Kevin McCarthy, os Republicanos e o extremismo de direita

Imagem retirada de: MSNBC

Kevin McCarthy é membro do Partido Republicano. É-o, aliás, há muitos anos e uma figura reconhecida na política norte-americana.

McCarthy era o líder da Câmara dos Representantes. Quando foi eleito, afirmou que não iria entrar no jogo das teorias das conspiração que a ala de extrema-direita dos republicanos tentava – e tenta – jogar para conseguir reinar. Afirmou que ia cumprir com responsabilidade o papel que o cargo que ocupou exigia, aceitando o governo do Partido Democrata. Tais posições fizeram dele, na altura, a “nova ovelha-negra da família” republicana.

Insultado por essas redes sociais afora, ridicularizado, alvo, também ele, de teorias da conspiração nascidas no seio do seu próprio partido, Mccarthy não teve trabalho fácil. O que culmina, agora, com a sua destituição como líder da Câmara dos Representantes. Ora, quem é que detém a maioria dos deputados nesta mesma câmara? O seu partido. E é o seu partido que, através da purga, consegue destituir o líder da Câmara.

Se dúvidas ainda houver, espero que fiquem esclarecidas: o alvo e os inimigos da extrema-direita, seja esta a dos Estados Unidos, a da Península Ibérica, a dos anos 40 do século passado, a dos húngaros e polacos ou a dos sul-americanos, não são apenas os “esquerdistas, os socialistas e comunistas, os progressistas e os social-democratas”, mas sim todo e qualquer democrata, da esquerda à direita, que ouse não se alinhar com a narrativa extremista e aparentemente hegemónica da nova – que é velha – direita radical a nível mundial.

E por que é que isto acontece? Porque os primeiros adversários da extrema-direita são os democratas que, à direita, recusam o chavão do “se não os consegues vencer, junta-te a eles”. Por isso, a extrema-direita tem como primeiro plano corroer a direita a partir de dentro, quer através da invenção de cavalos de Tróia que ostracizem a tal direita democrática, quer pelo medo, “obrigando” essa direita a coligar-se com eles para conseguir manter o poder (comendo-a por completo, mal surge a oportunidade).

O fenómeno de Trump não começou nem acaba nos Estados Unidos. Começou nos anos 20 do século XX, quando os italianos “inventaram” o fascismo. O resto é História. Aprende com ela quem quiser.

Comments

  1. JgMenos says:

    A cambada adora colar à direita toda a cretinice, salvo se os cretinos se declararem de esquerda!
    Ser conservador é simplesmente recusar a ‘inovação, porque sim’.
    A inovação está transformada em meio de promoção de ignorantes:
    – Sabes nada de economia, inova na política de salários: aumentas e depois logo se verá o resultado!
    – Sabes nada de biologia e sociologia, inova na identidade de género: será o que te der na mona!
    – Sabes nada de nada, manifesta-te!
    …aos conservadores comunas, que sempre requerem uma pata no cachaço, até o Putin já lhes serve!

    • Não és conservador. Percebo o engano, porque é coisa que mal existe no país, mas não, como muitos, és só reaccionário agarrado a um passado que nunca existiu da forma que o vendia.

  2. balio says:

    Não foi o partido Republicano quem destituiu McCarthy de presidente da Câmara dos Representantes. Foi o partido Democrata quem o fez, com o apoio de oito (8) deputados do partido Republicano. Se o partido Democrata em peso não se tivesse aliado a essas 8 ovelhas negras do partido Republicano, McCarthy não teria caído.

    • João L. Maio says:

      O Partido Democrata quer o poder. Joga o poder. Como se vê pelo mundo todo, ninguém ao centro quer fazer pactos. Que o Partido Democrata queira destituir o líder republicano da Câmara dos Representantes, não me parece escandaloso. São assuntos diferentes. 

      • Mas destituir um moderado que acabará substituído por um radical não deixa de ser uma jogada de “quanto pior, melhor” por parte do partido Democrata. Às vezes corre mal.

        • Não sei porque diz isso, as eleições de 2016 foi uma grande vitória dos democratas que queriam um Trump não elegível para ser a vez natural de outro criminoso de guerra.

        • balio says:

          destituir um moderado que acabará substituído por um radical não deixa de ser uma jogada de “quanto pior, melhor” por parte do partido Democrata. Às vezes corre mal.

          Exatamente.

          E o partido liderado neste blogue pelo João Maio já tem experiência destas práticas que correm mal. Não deveria estar a elogiá-las nos outros.

          Seja como fôr, a verdade é esta: quem destituiu McCarthy não foi meia-dúzia de republicanos, quem o fez foi o partido Democrata.

  3. balio says:

    Aquilo que o João Maio afirma sobre a direita também é verdade da esquerda: historicamente, com frequência a extrema-esquerda tomou a esquerda moderada como sua inimiga.
    Aconteceu até em Portugal, em que já por duas vezes a extrema-esquerda colaborou com a direita para derrubar governos de esquerda moderada. O João Maio sabe do que estou a falar.

    • João L. Maio says:

      Não se pode falar da árvore sem falar dos ramos. Primeiro, os propósitos em Portugal são totalmente diferentes. Ora porque o PS nunca nutriu muita simpatia pelos partidos à sua esquerda, ora porque esses partidos à sua esquerda nunca disputaram, depois do PREC, verdadeiramente o poder. Segundo, porque dizer que “colaboraram com a direita” é poucochinho e redutor, porque os propósitos não são os mesmos. Terceiro, não são realidades comparáveis, até porque aquilo a que chama “extrema-esquerda”, em Portugal, não passa de um bando de socialistas democráticos mascarados de radicais saudosistas. 

    • Historicamente, o SPD colaborou com os proto-fascistas para literalmente matar a esquerda. Hoje não é preciso, não só têm toda a propaganda capitalista globalista em todo o lado, como a esquerda que fala é burguesa.

  4. António says:

    Gostei de ler. Mas não houve senadores democratas, por princípio adeptos da democracia, que votaram ao lado dos radicais republicanos, estes antidemocráticos, como dá a entender o texto acima, para destituir o “speaker”?

    Onde é que o João Maio encaixa estes democratas no seu argumento?

    • Por inevitavelmente tornar a câmara num circo ao voltar constantemente atrás nos acordos legislativos para tentar agradar à ala reaccionária.
      É contraditório relativamente a outras escolhas, mas é legítimo.

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