O duplo-padrão (e a hipocrisia) de Paulo Rangel

Devo começar por dizer que partilho da preocupação do eurodeputado Paulo Rangel. Preocupa-me que o PS e que o grupo S&D não se tenham já distanciado do SMER e de Robert Fico.

Aliás, já o deviam ter feito há muito, porque Fico não acordou populista e pró-russo esta semana.

Mas julgo que o critério que leva a imprensa nacional a omitir este facto será o mesmo que a levou, durante 11 anos, a omitir que o Fidesz de Viktor Orbán fazia parte do PPE, o grupo do PSD no Parlamento Europeu.

Orbán que teve (tem?) como consultor Mário David, outrora Secretário de Estado do PSD e colega de Paulo Rangel em Estrasburgo, algo que os mesmos media sempre foram exímios a abafar.

E quem diz o Fidesz diz o búlgaro GERB, de Boyko Borisov, conhecido pelas suas ligações ao crime organizado e pelas ameaças frequentes a jornalistas. Ou o Forza Italia, do falecido Silvio Berlusconi, um dos grandes amigos e embaixadores informais de Putin na UE. Ambos fizeram e fazem parte do PPE, sem que isso levante grandes ondas.

Porque se omitiram e omitem a ligação destes partidos ao PSD e ao PPE?

Partidos que, estando no PPE, estão mais próximos do extremismo de direita defendido por Putin do que dos valores fundadores da União?

Partidos com características xenófobas e racistas, que perseguem homossexuais, “caçam” refugiados, fazem lobby por Moscovo e defendem que o lugar da mulher é na cozinha?

Paulo Rangel não é um ignorante desinformado. Mas o nível de hipocrisia que este tweet encerra, parece revelar que o problema não é a tolerância do PS ou dos S&D com o SMER e Robert Fico.

É, apenas e só, uma oportunidade de fazer política interna para tentar enfraquecer o PS.

Ou não fosse Rangel um dos 6 (!!!) vice-presidentes da periclitante direcção de Luís Montenegro.

Azar o dele, o seu partido não tem arcaboiço moral para fazer este tipo de julgamentos. Tolera autocratas há tempo demais.

Comments

  1. Figueiredo says:

    O dr. Paulo Rangel – um histérico que envergonha e prejudica Portugal – devia estar calado, um indivíduo que apoia o terrorismo, genocídio, e a ingerência nos assuntos internos de outros Países, é um criminoso.

    Veja-se o caso em que se deslocou à República Bolivariana da Venezuela (RBV) para dar apoio aos grupos terroristas conhecidos como «Guarimbas», responsáveis por perseguições, violência, e assassinatos, contra a população civil Venezuelana.

    O apoio aos grupos terroristas criados, treinados, e financiados, pelo regime da Inglaterra, OTAN, e a união europeia (UE), que invadiram a República Árabe da Síria (RAS) para derrubar o Presidente eleito, Bashar Al-Assad, matar os Sírios, saquear o País e apoderarem-se das suas riquezas naturais.

    Ou ainda o seu apoio eufórico ao golpe de Estado realizado pelo regime da Inglaterra, OTAN, e a união europeia (UE) na Ucrânia em 2014 conhecido como «Euromaidan» que levou ao poder partidos/movimentos políticos extremistas, de carácter liberal, narco-traficante, nazis, satânicos, homossexualistas, e pedófilos.

    A Eslováquia e os Eslovacos escolheram o seu Governo, votaram no Programa Político com o qual se identificam e defende o Interesse Nacional do seu País, mas para o dr. Paulo Rangel isso é inaceitável.

  2. Nortenho says:

    Yankee friend stricks again

    Tem vergonha de ti mesmo

    • Nortenho says:

      Devo começar por dizer que partilho da preocupação do eurodeputado Paulo Rangel. Preocupa-me que o PS e que o grupo S&D não se tenham já distanciado do SMER e de Robert Fico.

      Abaixo um artigo de MICHAEL HARTMANN-BRATH
      sobre o assunto. O Costa e os outros liberais pseudo socialistas deviam ter vergonha

      Fico é um social-democrata, não do tipo de Sanchez ou Scholz que são os coveiros do socialismo, mas um autêntico que cumpre o que promete.
      Fico terá de formar uma coligação estável oferecida pelos partidos de esquerda que juntos teriam maioria absoluta no Parlamento.
      O seu triunfo explica-se pelas catastróficas políticas neoliberais impostas por Bruxelas que o actual governo de direita pró-ianque aplicou à risca, somando-se às ridículas sanções contra a Rússia e à ajuda milionária a Kiev em armas e dinheiro, ao mesmo tempo que aumenta a pobreza, o precariado e o sacrifício da classe média engolida pela crise energética e pelos elevados preços dos alimentos e pela repugnante especulação com importações de cereais ucranianos que deveriam ter ido para África em vez de para a Europa.
      Esta vitória irá afectar grandemente o curso da guerra da NATO (e de mais de 35 nações) contra a Rússia em solo ucraniano porque, embora a Eslováquia tenha apenas 5,5 milhões de habitantes, sendo um país pequeno, está no meio da Europa, na fronteira com a Ucrânia Ocidental, que oferece uma posição geopolítica estratégica muito importante e porque certamente se juntará à Hungria e às declarações do presidente da Croácia entre outras que surgirão dentro de pouco tempo
      Existe um grande potencial antifascista, antinazi e também anti-sionista no povo europeu que é sistemática e metodicamente silenciado pelos meios de comunicação social, tudo nas mãos das oligarquias que representam os interesses mesquinhos e anti-sociais dos multimilionários, dos banqueiros e consórcios e que já não são mais do que um partido político que representa a ideologia do fascismo.
      Neste contexto surge o guião e o programa de toda a extrema-direita europeia nascida dos séculos de colonialismo monárquico colonial que desencadeou a Primeira Guerra Mundial para a distribuição de pilhagens e saques a 4 continentes e do nazismo que causou a Segunda Guerra Mundial e é o razão para a criação do seu moderno braço armado NATO para tentar manter a hegemonia europeia americana e anglo-saxónica e expandi-la ainda para além do que o mundo viveu em 5 séculos e é esse paradigma, que está a ser DERROTADO pelo poder da Rússia e da China outrora vítimas dos mesmos actores das duas guerras mundiais.
      A estratégia ocidental de usar o fascismo-nazismo para os seus propósitos hegemónicos unipolares baseia-se na NEGAÇÃO dos crimes do nazismo, reescrevendo a história para encobrir os crimes contra a humanidade que juntos excedem a soma de todos os horrores da história humana, apresentando-nos as suas personagens como combatentes. pela democracia, como vimos no escândalo de Trudeau no Canadá aplaudindo um criminoso de guerra e um criminoso contra a humanidade no Congresso, isto apenas se soma às centenas de atos semelhantes na Ucrânia, na Europa e nos EUA, como ter glorificado o NAZISMO na mesma ONU

  3. Paulo Marques says:

    Essa coisa do Putinismo em cada esquina só mesmo nesta província, nem no leste, nem na própria Ucrânia acreditam na inquestionabilidade das contradições que saem da propaganda da NATO.
    Cada um põe os cornos que quer, já sabemos que isto só o que nos mandarem.

  4. balio says:

    Preocupa-me que o PS e que o grupo S&D não se tenham já distanciado do SMER e de Robert Fico, […] porque Fico não acordou populista e pró-russo esta semana.

    O grupo S&D deve distanciar-de de qualquer partido alegadamente pró-russo? Porquê? Será que os partidos não têm o direito de defender os interesses dos seus países, em particular o interesse de ser pró-russo? Será que os partidos dos diferentes países não têm o direito de dizer que o interesse do seu país é não hostilizar a, ou de facto, até, ser amigo da Rússia? Desde quando é que ser anti-Rússia é condição sine qua non para se fazer parte do grupo S&D?

  5. Os chefes da diplomacia dos 27 do bloco europeu, estiveram hoje reunidos em Kiev. João Gomes Cravinho, que eu pessoalmente considero não passar de um moço de recados de Washington, veio mais uma vez repetir a cassete gasta sobre a “necessidade de apoiar a Ucrânia e durante todo o processo que for necessário para retirar as forças russas do território da Ucrânia para que haja paz.”

    Esta gente ainda não entendeu que já perdeu a guerra e que a única coisa que falta agora descobrir, é quais serão os termos de rendição que a Rússia vai impor à NATO na Europa. Sim, porque do ponto de vista geopolítico e geoestratégico, quem a Rússia está a combater e a derrotar na Ucrânia são as forças combinadas da NATO e do Império Ianque. À Ucrânia propriamente dita, resta-lhe agora apenas aceitar uma rendição total e incondicional a Moscovo, ou em contrapartida, cessar a sua existência por completo, em conjunto com a NATO, que vai sair completamente humilhada e descredibilizada deste conflito.

    O objectivo maior da Operação Militar Especial da Rússia na Ucrânia é a destruição da NATO. Este objectivo está gradualmente a ser atingido em várias frentes, não apenas pela via militar, mas também pela económica, em conjunto com os parceiros da Rússia nos BRICS e na Organização para Cooperação de Xangai.

    • balio says:

      João Gomes Cravinho, que eu pessoalmente considero não passar de um moço de recados de Washington

      A política de Negócios Estrangeiros portuguesas nunca tem sido mais do que isso, desde pelo menos o tempo da cimeira das Lajes. Os ministros vão e vêem, mas a política mantem-se constante, de submissão total aos imperativos de Washington.

    • Figueiredo says:

      «…O objectivo maior da Operação Militar Especial da Rússia na Ucrânia é a destruição da NATO…»

      Deus o ouça, já ontem era tarde, a ver se Portugal se liberta do criminoso, corrupto, e anti-democrático regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974.

      • Nprtenho says:

        “regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974.”

        Sim porque em 24 de Abril de 1974, o governo de Marcelo Caetano não se enquadrava na NATO ?

        Eu enquanto estive no Exercito, devo ter trabalhado para o Pacto de Varsóvia sem saber

      • este está uma beca baralhado, ahnn? ou quer baralhar quem?

        • Nortenho says:

          Escreve Figueiredo
          ““regime liberal/maçónico imposto pelo golpe de Estado da OTAN em 25 de Abril de 1974.”” ?????

        • Tuga says:

          Baralhar ignorantes obviamente

  6. Paulo Marques says:

    Por falar em hipocrisias, de há algum tempo, mas sempre actual:

    Comparing Freedom House’s list of Not Free nations* to FY 2020 US overseas weapons sales, military training and financial assistance**, we find that of the 57 nations considered undemocratic, 42 receive weapons, training and/or money for their military and security services. This means 74% of the non-democratic nations of the world are supported militarily by the US. Interestingly, the remaining 15 nations are nearly all sanctioned. The world’s countries can be divided into two parts: those who buy/receive weapons from the US and those sanctioned. It seems like it’s a pretty simple arrangement.

    https://www.counterpunch.org/2021/11/22/nearly-3-4-of-the-worlds-dictators-receive-us-weapons-and-military-assistance/

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