Continente: Missão comer as migalhas do Povo

Ontem foi noite de jogo no Dragão. Junto ao estádio existem barraquinhas que vendem bifanas, cachorros, cerveja, refrigerantes. Gente do povo. Humildes. Muitos deles com as marcas, nas mãos e na face, de uma vida dura. Vão ali para ganhar uns cobres, completar a reforma, alimentar os miúdos. Não ganham fortunas nestas quatro, cinco horas de biscate mas é qualquer coisa. Desta vez, ao lado, várias “roulotes” dessa coisa da moda chamada “street food”. A apresentação é melhor mas o objectivo é o mesmo. Uns cobres. É o povo, a nossa gente, a fazer pela vida neste país pobre. Ao lado, mais carote mas com todas as condições, o Alameda com a sua “praça de alimentação”. Até aqui, tudo normal. Tudo? Não.


No shopping Alameda (Dragão) existe um Continente. Da SONAE. Uma das maiores empresas nacionais. E na entrada do seu supermercado o que podem ver na foto: uma promoção especial por ser dia de bola. Esta malta que ganha rios de dinheiro, que matou as mercearias, que matou as perfumarias, as papelarias, os talhos, as frutarias, que matou muito comércio tradicional onde vários ganhavam uns cobres para agora só eles ganharem milhões, não satisfeita e nesse infinito de ganância que caracteriza o capitalismo selvagem dos dias que correm, toca a concorrer com aquelas almas que na rua, ao frio tentam uns cobres para salvar o mês. Uma “sandes” de pedaços de bocados de restos Continente a €1,99 e as latas já nem olhei. Que vergonha. Enfim, uns filhos da grande meretriz….

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    matou as perfumarias, as papelarias, os talhos, as frutarias

    Eu vivo em Lisboa, que é uma nação diferente do Porto, e o que vejo nesta nação é que, frutarias são a dar com um pau, é quase porta-sim porta-não, todas elas com muita fruta e com nepaleses ou chineses ou bengalis a vender. Talhos, esses também não faltam. Perfumarias e papelarias sim, de facto já praticamente não as há. Agora, talhos e frutarias, esses são ainda abundantes.

  2. estevesayres says:

    Nem mais: «Esta malta que ganha rios de dinheiro, que matou as mercearias, que matou as perfumarias, as papelarias, os talhos, as frutarias, que matou muito comércio tradicional onde vários ganhavam uns cobres para agora só eles ganharem milhões, não satisfeita e nesse infinito de ganância que caracteriza o capitalismo selvagem dos dias que correm, toca a concorrer com aquelas almas que na rua, ao frio tentam uns cobres para salvar o mês. Uma “sandes” de pedaços de bocados de restos Continente a €1,99 e as latas já nem olhei. Que vergonha. Enfim, uns filhos da grande meretriz….»

  3. Anonimo says:

    De centros comerciais percebo pouco.
    Mas isso da morte do comércio tradicional ser causado pelas grandes superfícies tem fundo de verdade, mas também ajuda quem nestas faz compras ao invés de se manter no anterior. Se calhar, ao invés de campanhas publicitárias (pagas por Câmaras e Lojistas) se perguntassem às pessoas o porquê de preferirem o CC ao comércio “tradicional”, obtinham melhores resultados.

    • Paulo Marques says:

      Porque “competem” em condições desiguais de corte nos custos por força do seu peso no mercado, às quais nem as multas beliscam o lucro da prevaricação à benevolente regulação.

      • Anonimo says:

        É essa a razão pela qual as pessoas se deslocam ao CC ao invés da loja da rua? Pronto, explicado.

        • Manuel Maria Bocage says:

          “De centros comerciais percebo pouco.”

          “É essa a razão pela qual as pessoas se deslocam ao CC ao invés da loja da rua? Pronto, explicado.”

          Completamente explicado

        • Paulo Marques says:

          Não, também há a questão do tamanho, que também lhes permite outros horários, mas considero o mesmo problema de impeditivos à competição.

  4. Carlos Almeida says:

    Os saguins descendentes do macaco, ainda são mais miseráveis do que o pai

  5. JgMenos says:

    E as galinheiras, carago?
    Já ninguém se lembra delas…
    Que mundo cruel!
    O capitalismo romântico a desaparecer

    • POIS! says:

      Pois…

      Atão nã nos’alembramos, carago?

      Na gloriosa era salazaresca, até havia uma Galinheira-Mor do Reino no palácio de S. Bento! Era a célebre Maria de Jesus!

      Até dizia o povinho, lá na minha terrinha, referindo-se ao regime salazaresco: “Para o povo provação, p’ró d’Oliveira um canjão!”.

      Dizia o povinho. Lá na minha terrinha.

    • Paulo Marques says:

      Lembramo-nos, lembramo-nos, havia sempre hipótese de ter algo que comer quando o patrão não queria.

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