E não se pode criticar os eleitores?

Quando alguém, como é o meu caso, não fica satisfeito com o resultado das eleições, aparecem umas acusações que não me parecem menos estranhas por serem frequentes.
1 – é preciso respeitar a vontade do povo.
Tanto haveria a dizer.
Em primeiro lugar, ó alminhas, criticar não é faltar ao respeito. Depois, criticar não altera votação nenhuma nem manda os criticados para o calabouço da minha prisão política particular gerida por barbudos que torturam os prisioneiros com canções revolucionárias e outras crueldades. Finalmente, em democracia, um cidadão, se lhe apetecer, pode criticar os outros cidadãos todos, incluindo os próprios pais.
Quando critico os outros, posso estar convencido de que sou melhor do que outros? Sim, é possível e, diria, recíproco. Se eu considerar que as minhas opiniões são melhores do que as de outra pessoa, corro o risco de ser atacado por algum complexo de superioridade, mas isso não tira nenhum bocado a ninguém. Curiosamente, as pessoas que consideram que as minhas ideias são um disparate também se julgarão superiores a mim. Entretanto, enquanto andamos nestas discordâncias, enquanto nos julgamos superiores uns aos outros, não nos cai nenhum membro e o mundo pula e avança.

2 – o povo tem sempre razão.
Normalmente, diz isto quem ganha eleições. Quando se perde eleições, é natural que não se dê razão ao povo, o que, lá está, não tira nenhum bocado ao povo e não torna ilegítimo o resultado das eleições.
Uma pessoa fica com a impressão de que pode haver uma superstição qualquer de gente que acredita que a insatisfação de quem perde eleições provoque epidemias ou que altere magicamente o resultado das eleições, o que obrigaria a directos televisivos, com renovados debates entre comentadores.
Já imagino a história. Eu escrevia um texto nas redes sociais a dizer mal dos resultados eleitorais e, como que por milagre, esses mesmos resultados surgiam alterados. Rodrigues dos Santos apareceria, num directo azougado, com uma histeria aguda, a dizer: “Mudaram todos!” E gesticularia muito diante de um ecrã com gráficos completamente diferentes dos do dia das eleições. Marques Mendes acusar-me-ia, numa cadeira muito alta, de ser um irresponsável, fazendo coro com Júdice, Portas, Avillez, Bugalho e outros.
E eu teria de ficar fechado em casa, por estar cercada de jornalistas ansiosos por entrevistar o maior influencer português ou mesmo ibérico, eventualmente europeu. Teria, então, de fazer um longo e solitário “mea culpa” e prometer a mim mesmo que nunca mais daria uma opinião, porque o mundo muda de acordo com os meus pensamentos.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    É difícil respeitar ou não a vontade do povo porque só temos o resultado de um concurso de popularidade cheio de meias-verdades e de aldrabices mais ou menos assumidas. Também é difícil o povo ter razão quando se vota numa agremiação por algo e pelo seu contrário.
    Pode-se, pelo menos, dizer que a abstenção estava menos mal como estava.

  2. Anonimo says:

    Claro que se pode dar opinião.
    O problema é quando se confunde opinião com facto. Tipo religião. Ou wokismo (que é uma religião).

    PS: o (2) aplica-se à Justiça. Faz-se justiça quando ganhamos, quando acontece o contrário a coisa não funciona e são todos uns vendidos. Uma erudita do comentário saiu-se uma vez com “sabes mais que os juízes?”, isto depois de constantemente criticar o TC por não ilegalizar o 3º classificado.

    • Paulo Marques says:

      O que é o wokismo?

      • Prestável says:

        A obsessão distractora e contraproducente com questões ditas identitárias – raça, religião, orientação sexual – que divide e afunda a esquerda há décadas, distanciando-a da maioria da população, dos votos e da realidade, fortalecendo oportunistas como o Ventura e arruinando qualquer hipótese de contrariar a hegemonia neoliberal vigente ou a única divisão que importa: a do dinheiro e do poder que este traz.

        • Paulo Marques says:

          O Wokismo é quando as pessoas lutam para terem os mesmos direitos? Realmente, a lata.

          • Anonimo says:

            Os wokes defendem o direito de estares calado quando discordas deles. Os de direita e de esquerda.

          • Prestável says:

            No Ocidente as pessoas têm os mesmos direitos. Um negro rico fica no mesmo Ritz que um branco rico. Um capitalista homossexual usa os mesmos offshores que um heterossexual. Um xeque muçulmano compra as mesmas mansões e frequenta os mesmos círculos que um oligarca protestante, católico, ortodoxo, hindu, budista ou ateu.

            O mesmo para os pobres. Todos têm o mesmo direito à pobreza. A serem pisados, ignorados e explorados. Alguns podem ser também discriminados pelo seu sexo, raça, religião, peso, idade, beleza ou falta dela, etc., mas isso acontece em todos os países e culturas desde sempre. Só aqui e desde há pouco tempo é algo ilegal e malvisto.

            O wokismo faz de conta que é o Ocidente que está atrasado, não o resto do mundo, que é possível alienar a maioria da população, e que dividir as pessoas e hierarquizá-las numa escala de vitimização, em vez de uni-las contra o opressor comum, é uma estratégia viável. O resultado está à vista.

          • Paulo Marques says:

            Ora bem, a hierarquia de uma escala de vitimização ao menos é uma resposta. Só não sei muito bem a quem se aplica, talvez aos Democratas e seus fantoches na periferia que tentam explicar que um genocídio é com a melhor das intenções.
            Quanto ao resto, podia dizer o mesmo, também um rico e um pobre têm igual direito a usar um offshore, alugar casa, ou financiar partidos, e obrigação de não morar na rua, não chatear muito com protestos, ou não se atrasar na renda. Igualdade, pá, a práctica e o ponto de partida não contam para nada.

          • Prestável says:

            Nenhum pobre, seja branco, preto ou azul, usa offshores. Nenhum pobre, seja homem, mulher ou transexual, financia partidos, controla governos, influencia leis ou saqueia países. Só os ricos de todos os sexos, cores e religiões o fazem. Então é esta a diferença, a divisão que importa.

            O ponto de partida que importa é a riqueza com que se nasce, a prática que importa é a riqueza que se obtém, seja como for. Tudo o resto é secundário.

            O resultado do wokismo e da escala de vitimização está à vista: em Portugal, na Europa, no mundo. A esse suicídio da esquerda junta-se a defesa deste pântano a que chamam democracia. O Ventura, o Wilders, o Milei, o Bolsonaro e o Trump agradecem.

          • Paulo Marques says:

            Não é a divisão que importa, porque a revolução não é amanhã, nem sequer para lá caminha. Como quase sempre desde que se inventou o liberalismo quando o valor produzido pelos escravos se tornava insuficiente, são a válvula de escape que o capital tem para baixar as condições laborais.
            Vai lá explicar-lhes que têm que receber menos, ser mais facilmente dispensáveis, e ser negados empregos porque têm que fomentar a revolução a ver se começam logo a citar Marx.

          • Prestável says:

            Enquanto a esquerda for wokismo e desconversas como a sua qualquer revolução é impossível.

            Os avanços sociais do pós-guerra, e em Portugal do pós-ditadura, adormeceram a maioria da população e enfraqueceram a esquerda. À medida que esses avanços são revertidos por servidores do capital e ditadores avulsos, em vez de fomentar e liderar a revolta das populações a esquerda discute wokices, cedendo à direita o lugar que devia ser seu.

            Como disse o resultado está à vista: em Portugal, na Europa, no mundo. Mas continue a pensar e a falar assim, não mude nada que vai bem.

          • Paulo Marques says:

            Sim, as wokices de ir aos debates e aos locais de trabalho e ruas falar de condições laborais, saúde pública, educação, habitação pública, controlo de rendas, taxação de lucros excessivos. Resta saber se a interrupção voluntaria da gravidez ou o combate à violência doméstica também é mau face a deixar passar que os trabalhadores ilegais devem estar ainda mais abandonados face à violência do patrão e da polícia ou que o planeta arder não tem nada a ver connosco.

      • Anonimo says:

        Uma religião

  3. whale project says:

    Claro que se pode criticar os grunhos que votaram Chega e ainda os um pouco menos grunhos que votaram no mesmo Senhor que garantiu há anos que a vida deles não estava melhor mas o país estava melhor.
    A esse preço também ninguém poderia criticar os alemães, por acreditarem mesmo que os judeus eram geneticamente semelhantes a ratazanas, votaram Hitler.
    Já agora, até agora estava tudo a bombar pelo que se o Governo não dava mais era porque estava a coçar para dentro. Pois hoje um rodapé televisivo dava conta de um abrandamento do turismo. Com um pouco de sorte ainda se arranja mais uma bancarrota. Alguma desculpa terão de dar para não cumprir as promessas mirabolantes que andaram a fazer e em que o bom povo que não merece ser criticado acreditou. Afinal não foi para cumprir essas promessas do seu ponto de vista nefasta que os donos disto tudo e os órfãos de Salazar lhes financiaram as campanhas.
    E sim, criticar a grunharia não muda nada a grande patranha e o grade sarilho em que estamos metidos. E sim, o terceiro partido mais votado tinha de ter sido ilegalizado enquanto foi tempo por defender um monte de coisas completamente contrárias à nossa Constituição e instigar à violência contra grupos étnicos. E estou-me nas tintas para o wokismo.

    • JgMenos says:

      Este dilecto amante de Putin veio por aqui explicar-nos que o Tribunal Constitucional não fez o o seu trabalho.
      Estes exaltadores da Lei, que apoiam a invasão da Ucrânia e a apropriação do seu território pela Rússia, são, dentre as esquerdalhada, o meus favoritos,

    • Paulo Marques says:

      Não precisam de desculpa, sabem que, enquanto não correr mal, acabam os programas de recompra de dívida, que há que comprar armas ao paizinho, e atirar ainda mais dinheiro a fundo perdido para o grande jogo do mesmo.
      Uma lição que o povo não aprendeu em 2011.

  4. whale project says:

    Vai ver se o mar dá choco. Quem andou a receber dinheiro do Putin foi justamente a tua querida extrema-direita e há muitas provas disso. No domingo na realidade votaste no Putin e não sabes. Vai-te embora choco.
    Tu não tens agua para te lavar pois que apoias o genocídio em curso em Gaza e já foste corrido de outro blog justamente por não fazeres nada melhor que insultar outros comentadeiros por não acharem isso normal.
    Aqui fazes o mesmo e devias era ter vergonha nesse focinho de fascista. O que eu não apoio é nazis, nem na Ucrânia nem aqui. Como não apoio messiânicos que vivem há quatro mil anos atras. Vai ver se o mar dá choco.

    • JgMenos says:

      Se queres sossego e um coral de putinescos e órfãos soviéticos, volta para onde a censura te proteja os miseráveis neurónios.

      • POIS! says:

        Ora pois!

        Porque os miseráveis de Vossselência foram amplamente protegidos durante a saudosa censura salazaresca.

        Aliás, estão muito bem preservados em banho de clorofórmio. Bom trabalho, os dos coronéis.

      • Tuga says:

        Um Salazarento pidesco a falar de censura.?
        Lá na escola da PIDE em sete rios, também tinham aulas de como usar o lápis azul ?
        Ou tu eras dos que serviam para bater ou assassinar opositores ao teu querido “botas,”

        Repugnante pide

      • Paulo Marques says:

        Arrota quem quer fazer uma limpeza nos média privados.

  5. POIS! says:

    Pois aplaudamos com as mãos ambas este louvor ao louvável Tribunal Constitucional!

    Aliás não à direitrolha que se preze que não homenageie o Tribunal Constitucional. Quando, pelo Menos, lhe convém. Quando não é uma “força de bloqueio”, pois claro!

  6. whale project says:

    Pena que o Menos não tem uma máquina no tempo para voltar ao tempo em que toda a gente sabia o seu lugar. Vive órfão do Salazar há 50 anos e sonha com o quarto pastorinho para o ajudar a voltar aos bons velhos tempos em que não havia dessas poucas vergonhas das gajas que apanhavam nas trombas se poderem divorciar. nem trabalhadores com subsídios de férias e de Natal nem essa pouca vergonha de ir ao “estrangeiro” quando houvesse dinheiro e nos desse na gana.
    Era um tempo paradisíaco, sossegado e seguro onde cada um sabia o seu lugar e quem não sabia era comuna e ia passar umas longas férias a Caxias e ao Aljube.
    Quem quer sossego és tu. O sossego da paz podre do fascismo que mandava a nossa juventude para três frentes de guerra. Talvez agora a queiras mandar para a Ucrânia. Descansa meu bandalho, salazarento de meia-tigela, vai chamar putinista ao Diabo que que te carregue, tem vergonha no focinho e vai ver se o mar dá choco.

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