Não deixa de ser curioso que uma mão cheia de governantes e jornalistas amestrados estejam a argumentar que por causa do Yom Kippur, feriado judaico, o enclave militar israelita não pode dar seguimento às extradições dos cidadãos raptados da Global Sumud Flotilla, quando o mesmo feriado não os impediu de ligarem os motores dos navios da marinha para violarem a lei internacional e passarem mais uma noite a fustigar Gaza com bombas. Israel a ser Israel. Um enclave confessional, onde a confissão serve apenas de pretexto para levar a cabo um genocídio.
Hipocrisia jornalística, diplomática e religiosa
Ceci n’est pas un Bürger

Alguém lembrou o festival do marisco, nos Camarões, mas aguardem a fúria do Ventura quando Marcelo anunciar que vai a um certame em Cheddar ou Yorkshire, a uma ‘vernissage’ em Champagne ou de férias para Chantilly. Isto para não falar do próximo encontro luso-brasileiro, pensado para Limão, Palmitos, Polvilho ou Jaboticaba. Esperemos sobretudo que nada o leve a Damasco, ou a Lima, no Peru. Bolonha ‘mai’, apesar de lhe agradar a Meloni mas Frankfurt ou Hamburgo é que nunca mesmo, que o germanófilo de Mem Martins já saiu escaldado de Berlim.
Testemunho e Coragem de Valerie Zink
O testemunho e a coragem de Valerie Zink merece ser lido e divulgado.
Para que a humanidade vença, Israel tem que perder
Netanyahu anunciou, abertamente e em conferência de imprensa, a repetição da “solução final” que Hitler tentou aplicar ao povo judeu, aos ciganos e aos comunistas, desta feita contra tudo e todos os que ainda conseguem viver em Gaza. Por vontade de Israel não vai sobrar pedra sobre pedra, não se contará nenhum sobrevivente. Morrerão à fome, com sede, ou bombardeados. Israel já cometeu todo o tipo de crimes. Todos. De guerra e contra a humanidade. Não ficou nenhum horror por revisitar. Gaza é hoje o maior campo de concentração da história. Israel, o Reich do Reich, leva a cabo o holocausto do povo palestiniano desde os atos de terror que culminaram na sua fundação, no famigerado 14 de maio de 1948. Israel foi sempre terrorista. Antes e depois de ser um Estado. Dos ataques à Palestina no tempo do mandato britânico, aos ataques à Palestina desde que foi ocupada, com a conivência do mundo “democrático”. Israel tem um cadastro com mais de 77 anos de terror colonial, de limpeza étnica e de genocídio, mas ao seu lado, no banco dos réus que a história haverá de julgar, devem sentar-se todos aqueles que apagaram as luzes e deixaram tudo acontecer. No combate a Israel como no combate à Alemanha Nazi não há espaço para negociar, porque não há negociação possível entre exterminado e exterminador. Para que a humanidade vença, Israel tem que perder.
O plural majestático da culpa não vai derrotar a extrema-direita
José Mário Branco já ironizava. Na hora de tirar lições, a culpa é de todos no geral para não ser de ninguém em particular. Essa incapacidade crítica tem certamente responsabilidade no pior resultado eleitoral da esquerda da história democrática. Pior do que a derrota eleitoral, que já seria má, é essa derrota ser o espelho da relação de forças em vários campos de batalha da nossa sociedade, das tascas às redações, dos andaimes à academia. A baixa intensidade da generalidade do movimento social e sindical – salvo poucas e honrosas exceções – associado a uma juventude muito individualista, e, consequentemente, muito à direita, devia levar todos a pensar que é um ato de loucura tentar mudar a realidade a repetir uma equação com os mesmos parciais, à espera de um resultado diferente.
Um prefácio que não se despede

Não é fácil escrever um prefácio, mais ainda se esse prefácio for para a obra de um pai, numa viagem em carne viva pelas palavras que sulcou ao longo da vida, no fim da vida. Um prefácio que, entretanto, renasce numa mensagem que recusa despedidas.
Assange livre da prisão e da extradição

Não se conhecem ainda as vírgulas do acordo, mas ter Julian Assange livre da prisão e da extradição, 14 anos depois da publicação dos documentos que deixaram claro o papel que jogam os EUA, e 5 anos depois de detido em Londres, é uma vitória muito importante. Saem humilhados a CIA e a Scotland Yard, que acumularam ilícitos para ofereceram aos seus patrões uma das mais significativas derrotas dos últimos anos.
Perante o genocídio palestiniano cada vida que se salve é um ato de resistência

Há 16 anos, em reportagem na Faixa de Gaza, tive como timoneiro e intérprete Ayman Fahmi Nimer, profissão que foi desenvolvendo depois da sua ter sido truncada pelo criminoso bloqueio israelita ao território, que se tornou absoluto por volta dessa data. Desde então ficamos amigos e tenho mantido o contato possível com ele e a sua família, que procura agora reunir-se no exílio e dar ao Ayman o tratamento médico de que precisa. Por isso mesmo Nesma El Nimer, uma das suas filhas, contou a história do seu pai – que também é a sua – e precisa da solidariedade de todos os que possam para conseguir os fundos necessários para a evacuação e tratamento de Ayman Nimer.

Apelo de Nesma El Nimer:
Não há corruptos contra a corrupção

A AD, enquanto marca eleitoral, perdeu as eleições, em votos e em mandatos, e só pode propor governo com os deputados emprestados da oligarquia madeirense. Não deixa de ser uma ironia rebeliana que a direita festeje umas eleições convocadas por suspeitas de corrupção, à boleia de 3 deputados da Madeira eleitos por partidos embrulhados em suspeitas de corrupção, e que a extrema-direita, que tanta demagogia propala contra a corrupção, queira ser chamada a governar a reboque deste dominó de corruptos. O próximo governo não vai ser um governo, vai ser uma quadrilha em cadeia.
O fascismo metastizou

Com mandatos em todos os círculos eleitorais à excepção de Bragança, o fascismo metastizou o país nos 50 anos do 25 de Abril. São 48 deputados, tantos quantos os anos vividos em ditadura. Se somarmos a esse dado o pior resultado da esquerda na era democrática, estamos nas piores condições possíveis para defender os direitos de quem trabalha. Para salvar o país do cancro da extrema-direita vai ser preciso, porém, mais do que lamentos. É preciso uma esquerda mais capaz, menos deslumbrada e consciente que o tempo que temos pela frente não se enfrenta com a brandura com que nos têm brindado. Que os líderes da oposição sejam uma nova resistência. No parlamento e nas ruas. No boletim de voto e em todas as frentes onde o fascismo mostre os dentes. Cá estaremos, com tudo o que precisarmos. Só assim podemos voltar a virar o jogo como tão bem o soubemos fazer há 50 anos.
O Malhão sempre era reaccionário
A idade faz mal a todos, mas faz pior a uns que outros. Este, que já tocou acordeão para o Zeca, confirma agora que o seu malhão é mesmo reaccionário.
“O trabalho da esperança: razões para um voto”

“Nas próximas eleições legislativas, no dia 10 de março, votaremos na CDU. Não somos militantes do PCP nem do PEV e não partilhamos todas as suas posições. Mas sabemos da importância e seriedade das suas propostas em áreas fundamentais. Propostas que enfrentam interesses entranhados, do imobiliário à banca, e que são feitas em nome de um país que se quer solidário e autónomo. Para combater o crescimento das desigualdades e a diminuição da participação democrática, é preciso dar um voto de confiança aos que aliam a questão social e a questão ecológica: fim do mundo, fim do mês, a mesma luta.”
O resto do texto pode ser lido e subscrito no site da Iniciativa dos Comuns.
“Por um cessar-fogo imediato, duradouro e sustentado levando à cessação da actual escalada de violência”

Ilustração de Susana Matos
O manifesto, subscrito por mais de 100 personalidades, pode ser lido no CPPC.
O semitismo antissemita do sionismo


Esta seleção de comentários, reveladora da alegada “superioridade moral da única democracia do médio oriente”, foi retirada de uma publicação da Amnistia Internacional que apela ao cessar-fogo. Israel não caiu só na armadilha do Hamas, caiu na armadilha da sua própria natureza, colonial e genocida, e os seus defensores são disso uma demonstração viva. Não há, hoje, nada nem ninguém mais antissemita do que o sionismo e que os sionistas. Israel é o grande herdeiro do III Reich.
Israel na primeira pessoa
Israel não é uma democracia, não é um Estado de Direito, não tem liberdade de expressão nem de imprensa, não cumpre o Direito Internacional, não respeita as resoluções da ONU. Israel é um Estado confessional, um regime de apartheid, um enclave geoestratégico feito em nome do trauma do Holocausto para executar outro, desta feita contra os palestinianos. A sua fundação, com o acordo dos EUA, Europa e URSS, foi feita à custa da segregação e limpeza étnica do povo palestiniano, e definiu os padrões do terror que se vive desde então no território. Israel é o problema. Tudo o mais são consequências que lhe devem ser imputadas.
Israel: produto e devir do holocausto
FOTO DE MOHAMMED SALEM / REUTERS
Não foi preciso muito para que saíssem do armário um exército de genocidas disfarçados de defensores dos direitos coloniais israelitas. De forma absolutamente descarada, os apelos ao massacre do povo palestiniano, sobretudo os que vivem na Faixa de Gaza, sucedem-se, seja a partir da carta branca dada pela generalidade dos governos – sim, é isso que querem dizer quando aplaudem o direito de Israel se defender – seja a partir do silenciamento dos factos no terreno desde 1948.
A inquebrantável resistência palestiniana

A única surpresa nos atos da resistência palestiniana não é o facto de terem acontecido, é o facto de terem tardado. São 75 anos de ocupação, onde todas as vias da coexistência esbarraram inevitavelmente num projeto confessional, segregacionista e genocida, que quer transformar toda a Palestina num Estado exclusivo para judeus. Começou com vilas inteiras queimadas, continuou com colonatos duplamente ilegais, construídos no pouco da Palestina que ainda falta ocupar ao sionismo. Todos os castigos repetidos até à náusea, água envenenada, campos queimados, bombardeamentos permanentes, locais sagrados atacados, prisões arbitrárias, assassinatos na ordem de todos os dias e um país reduzido a um arquipélago de prisões a céu aberto, onde a simples sobrevivência se tornou um ato de bravura. Numa ocupação é sempre o ocupante que ataca, ao ocupado cabe-lhe a resistência. Se isto é evidente na Ucrânia também tem que o ser na Palestina.
Tech Zombies

Phones, óculos digitais, relógio e tv smart, telemóvel, computador, powerbank e um modem portátil para nunca ficar fora da rede. Uma especie de sonambulismo digital, zombies da tecnologia, escravos do scroll, nómadas apenas de si próprios, que abriram mão do olhar, da audição, do tacto e dos outros. As bocas não vão precisar de garrotes que poucos serão os cérebros disponíveis para as maçar com ideias. No auge da sociedade da imagem, do espetáculo permanente, é o silêncio quem mais ordena e a palavra que está em risco.
Para quem governa o Ministério da Sáude?
A luta dos médicos pela dignidade da sua profissão e em defesa do Serviço Nacional de Saúde tem-se feito sentir de muitas maneiras. Desde logo pelas greves, que começaram em março, e voltaram mesmo durante a JMJ, sempre com adesões muito expressivas, mas também pela surpresa e significado de várias mobilizações. É igualmente visível no chão de cada serviço hospitalar, urgência e centro de saúde, onde cada vez mais médicos se recusam a ultrapassar o limite legal das 150 horas extraordinárias, deixando a nu a evidência de que faltam médicos ao SNS. Face a tudo isto e à unidade da classe em defesa do SNS, face ao baixo valor financeiro que as reivindicações laborais implicam, face ao evidente apoio da generalidade da opinião pública, alguém arrisca adivinhar para quem governa o Ministério da Saúde?
Do Galambagate ao Costagate

Costa segurou Galamba porque a grande ilegalidade da polémica, percebemos ontem pelo próprio Galamba, foi cometida por si, através do seu secretário de Estado adjunto, Mendonça Mendes. Colocar o SIS ao serviço do Governo, e não do Estado posto que o Estado não tinha nenhum interesse em risco, não é aceitável de nenhum ponto de vista e é um precedente grave, mais um, que um governo do PS abre e do qual todos seremos vítimas. Se o SIS está ao serviço do Governo e não do Estado deve mudar de nome para Direção-Geral de Segurança, a versão primaveril da Polícia Internacional e de Defesa do “Estado”.
Khader Adnan e o lembrete que é a Palestina quem está a ganhar a guerra

Era uma vez uma história com 25 anos
Fez ontem 25 anos que os anti-fascistas de Coimbra arrancaram pela raíz a tentativa do “neos – núcleo de estudos oliveira salazar” celebrar a data de nascimento do ditador, na Sé Velha, em Coimbra. No ano seguinte mudaram para a Igreja de Montes Claros, mas também aí foram confrontados por outra manifestação. A mesma réplica aconteceu em Lisboa, igualmente com protestos. Nunca mais voltaram a tentar tal provocação. O fascismo não se pode ignorar, tem que ser combatido de frente, em toda a parte, a toda a hora, por todos os métodos que se revelem necessários. Vale pela efeméride e, como não podia deixar de ser, lembrar o João José Cardoso, não só por ser dele a recolha dos noticiários acima mas porque ele próprio foi um dos envolvidos na mobilização.
Cavaco & Moedas

Para o desmentir Carlos Moedas, na ode que dedicou ao “humanismo” de Cavaco Silva e onde lhe elogia a “dignidade, credibilidade e respeito democrático”, basta uma nome, um banco e uma infraestrutura: Sousa Lara – que entretanto já foi porta-voz do Chega – o BES – que faliu um par de dias depois de Cavaco garantir a sua robustez e a carga policial da ponte 25 de Abril. É este, a par das negociatas obscuras, o legado do cavaquismo: ignorância, submissão ao sistema financeiro e muita porrada.
Residências com Pedigree

Moedas inaugurou uma residência de estudantes, cuja prestação mensal varia entre os 700 e os 1100 euros, e tem a distinta lata de dizer que com isto está a resolver o problema da habitação. Para os liberais de colarinho, para quem a assimetria social é um sinal de saúde, segue-se a inauguração de cantinas gourmet, com roteiros de degustação entre os 50 e os 150 euros, e vão garantir que com isso estão a resolver o problema da alimentação. Devia haver limites para a provocação social, mesmo para quem, do alto do seu privilégio, não faz a mais pequena ideia do custo de vida.
Entra para os anais do Twitter não só a falta de noção, como a notável escolha das fotografias.
De Cavaco Silva à Forbes, do BES ao SVB: diz-me quem elogias, dir-te-ei o próximo a falir

A Forbes, à imagem de Cavaco Silva sobre o BES, fidelizou o SVB apenas uma semana antes da sua falência, como um dos 100 melhores bancos do mundo. Ficou em 20º lugar em 2023, depois de cinco anos consecutivos a ter honras nesta listagem.

O SVB, a poucos dias da falência, divulgou com orgulho a sua prestação e a FORBES, com um pouco mais de vergonha e com a intenção de tapar o sol com a peneira, acrescentou uma nota do editor depois da falência digna de transcrição integral: “[Editor’s Note: After this list was published on February 16, 2023, SVB Financial Group’s Silicon Valley Bank collapsed and was placed under FDIC control on March 10 due to a bank run prompted by fears about its interest rate exposure.]. A nota de congratulação do SVB já só se pode ver no Linked In, a única conta nas redes sociais que a falência do banco ainda não se lembrou de suspender.
Carlos e Céline
Moedas, depois de ter sido criticado por Marcelo pelas declarações xenófobas, diz que não aceita lições de ninguém por estar casado com uma imigrante e por ele próprio ter sido emigrante. Se o lugar de fala fosse salvo conduto não haveria mulheres a fazer o jogo do patriarcado, negros em partidos racistas, LGBTQI+ a defender Israel ou pobres a votar nos ricos. Moedas não nos conta mas sabe que apesar do seu fausto liberalismo está disposto a governar com os novos fascistas e é por isso já lhe foge a boca para a xenofobia.
Moedas emigrou para a Goldman Sachs e a sua esposa não chegou de jangada para administrar os CTT. O casal Moedas devia retratar-se por se equivaler a algumas das histórias mais corajosas que a humanidade produziu, às costas de quem se atira ao mundo sem mais do que a força de vontade que gera o desespero. Há paralelos inaceitáveis, mesmo para um liberal que está a aquecer numa Câmara para vir governar o país numa coligação com as botas cardadas do Chega e do Ventura.
Em nome de quem?

Cartoon de André Carrilho
A Santa Sé já pediu desculpa? Já perguntou quanto tem que pagar? Já indagou sobre todos os que encobriram? Já apresentou a demissão de todos os responsáveis que desvalorizaram o problema? E o Estado já revogou, de uma vez por todas, a Concordata?
Já são 3 milhões a passar frio

Soubemos hoje que 660 mil pessoas vivem em “pobreza energética severa” e outros 2,3 milhões em “pobreza energética moderada”. Estamos a falar de perto de 3 milhões de habitantes a lutar contra o frio. Porque espera o governo para fixar os preços da energia?
Manifestação por uma vida Justa: basta de aumento dos preços!
Pelo congelamento imediato dos preços nos produtos básicos








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