
No dia em que se assinalam 3 anos da invasão da Ucrânia pela Federação russa, a 24 de Fevereiro de 2022, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que exige o fim da agressão e reitera o compromisso com a soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia.
Sem surpresas, apenas a Hungria se distanciou dos parceiros europeus, votando contra a resolução apresentada conjuntamente pela Ucrânia e União Europeia. Orbán é um autocrata alinhado com Moscovo, uma espécie de cavalo de Troia do Kremlin no Conselho Europeu, e as suas intenções são conhecidas, como é conhecido o seu total desprezo pela democracia liberal.
Ao lado da Hungria votaram 18 países. Federação Russa, Bielorrússia, Burkina Faso, Burundi, República Centro Africana, Coreia do Norte, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Israel, Mali, Ilhas Marshall, Nicarágua, Níger, Palau, Sudão e… guess what?
Exactamente: os Estados Unidos da América.
Sim, os americanos voltaram a virar as costas aos aliados de sempre para se alinhar com Putin. A America Great Again de Trump votou ao lado de algumas das piores ditaduras do mundo, incluindo os regimes totalitários da Coreia do Norte, Burkina Faso e Eritreia.
Se eu achava que veria tal coisa em vida?
Não, não achava.
Mas Trump avisou. Trump disse ao que vinha. Avisou Trump e avisaram os broligarchs. E não, desta vez não falo de Elon Musk. Musk é cada vez mais o palhaço de serviço. A cortina de fumo que nos mantém entretidos e zangados. Peter Thiel e Curtis Yarvin são os nomes que devemos googlar. Sobretudo Yarvin, sobre quem nada se escreve ou diz, e que é hoje o ideólogo mais influente do trumpismo, mais até do que Steve Bannon, conseguindo a proeza de ser um dos poucos nomes consensuais entre a ala nativista e os oligarcas de Silicon Valley.
Yarvin defende abertamente a escravatura, o racismo, o fim da democracia e sua substituição por um regime gerido com uma empresa cotada em bolsa, liderado de forma absoluta pelos bilionários americanos. Vale a pena fazer uma pesquisa sobre quem é, o que defende e quem são os discípulos de Curtis Yarvin. JD Vance e Peter Thiel estão entre eles.
De uma coisa podemos ter a certeza: a democracia americana está a morrer. E a NATO, o multilateralismo e a “ordem mundial baseada em regras” morrerão com ela. Compete à Europa lutar pela democracia liberal e pelo direito internacional. E sim, temos que nos armar. Até aos dentes. Se Putin conseguir o que quer na Ucrânia, e que Trump lhe pretende entregar numa bandeja, nada nos garante que os estados Bálticos, a Polónia e os Balcãs não tenham o mesmo destino.
A nova ordem mundial segue dentro de momentos.






“a NATO, o multilateralismo e a “ordem mundial baseada em regras” morrerão com ela”
RIP. Ontem já era tarde.
As regras permitiram bombardear a Jugoslávia e invadir o Iraque. Deve ter falhado o VAR do poste.
Permitem ameaçar o ICC, um genocídio em Gaza, uma limpeza na Cisjordânia, bombardear o Líbano, apoiar a Al-Qaeda e o ISIS no Síria e no Iémen, um ataque terrorista, uma invasão, e uma ocupação incipiente no Líbano, bombardeamento indiscriminado no Líbano, destruição do armamento Sírio e ocupação do sul, bombardeamento do resto dos vizinhos da colónia, perseguição de judeus e outros manifestantes por dizerem o mesmo que os tribunais internacionais, cancelar eleições na Roménia, múltiplos atentados e tentativas de golpe na Venezuela, a continuação dos apoios a conflictos étnicos em vários países africanos, continuação de um embargo a Cuba com motivo explícito de causar a fome, e mais alguns, só nos últimos 4 anos, por democratas liberais muito liberais e cumpridores de regras.
Ah, e a destruição do Nordstream Alemão, bombardeamentos frequentes de uma central nuclear, a continuação dos bombardeamentos a civis, incluindo minas anti-pessoais, nos oblasts que passaram a ser ocupados pelo outro lado, interferência na política interna da Geórgia, crescente associação de judaísmo a sionismo – colocando em risco por todos os lados os judeus críticos da colónia e empoderando os literais nazis -, e impondo tarifas a produtos por ser o país errado a criar mercado combatendo as alterações climáticas.
Enfim, um excelente sistema a manter.
Esqueces te o Mendes, do monte de gente que se absteve por se estar nas tintas para nos e para a Ucrânia.
E armarmo nos até aos dentes contra uma potência nuclear que tem muito mais território que nos podendo fazer a população perder muito menos do que perderemos nos se a cambada de psicopatas que nos desgoverna mantiver essa lógica de confrontação contra um país que não precisa de nós para nada e uma linda ideia de jerico.
O fogo já está suficientemente vivo para que idiotas lhe queiram deitar ainda mais gasolina.
E armarmo nos com que dinheiro? Já todos temos dívidas superiores ao PIB incluindo a Alemanha que até ter decidido trocar a energia russa pela americana tinha superavit.
Os bálticos e a Polónia e só baterem a bolinha baixa que a Rússia não precisa deles para nada.
Vai agitar o papão para o raio que te parta para nos convenceres que devemos sacrificar ainda mais os cuidados de saúde, o que pode custar vidas, para nos armar nos contra o papão russo. Ou os direitos sociais. Ou levar os nossos jovens a “morrer onde tivermos de morrer”.
Se apostarmos na paz e no negócio honesto ninguém terá de morrer pela guerra ou por dinheiro para armas.
E que ordem baseada em regras e essa onde assistimos a um genocídio em directo e destruímos países para lhes sacar recursos como o Iraque e a Libia a pretexto de defender a democracia liberal?
Vai ver se o mar da tubarão branco cheio de larica.
«Se apostarmos na paz e no negócio honesto ninguém terá de morrer pela guerra ou por dinheiro para armas.»
Explica lá porque essa não é a política do Putin em relação ao qual sempre dizes coisa nenhuma.
Vai ver se o Putin te dá umas codeas pelo teu serviço de grunho serviçal.
Por causa das armas apontadas a Moscovo sem tempo de resposta. Quer queiras acreditar, quer não queiras, e todo o complexo militar e o Zé Lendas sabiam.
Estimado Salazarento menor
Estás a desiludir
Vê se escreves alguma coisa com nexo, para além das bocas fascitoifrs que bonitas.
Vê se justificas o tempo que gostaste na escola de Sete Rios.
Ou então arranjar amigos novos… se os EUA podem ser amigos dos sauditas, nada há de errado na Europa ser amiga da Rússia e China.
Quando é a vez de rapinar a eurolândia, que o resto começa a resistir, ai as regras, ai a liberdade, como se algum povo europeu pudesse mostrar a resistência que uns quantos povos vão mostrando pelo mundo, sem direito a paragonas nem a resistẽncia, nem o imperialismo que levou a isso.
Pois, então, armêmo-nos, sem gastar muito – mas roubando que chegue a quem trabalha para que continue a escolher a extrema-direita (que já Biden e Hillary gostavam) -, com armas que precisam de autorização para ser usadas, e que são entregues quando der jeito nas condições em que chegam submarinos e jipes. Tem tudo para correr bem… aos 7 mil milhões que não vivem no ocidente.
A guerra na Ucrania não nasceu no vácuo e Jeffrey Sachs explica-a cronologicamente.
Aí vai:
Período Pré-2014: Contexto Histórico e Geopolítico
Fim da Guerra Fria (1991): Após o colapso da União Soviética, a Ucrânia tornou-se um Estado independente, mas manteve laços econômicos e culturais com a Rússia.
A partir dos anos 1990, a OTAN expandiu-se para leste, incorporando países que tinham estado sob influência soviética, como a Polônia, Hungria e República Tcheca. Essa expansão foi vista pela Rússia como uma ameaça estratégica, especialmente quando a adesão da Ucrânia e da Geórgia começaram a surgir.
Durante as décadas de 1990 e 2000, houve tensões crescentes entre os EUA e a Rússia, particularmente em relação às intervenções ocidentais no Iraque , Líbia e Síria.
Crise de 2013-2014: O Início do Conflito
Protestos Euromaidan (novembro de 2013): O presidente ucraniano Viktor Yanukovych decide não assinar um acordo de associação com a União Europeia, preferindo manter relações próximas com a Rússia. Isso desencadeou protestos massivos na Praça Maidan, em Kiev, apoiados por grupos pró-Ocidente.
Os protestos culminam com a destituição de Yanukovych, que foge para a Rússia. Sachs argumenta que esta mudança abrupta no governo ucraniano foi encorajada por forças externas, incluindo governos ocidentais.
Anexação da Crimeia (março de 2014)
Em resposta ao novo governo ucraniano, a Rússia anexa a Crimeia, alegando proteger a população russa local. Para Sachs, isso foi uma reação direta que a Ucrânia estava sendo empurrada para o Ocidente contra os interesses russos.
Conflito no Donbass (2014-atual)
Após a anexação da Crimeia, rebeldes pró-russos no Donbass (região composta pelas províncias de Donetsk e Luhansk) declararam repúblicas independentes. O conflito armado entre forças ucranianas e separatistas apoiados pela Rússia começou em abril de 2014.
Acordos de Minsk (2015): Embora os acordos de paz tenham sido firmados em Minsk, eles nunca foram plenamente implementados, devido a disputas sobre questões como o controle da fronteira e o status político das regiões separatistas.
Sachs critica tanto a Rússia quanto a Ucrânia por não cumprirem integralmente os termos dos acordos, levando a uma prolongação do conflito.
Escalada em 2022: Invasão Russa
No final de 2021, a Rússia começa a concentrar tropas perto da fronteira com a Ucrânia, citando preocupações com a integração da Ucrânia à OTAN e atividades militares ocidentais na região.A Rússia apresenta protestos formais aos EUA e à OTAN, incluindo a proibição da adesão da Ucrânia à aliança militar. Sachs argumenta que essas demandas refletiam uma preocupação legítima com a segurança nacional russa.
A Rússia lança uma invasão em larga escala na Ucrânia, justificando-a como uma "operação especial" destinada a desmilitarizar e "denazificar" o país.
Os EUA e a União Europeia impõem sanções severas à Rússia, enquanto fornecem apoio militar substancial à Ucrânia.
Sachs sugere que a solução para o conflito deve incluir:
Um reconhecimento mútuo dos interesses de segurança da Ucrânia e da Rússia.
A criação de uma zona neutra na Ucrânia, impedindo sua adesão à OTAN.
Investimentos em reconstrução e desenvolvimento econômico para promover a estabilidade regional.
(Corta e cose de vários artigos e vídeos de Jeffrey Sachs)