MANIFESTAÇÃO | BASTA DE AUMENTO DOS PREÇOS

Reportagem da CNN\TVI onde se explicam as razões do Vida justa, que levaram à marcação da manifestação do próximo dia 25 de Fevereiro, de forma a forçar o governo a desenvolver um verdadeiro programa de emergência para fazer face à inflação e aos seus efeitos.

O debate sindical dos professores

O problema da Fenprof e de Mário Nogueira não é a falta de cobertura mediática. Deve ser dos sindicatos e dos líderes sindicais com mais pegada mediática. O problema da Fenprof e de Mário Nogueira é que ao longo dos anos ocuparam esse espaço com sucessivas cedências, conduzindo os professores de negociação em negociação com os resultados que se conhecem, com um discurso excessivamente corporativo, virado de costas para a restante comunidade escolar e para o resto da sociedade. Décadas de sindicalismo de mínimos, a gerir derrotas ou vitórias de Pirro, levaram ao descrédito e à desmobilização muito antes de aparecer alternativa. Veremos se o STOP tem unhas para o movimento que criou apesar da crise sindical, se está capaz de se articular com a Fenprof como a Fenprof nunca se quis articular com ninguém e se consegue transformar um fogacho num movimento de massas consistente e vitorioso. É esse o debate a fazer, não as diatribes da calúnia sectária. Os direitos dos professores, o combate à precariedade e a defesa da escola pública não têm tempo para continuar à espera.

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Em defesa da luta dos professores

A foto da Lusa, com o André Pestana à cabeça da manifestação dos professores, é reveladora da dimensão do protesto. Com uma greve de risco e em condições difíceis, os professores estão a dar mostras de não querer continuar a ser engodados em processos de negociação torpes, com resultados frágeis. Se a democracia não fosse já uma miragem qualquer governo seria obrigado a negociar e a recuar perante mobilizações com esta dimensão, mas o mais certo é o caminho ser outro, nada democrático pelo que já se viu ser a estratégia judicial do ministro e do governo.

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Vida Justa

Com a inflação em roda livre, com uma oposição na defensiva e com um governo que não se mostra sensível ao desenvolvimento de medidas de contenção, de reversão e de emergência, sobra o protesto como campo de batalha. Em cada setor, é cada vez mais difícil pagar o preço que custa uma Vida justa.

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Depois das greves dos Estivadores, dos Motoristas e dos Enfermeiros, chegou a vez de ilegalizar a greve dos Professores?

Todas as greves são passíveis de serem criticadas, umas são mais justas que outras, umas mais claras e outras mais confusas, umas acertadas e outras erradas seja do ponto de vista político seja sindical, mas nenhuma deve ser criticada por razões que se prendem com sua suposta ilegalidade. A greve é um direito inalienável que tem vindo a ser sistematicamente posto em causa, sobretudo quando as greves se metem no caminho do governo.

Adolf Ben-Gvir

Ben-Gvir, um fanático sionista que nunca escondeu o seu racismo eugénico, é o atual ministro da Segurança Nacional de Israel. Confesso admirador de Baruch Goldstein, o judeu americano responsável pelo massacre do Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, em 1994, onde assassinou 52 palestinianos desarmados enquanto rezavam.

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🐐The Goat debate is settled

O debate sobre Messi e Ronaldo é tão irracional que não se percebe se quem gosta de um o faz por detestar o outro, como não se entende a incapacidade de ver que não existe um sem o outro. Foi uma dança que alimentou sempre ambas as partes. Porque deslumbraram o salão, porque implodiram com a concorrência de todas as gerações, porque duraram, porque derrubaram as estatísticas, porque revolucionaram o jogo, mas sobretudo porque sempre se respeitaram, ao contrário de boa parte dos indefetíveis que, como eu, está incapaz de “amar pelos dois”, e mesmo depois de um campeonato do mundo ganho pelo Sheikh Messi, vou continuar convencido que o único Goat é o Cristiano Ronaldo.

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Sebastião Póvoas deve explicar na AR a razão pela qual a ERC protege fascistas

Posto que “o Conselho Regulador é composto por cinco membros, sendo quatro destes designados, por resolução, da Assembleia da República”, que a “cooptação do quinto elemento é da responsabilidade dos membros já designados”, e que o atual elenco está em funções desde 2017, a responsabilidade dos partidos que à data eram maioria na escolha da ERC é tão absoluta como lamentável. Face à mais recente diatribe contra a liberdade de criação do humorista Ricardo Araújo Pereira, que ignora de forma grotesca a realidade, será que quem elegeu o senhor Sebastião José Coutinho Póvoas não tem nenhuma satisfação a pedir? Com tanta audição parlamentar e demais expedientes regimentais, não sobra um par de horas para perguntar ao antigo delegado do Procurador da República de Marcelo Caetano, qual a razão para andar a interferir num programa de humor e a querer que a SIC faça compensações jornalísticas a farsantes fascistas?

Quo vadis Entidade Reguladora para a Comunicação Social?

Ricardo Araújo Pereira cumpriu a Constituição da República Portuguesa ao excluir dos seus convidados o farsante fascista. A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recomenda que a SIC compense o farsante fascista. Será que podemos reclamar da ERC no Tribunal Constitucional por exigir que os humoristas aceitem entrevistar quem viola a Constituição? A ERC, que nunca regulou equilíbrios do espaço público para garantir que vozes à esquerda fossem ouvidas, vem agora rasgar as vestes pelo farsante fascista? Será que o Presidente da ERC, Sebastião José Coutinho Póvoas, que já era delegado do Procurador da República em 1971(!), aceita ir ao programa? E por fim, que mal pergunte também, o que faz esta figura sem nenhum percurso na comunicação social, nomeado para cargos durante o regime fascista, num organismo de regulação da comunicação social?

Self hatred Portugals

Espanha conta o seu Busquets e o seu Alba, o Brasil com o seu Alves e o seu Silva, a Holanda passa todo o jogo pelo seu Blind, o Uruguai dividiu o ataque entre o seu Cavani e o seu Suárez, Gales é o que é pelo seu Bale, a Inglaterra ainda voa na asa do seu Walker, a Suíça do seu Shaqiri, o México, pela quinta vez, entregou a baliza ao seu Ochoa e a França suspira porque não pode levar o seu Benzema. Enquanto isso, por cá, o desporto nacional é cuspir para o ar ou no prato que nos tirou de décadas de irrelevância. A quem devemos esta cólera com que tanto nos odiamos?

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Por um cabelo

Este golo, legal por um cabelo, valeu o apuramento do Japão em primeiro lugar do grupo da morte, à frente da Espanha, e enviou a Alemanha para casa. Este grupo teve ainda o condão de durante três minutos da última jornada, entre os 70 e os 73, Alemanha a Espanha estarem eliminadas pela Costa Rica e pelo Japão.

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Aquele abraço

Ao fim de duas rondas só há três seleções com duas vitórias: França, Brasil e Portugal. Há a bem encaminhada Espanha, que esteve perto de fazer a mala à Alemanha. Há várias a jogar bom futebol, com destaque para as federações mais pobres com as vitórias do Gana, Senegal, Irão e Marrocos. E depois há uma mão cheia de parcerias que jogam muito, Griezmann e Mbappé, Vinicius e Richarlison, Pedri e Gavi, e outras duas, em Portugal e na Argentina, que seria um épico dramático ver chegar à final.

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Sabem o que não é proibido no Mundial do Catar?

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A solidariedade com a Palestina, que tantas e tantas vezes foi sancionada nos estádios das democracias europeias. Justifica tudo o resto? Não. Absolve a ditadura do Catar dos seus crimes? Absolutamente que não. Mas não deixa de ser assinalável que seja mais fácil a solidariedade com a Palestina no quadro de um regime autoritário do que nos supostos territórios da democracia e dos direitos humanos.

Shhiiiuuuuuuuu!

Finda a primeira jornada os destaques vão para a Arábia Saudita e o Japão, que venceram a Argentina e a Alemanha, os derrotados, mas promissores, Senegal e Irão, Ochoa e Courtois, os melhores na baliza, o golo de Richarlison, o novo R9, a lesão de Jair Neymar, que coloca o Brasil entre os favoritos e, claro, o recorde de Ronaldo, a marcar em cinco Mundiais, e que não precisou de mais do que um jogo para calar a boca aos haters mais aziados.

Sobre o jogo de Portugal só Bernardo, Ronaldo, Fernandes e Dias têm lugar garantido na seleção, todos os outros estiveram muitos furos abaixo do que é preciso para se ir longe na competição. É tirar o Otávio e meter o Horta, tirar o Félix e meter o Leão, tirar o Guerreiro e meter o Mendes, tirar o Neves e meter o Palhinha, tirar o Danilo e meter o Pepe, tirar o Santos e meter o Mourinho e só tirar o poeta voador se forem a tempo de ir buscar o Éder.

Até das vitórias temos medo?

Os cerca de 700 estivadores de Liverpool conseguiram uma importante vitória. Depois de uma greve de cinco semanas conseguiram aumentos entre os 14.3% e os 18.5%. Entretanto, por cá, ninguém deu a notícia, estejamos a falar da comunicação social, estejamos a falar da comunicação das demais organizações. Estes conflitos são fundamentais para lembrar que a única maneira de enfrentar a crise económica, política, social e sindical, é a recuperação das formas de luta, mas se as formas de luta não forem notícia, sobretudo quando são vitoriosas, perde-se o efeito pedagógico da sua aprendizagem. O silêncio dos meios de comunicação das grandes corporações é óbvio – estão a trabalhar para os seus interesses – mas dos demais não. Estamos num tempo tão defensivo que até das vitórias temos medo?

Mário Mutatis Machado Mutandis

Posto que está confirmado que foi a Ucrânia a atingir a Polónia, será que Varsóvia vai invocar o artº5 da NATO para se defender de Kiev? E será que o chefe dos milicianos subscreve a ideia de que todos os fascistas em Portugal passam a ser alvos legítimos? O que mais é preciso acontecer para que este tipo de terror receba a devida ordem de prisão?

“LARGOS DIAS TEM ABRIL”

Porque importa levar Abril em Maio pelo tempo que o segue, aqui fica este fragmento de memória e tributo ao 25 de Abril de Carlos Maia Teixeira. A fotografia é do Eduardo Gageiro.
LARGOS DIAS TEM ABRIL

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Putin e a nazificação

Putin não está, como afirma, a desnazificar a Ucrânia, sendo que o resultado da ocupação será precisamente o contrário. Até à guerra a Ucrânia era um país dividido e os nazis estavam longe de representar a maioria dos ucranianos. Depois da guerra, aquilo que antes eram franjas nacionalistas vão ter tendência a ganhar preponderância, sendo que as expressões mais radicais desse nacionalismo vão estar em melhor posição do que estavam, vão ter heróis nacionais, honras de Estado e protagonismo internacional. De resto, Putin nunca teve problemas em acarinhar e financiar fascistas, de Trump a Salvini, de Le Pen a Bolsorano, de Orban a Netanyahu, sem falar sequer da sua acção no plano interno onde em demasiadas esferas da governação pouco se distingue daqueles que agora diz combater. Putin é um anti-comunista primário, um capitalista ferrenho e sabe que são esses terrenos que está a lavrar na Ucrânia.

PLATAFORMA CONTRA A GUERRA: NEM PUTIN, NEM NATO

Domingo, a partir das 16h, em frente à Embaixada da Rússia, junta-te também ao lado dos que recusam a guerra e uma escalada militar do conflito por via de uma eventual intervenção da NATO. Porque o relógio do colonialismo e do imperialismo não começou a contar apenas nas últimas duas semanas, a luta contra os dois dos lados da moeda do colonialismo e do imperialismo é fundamental.
Convocatória:

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Nem Putin, Nem Nato: Paz na Ucrânia!

Nenhuma descrição disponível.

Lutar contra a guerra na Ucrânia e exigir a retirada imediata da Rússia é urgente, como é urgente fazer esse combate ao lado de quem também cerra fileiras contra o colonialismo e o imperialismo, do Iraque ao Afeganistão, da Palestina ao Iémen, ao lado de todos os povos que se vejam a braços com uma guerra de ocupação. Participa!

Não é whataboutismo, é a hipocrisia dos critérios duplos

Pode ser um desenho animado de uma ou mais pessoas e pessoas em pé

Para os novos pacifistas – e alguns velhos – qualquer paralelo que se faça com a Ucrânia é whataboutismo, ou seja, um truque de propaganda que pretende desvalorizar, antes de tudo, a invasão da Rússia. Segundo eles ninguém pode comparar a Ucrânia a nenhum outro país, nem que seja para lembrar a dualidade de critérios face a outras situações que se encaixam perfeitamente no quadro da análise do colonialismo e do imperialismo. O truque não é de quem compara, até porque quem compara é contra qualquer um dos imperialismos e contra o colonialismo independentemente de quem o pratica. O truque é de quem lamenta, posto que cada um dos paralelos toca na ferida aberta pela hipocrisia com que calaram, desvalorizaram, ou apoiaram, todas as aventuras beligerantes que têm marcado o mundo. Que se mobilizem todos os esforços para acabar com a guerra, mas que essa mobilização seja portadora do mínimo de pedagogia, ou acabamos rendidos a votar resoluções criminosas que querem convencer que se conquista a paz através das baionetas da NATO.

Na falta do Ministério Público e da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, não era de substituir o Bruno Carvalho por um par de nazis no Big Brother?

Pode ser uma captura de ecrã do Twitter de uma ou mais pessoas e texto que diz "Mario Machado @MarioMachado777 Em resposta @Richard 1143 E prostituição forçada das gajas do Bloco. 17:03 17 fev. 22 Twitter Web App Ricardo Pais @ricardojp1143 4h Concordo. Incluam as do PCP, MRPP, MAS e PS. Mario Machado @MarioMachad... .4h Em resposta @ricardojp1143 @Richard_ 1143 Tudo, tipo arrastão. Ricardo Pais @ricardojp1143 Em resposta @MarioMachado777 @Richard_1143 A Renata Cambra terá tratamento VIP. 1 Ricardo Pais @ricardojp1143 3h Em resposta @ricardojp1143 @MarioMachado777 @Richard_ Servirão para motivar as tropas, na reconquista."

A “Renata Cambra (…) as gajas do Bloco (…) PCP, MRPP, MAS e PS”, foram vítimas da ameaça pública que se pode ler, feita pelos nazis que apoiam o Chega. Bem sei que não se trata do Big Brother, nem de um tolo do qual o país faz troça há alguns anos, mas será que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género ou o Ministério Público vão exigir as devidas consequências? Será desta que o Tribunal Constitucional revê a ideia de aprovar partidos a milicianos deste calibre?

Canto a Vozes de Mulheres à Lista Nacional do Património Cultural Imaterial

Já sabemos que a luta pela Cultura, mais ainda a que é imaterial, é uma luta de passada difícil, pelo que a ajuda de todos conta. Subscreve aqui.

“Em 2020, cerca de trezentas cantadeiras decidiram criar a Associação Fala de Mulheres e formular o pedido de inscrição do Canto a Vozes de Mulheres na Lista Nacional do Património Cultural Imaterial. Este repertório é cantado a três ou mais vozes sobrepostas em movimento predominantemente paralelo e tem localmente diferentes designações, tais como “cantada”, “cantaraço”, “cantaréu”, “cantarola”, “cantedo”, “cantiga”, “cramol”, “lote”, “moda” ou “terno”. É cultivado no centro e norte de Portugal há sucessivas gerações e pode também encontrar-se em comunidades e(ou) grupos geograficamente distantes, mas que, de algum modo, tiveram ao longo da sua história contacto com essas práticas performativas. As cantadeiras argumentam que este canto é uma expressão artística, um património imaterial que vincula as mulheres no combate à vulnerabilidade das comunidades onde residem e reforça a identidade local. Com esta iniciativa pretendem também desocultar o papel das mulheres nos processos e práticas culturais. Apelam, agora, ao seu apoio com a subscrição desta lista, ou, se preferir, através de uma carta endereçada à Associação Fala de Mulheres. Consciente da importância de salvaguardar este património imaterial, cada um dos subscritores declara perante a Direção-Geral do Património Cultural o seu apoio à inscrição do Canto a Vozes de Mulheres na Lista Nacional do Património Cultural Imaterial.”

Algumas notas sobre as eleições legislativas de 1922: Uma maioria absoluta do PS e 12 deputados fascistas

As eleições estiveram mais próximas da lógica do Big Brother, ou de qualquer concurso televisivo, do que de um exercício capaz de esclarecer os eleitores para uma escolha democrática. Por isso mesmo o Viagra do Cotrim, o Albino do Rio ou a Acácia do facho foram mais citados do que os temas centrais da governação ou as aberrações programáticas dos respectivos partidos. Assim, a direita que quer proibir greves e acabar com a negociação colectiva, radicalizar a liberalização do mercado de trabalho, vender o que sobra da estrutura económica do país, cobrar os mesmos impostos a ricos e pobres, foi capitalizando simpatia ao invés do escrutínio público que por certo teria o seu preço a pagar em votos. Os jornalistas passaram a apresentadores de um concurso de variedades destinado a medir a popularidade do espectáculo pelo espectáculo, mesmo que isso aconteça sobre a vala comum do jornalismo e do debate de ideias. A direita da direita cresceu, a esquerda da esquerda foi devorada pelo PS que ganhou às suas custas com maioria absoluta, há 12 fascistas medievais num parlamento democrático, mas as lições a tirar destas eleições não se ficam por aqui.

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CARTA ABERTA AO VENTURA (de um subsídio-dependente)

Ventura, tu não sabes quem eu sou mas como tens falado tanto de mim e de tantos outros sem sequer nos conheceres, tomei a iniciativa de te escrever esta carta. Por mim e por todos os que por certo se vão rever nela. Tu és o interlocutor em nome dos demais demagogos, mas esta diatribe serve para todos os teus semelhantes, mais ou menos violentos, mais ou menos saudosistas, mais ou menos enganados.

Antes de tudo gostava de te explicar que desconheces o que supostamente dizes combater quando falas de pessoas que vivem de subsídios, sejam elas pensionistas, desempregadas, refugiadas ou sobreviventes, pouco te importa porque o teu lucro reside também nessa estúpida generalização. Repara, deves começar por saber que a generalidade dos subsidiários são subsidiários porque são contribuintes, alguns deles de verbas significativas que foram deduzidas dos salários, além dos impostos ao consumo. Já sei que queres cobrar o mesmo de imposto sobre o rendimento a quem recebe o salário mínimo e ao Rendeiro, ao Sócrates, ao Espírito Santo e a ti próprio, pois claro, que isto quando toca ao nosso interesse somos todos o quarto pastorinho de Fátima. Mas convenhamos, devias procurar saber, até porque já fizeste disso biscate, que os contribuintes, seja quando pagam, seja quando recebem parte do que pagaram, não são subsidiários por geração espontânea, são subsidiários porque foram contribuintes. Tu que foste do sistema toda a vida, sempre mais beneficiário do que contribuinte, és o expoente do que criticas, sem te dares conta do jogo de espelhos. Se não for demais para o quadrado que carregas sobre os ombros, espaço onde nem um esfarrapado democrata-cristão a cavalo foi capaz de encontrar uma ideia, trava lá esse ódio, não vá o ódio que tanto divulgas acabar a conspirar com violência contra ti próprio. Atenta também outros detalhes, não tão importantes mas também relevantes: sabes quantos pensionistas, desempregados, refugiados e sobreviventes fizeram a diferença? Sabes quantos contribuíram para vários anos de subsídios dedicados ao teu salário? Sabes quantos foram agraciados? Sabes quantos salvaram vidas? Sabes quantos fizeram história? Não sabes, que tu és esperto como os ratos mas, felizmente, pouco estudioso e tão frágil da masculinidade como da inteligência.

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CLICKBAIT: De Nick Brewer a Raquel Varela

Na série “Clickbait”, da Netflix, Nick Brewer é raptado e acusado de ter assassinado uma mulher. Aos cibernautas é pedido que divulguem o vídeo onde Nick segura cartazes onde supostamente assume a acusação e prometem consumar a vingança assim que o vídeo atinja os 5 milhões de visualizações. A série explora muito bem o ambiente doentio que se vive à volta da cultura do cancelamento, capaz de levar até às últimas consequências as conclusões sobre qualquer caso, mesmo quando se está longe de ter todos os elementos de análise sobre um determinado assunto. Para estes novos Torquemadas a verdade é um detalhe praticamente irrelevante, posto que jogam tudo na guerra pela percepção e nas respectivas consequências, em si suficientes, caso bem sucedidas, para atingir os seus objectivos.

Ao contrário do sistema de justiça, e também ao contrário do que devem ser os pressupostos do jornalismo de investigação, a justiça digital não precisa de factos, nem de contraditório, nem de verificação de dados. A acusação basta. A narrativa dessa acusação é o fio condutor que vai convencendo aqueles que clicam antes de pensar e aqueles que clicam com os olhos postos nos seus desejos e não na realidade. Em qualquer caso de clickbait importa mais a percepção do que a verdade, mas isso não basta para que todos acabem a comer gelados com a testa.

Nas últimas semanas, onde o “caso Raquel Varela” tem persistido em algum alinhamento, percebemos que aqueles que acusaram a historiadora de fraude, apostaram tudo nesse enviesamento, numa sucessão de estórias sem história, de casos sem casos, onde mais do que a verdade, prontamente desmentida com factos, bastaria a percepção da fraude para ganhar a maioria da opinião pública e ferir a credibilidade da figura nos vários contextos onde exerce a sua actividade. Ora, sem exorbitar da paciência de ninguém, vejamos o tema em cada um dos eixos que se foram sucedendo na imprensa que desistiu de fazer jornalismo:

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Portugal com Israel? Em nosso nome, não!

A Federação Portuguesa de Futebol não está à altura do país que representa. Nem tão pouco, quero acreditar, dos seus jogadores e adeptos. O meu país é outro. É o país que encheu o Martim Moniz contra a radicalização do colonialismo israelita, o seu apartheid e o genocídio do povo palestiniano. É o país que acolheu sempre com muito carinho as Flotilhas da Liberdade contra o bloqueio criminoso que Israel impõe à Faixa de Gaza desde 2008. É o país onde a maioria dos judeus não aceitam ser exportados para ir colonizar uma terra que não lhes pertence. É o país que reivindica uma cultura mediterrânea onde as culturas se partilham e não se combatem, onde as várias heranças se combinam sem síndromes caducas de superioridade. É o país que reconhece a legitimidade do Estado da Palestina. A Israel sobra apenas o poder do dinheiro e meia dúzia de trolls invertebrados que o defendem a troco de subvenções. Caso o jogo se mantenha que ao menos haja alguém a lembrar a parte de Portugal que nos orgulha e a envergonhar a parte de Portugal de que não nos faz falta nenhuma.

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Terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita | Do cessar-fogo à guerra por outros meios | Semana #3

Sobreviventes prestam homenagem às quatro vítimas do ataque aéreo

 

Quando daqui a poucos dias a Federação Portuguesa de Futebol vender o seu prestígio para ajudar a lavar as mãos de Israel, no último jogo de preparação para o campeonato da Europa, fará sete anos do ataque aéreo à praia de Gaza, que tirou a vida a quatro crianças que jogavam à bola. Escolho o dia da criança para lembrar este crime de guerra, num território que é vítima de crimes de guerra em número suficiente para ilustrar todos os dias e onde as crianças não têm nenhum sossego. Como diz Gabor Maté, sobrevivente de Auschwitz, médico e ex-sionista: “na Palestina as crianças não sofrem de stress pós-traumático porque nunca há o ‘pós’ e o trauma se acumula indefinidamente”. Fernando Gomes, presidente da FPF, Fernando Santos, treinador, Cristiano Ronaldo, capitão de equipa, e os jogadores que aceitem em silêncio este ultraje, devem saber que não estão a jogar um simples jogo de futebol. Estão a ser usados pela propaganda de um estado confessional e criminoso, para o ajudar a esconder o terror da sua natureza genocida. Temos provavelmente a melhor geração de jogadores de futebol de sempre, falta demonstrarem se são ser humanos à altura do seu talento. Apelo, do meu singelo lugar da arquibancada, para que se recusem a jogar e para que aproveitem a atenção da opinião pública para se juntarem ao lado certo da história, denunciando um regime que não pode continuar a ser normalizado por todos os campos da sociedade. Para Israel não se trata de um jogo, trata-se de um indulto que todos se devem recusar a subscrever. Todo o colaboracionismo é cúmplice, num tema onde a neutralidade joga a favor de quem agride.

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Terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita | Acompanhamento | Semana #2

Ao final da segunda semana a radicalização da ocupação israelita vê-se forçada a recuar, não obstante o seu poderio militar e a brutalidade da destruição imposta, sobretudo na Faixa de Gaza. A Palestina venceu em várias frentes, apesar das 250 vítimas, um terço delas crianças. Em 73 anos, Benjamin Netanyahu é o líder mais fragilizado da história do campo sionista e a resistência palestiniana ganha pela primeira vez o apoio de massas da opinião pública mundial. Israel estava apostado numa espécie de “solução final” com a sua radicalização, provocada estrategicamente a partir das questões de Jerusalém, mais saiu mais isolado que nunca, com um líder sem legitimidade, no limiar da guerra civil dentro das fronteiras da ocupação e com menos margem para continuar o genocídio do povo palestiniano com a impunidade com que o tem feito até agora.

Aqui fica o arquivo no Aventar do acompanhamento da segunda semana do conflito, da inédita greve geral ao cessar-fogo:

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Terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita | Acompanhamento | Semana #1

Crônica | Viagem à Palestina: parte II - Resistência | OpiniãoSemanalmente irei compilar no Aventar alguns dos textos que tenho escrito sobre a terceira intifada palestiniana contra a radicalização da ocupação israelita. Posto que a generalidade das redes sociais tem vindo a apagar conteúdos que não sejam pró-israelitas, farei o arquivo na plataforma WordPress, que não tem, até à data, histórico de censura digital alinhada com o sionismo.

#Nakba73 #SaveSheikJarrah #FreePalestine #JerusalemIntifada #PalestineUnderAttack #GazaUnderAttack #AlAqsaUnderAttack

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