como o chinês, que monitoriza a sua população como o partido do Grande Irmão monitorizava a Oceania imaginada por Orwell. Chegarmos a esta fase e isto ainda surpreender alguém só torna toda esta situação mais preocupante. Andarão alheados da realidade? Estavam à espera de quê? De um movimento #metoo nas ruas de Pequim?

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É mesmo para acabar.

“Com a retirada de Obama e a entrada em cena do Luís XIV da Quinta Avenida, o mundo entra noutra fase. Podemos chamar-lhe incerteza mas incerteza é o que menos existe” – Clara Ferreira Alves, Expresso, 21 de Janeiro de 2017.

Quando acabei de ler o artigo desta semana de Clara Ferreira Alves na revista do Expresso fiquei a pensar que nunca como nos últimos tempos concordei tanto com aquilo que ela escreve. Sempre gostei de ler os seus artigos e ainda mais quando discordo das suas opiniões. Mas este seu texto, com o título “É para Acabar”, é do melhor que tenho lido nos últimos anos. Está ali tudo, devidamente retratado e colocado no seu real contexto:

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A maior prova, se tal seria necessário, foram os resultados das eleições nos Estados Unidos. A imprensa a fazer campanha contra Trump e o resultado foi ao contrário. O mesmo se diga no que toca ao Brexit. Retomando o texto de Clara Ferreira Alves:

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Estou plenamente convencido que assim será. Um a um, eleição a eleição os “Trump” mais ou menos letrados por esse mundo fora, a começar pelas próximas eleições em França, vão vencer com o voto popular. Porque o povo está farto. Completamente farto e prefere o “quanto pior, melhor”. As elites merecem que assim seja, para desgraça de todos. Voltando ao artigo de Clara Ferreira Alves:

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Subscrevo tudo isto que a Clara Ferreira Alves escreveu. Para mal dos nossos pecados, estou convencido que assim será. É mesmo para acabar…

Pangu, o mito chinês da Criação

Bruno Santos

No Princípio havia só trevas e o Caos reinava. Mas no seio da escuridão formava-se um Ovo e dentro desse Ovo crescia Pangu.
Durante muito tempo Pangu apenas dormiu e cresceu. Mas quando se tornou num gigante, acordou e espreguiçou-se e, ao fazê-lo, partiu o Ovo.
As partes leves e puras do Ovo subiram então para formar o Céu.
As partes densas, impuras e pesadas desceram para formar a Terra.
Pangu viu o que acontecia em consequência do seu gesto e ficou feliz, mas de imediato temeu que Céu e Terra se voltassem a misturar, posto o que se colocou entre eles. Com a cabeça susteve o Céu e com os pés empurrou firmemente a Terra. Ficou assim entre eles, impedindo que a sua atracção os confundisse de novo.
Depois, já um gigante, continuou a crescer a uma cadência de 3 metros por dia, durante 18 mil anos, aumentando assim, constantemente, a distância que separava o Céu da Terra até que estes lhe parecessem fixos e seguros nos seus lugares, a 50 mil quilómetros de distância um do outro.
Exausto do seu esforço, Pangu caiu e adormeceu para nunca mais acordar.
Do seu corpo saíram então os elementos que viriam a compor o mundo. A sua respiração formou o Vento e as Nuvens. A sua voz fez o Trovão e o Relâmpago. Os seus olhos tornaram-se Sol e Lua, masculino e feminino, direita e esquerda. Os seus membros formaram os quatro pontos cardeais e o seu tronco as Montanhas. A Carne criou o solo e os pêlos as árvores e ervas que nele crescem. Do seu sangue formaram-se os Rios e das veias os Caminhos e as Estradas. A cabeça e o cabelo criaram o Céu e a transpiração transformou-se em Orvalho. Os dentes e os ossos formaram as pedras e os metais.

Assim Pangu criou o Universo.