Bravo, Sílvio, se não existisses, tinhas de ser inventado

Lembro de, quando pequeno, ser brindado com um “se não existisses, tinhas de ser inventado, rapaz”. Ocorria quando fazia uma daquelas graçolas que só as crianças são capazes quando a inocência não é uma palavra vã. Estou certo que também ouviram isto.

Não sei se esta frase de mimo, de carinho, também existe em Itália ou se, por lá, há uma qualquer variação.

Se houver, tenho quase a certeza que Sílvio Berlusconi passa a vida a ouvi-la. Mesmo sendo já um marmanjo.

Sílvio Berlusconi é um homem de coragem. Não pactua com suspeitas de corrupção, algo de que a Itália está farta, como se sabe, e vai daí faz uma limpeza. Profunda, daquelas que era bom tom realizar por alturas da Páscoa.

Sílvio Berlusconi

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Kunamis convenientes, kunamis inconvenientes

Usando e abusando da sugestão dos Gato Fedorento, tenho para mim, a convicção da existência de bem guardada fita métrica, destinada ao criterioso manuseamento por nada circunspectos avalistas de moral alheia. Quem não se lembra do banzé ao “estilo cancioneiro”, quando do caso da atarracada, grasnenta e claramente abacorada menina Lewinsky, nos seus húmidos encontros de “estagiária” – as putices têm sempre vários significados – de 1º grau com o péssimo gosto do Sr. presidente Clinton? Ouvimos de tudo, desde o estupor pela “intromissão na vida privada” do santarrão da Casa Branca, até aos obtusos repúdios quanto ao “aproveitamento dos media”, sempre prontos a alimentar a “coisificação” das mulheres. Coisificação, não era assim que eles diziam? Era. Mas a tal Ruby qualquer-coisa, é de facto muito superior ao tracanaz Mónica. De longe! Ainda por cima, tem-se mostrado mais digna que a tal “estagiária” washingtoniense, pois não se aproveitou da situação e nem sequer pensou em trazer a mãezinha à tv, para mostrar vestidos enodoados pelos entusiasmos fisiológicos do grande líder. Para cúmulo, até se atreveu a defender o galante ancião de serviço.
Dada a figura abarrilada da Lewinsky, claramente parecida com uma das personagens presentes em Las Niñas de Velázquez, como terá Clinton conseguido a proeza?

Quanto ao macarronesco Berlusconi, a coisa está feia. É vê-los, os alouçanados de Itália, enchendo avenidas aos gritos pela “moral e bons costumes”. As entrevistas são de ir às lágrimas e devem fazer as delícias de qualquer mulá de Abadan e dos seus correspondentes pró-Sr. Lefébvre. “Moral, dignidade, justiça, decência”, são as palavras mais comuns que se bradam via megafones, aliás bem enquadrados por cartazes com Vergogna!, Justiza!, etc, etc. Paradoxalmente, por aqui, os prosélitos das boas causas embarcaram de imediato no chinfrim e ei-los a cascar no velho “balsemista” local, consumidor de tintas capilares e de botoxes vários.

Sabemos como é. Tudo bem, desde que não se fale na “Casa Pi(l)a” e outros assuntos do estilo.

Massimo Tartaglia e a sociedade de consumo imediato

Talvez Massimo Tartaglia esperasse estes momentos de fama e de sucesso. Talvez não. Terá sido apenas o ódio, o desprezo, ou outro qualquer sentimento negativo que o moveu contra Berlusconi, não a busca de uma fama efémera, nem a entrada para a galeria dos malfeitores de famosos.

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No entanto, numa sociedade onde as notícia correm cada vez mais depressa e onde não se pára um segundo para pensar e analisar os acontecimentos, Massimo acabou por, em poucos minutos, se transformar numa estrela do Facebook. Em poucas horas surgiram dezenas de grupos de apoio ou de crítica e contestação.

Houve de tudo. Grupos de apoio apenas com o nome do agressor de Berlusconi, outros mais elaborados: “Liberdade para Massimo Tartaglia”, “Apoio a Massimo Tartaglia”, “Salvemos Massimo Tartaglia”, “Contra Massimo Tartaglia”, “Morte a Massimo Tartaglia”. Numa das páginas, alegadamente de Massimo Tartaglia, estão inscritos mais de 35 mil fãs.

O homem tem 42 anos e, dizem os media italianos, um historial de doença psiquiátrica. Massimo ficou detido após a agressão e foi acusado de “ofensas graves e premeditadas”.

Há uns 20 anos, os Táxi cantavam as desventuras da relação de uma chiclete com uma música, ambas reflexo de uma “sociedade de consumo imediato”. Se era assim há 20 anos, como será agora?

Essa coisa chamada protocolo

 

 

Esta imagem pode ou não dizer muito. Conforme a vossa disposição para a interpretar. Eis a minha, em síntese: O Canadiano parece mostrar-se distraído, olha de forma inocente e descontraída. Parece mesmo mais preocupado com a gravata e com os botões do casaco. E provavelmente está. A jovem senhora do protocolo quer recolher o papel com a indicação da localização do representante do Canadá e ele mantém-no preso debaixo do pé.

 

Perante isto, o estado-unidense mantém o olhar  no horizonte. Aquilo que se passa ali não parece ser nada com ele. Olhar firme, embora algo desconfiado, como a testa e o sobrolho parecem destacar. Posse de Estado, sem mais.

 

Já os dois europeus, francês e italiano, estão entretidos. O momento parece diverti-los, embora ao francês se deva atribuir um maior grau de boa disposição e ao italiano uma acentuada cobiça.

Nenhum deles mexeu uma palha para ajudar.