Abjecção de consciência

“A democracia é precisamente o regime onde posições abjectas podem ser defendidas de forma legítima, da castração química de pedófilos às 35 horas de trabalho na função pública.” – João Miguel Tavares

 

Há quem use o adjectivo “genial” a propósito de tudo e, portanto, de nada. O uso excessivo desgasta qualquer material e as palavras não são excepção. Se tudo for genial, o que poderemos dizer de um génio?

João Miguel Tavares (JMT) exerce o seu direito ao uso da palavra “abjecção para classificar a proposta de castração química do Chega e do regresso a um horário de 35 horas semanais na função pública em 2015. Nada de novo: a direita, por crença ou por conveniência, segue a moda das falsas equivalências, andando numa esquizofrenia perigosa: ai, não gosto nada do Chega, mas o Chega tem os mesmos direitos que os outros, a esquerda é tão abjecta (ora cá está) como o Chega e o Chega cresce por culpa da esquerda.

Aproveitando o seu espaço no Público, JMT renova o seu direito ao uso de “abjecção” para classificar a injustiça das 35 horas semanais da administração pública, face às 40 dos privados. De qualquer modo, há mais histórias nesta história. [Read more…]

A mim não guiará a igreja.

A propósito do post de A. Pedro Correia, e aludindo ao comentário de “Odisseia” eu diria que a mim não guiará a igreja, em nada. Quanto à responsabilidade da igreja e do papa nos abomináveis crimes de pedofilia, venha quem vier e diga o que disser para aligeirar as coisas, que isso não passa de uma tentativa de atirar areia aos olhos de quem vê.

Em primeiro lugar, a carta do papa tenta focalizar, intencionalmente, esses sórdidos actos na igreja da Irlanda, como se de  uma situação endémica se tratasse, quando todos sabemos que eles invadem como uma epidemia quase todos os países e continentes.

As vítimas e muitas outras pessoas ficaram indignadas, porque as palavras do papa não são de molde a criar em nós um sentimento de credibilidade na sua sinceridade e naquilo que ele diz e sente. E compreende-se essa incredulidade dado ter sido este papa, quando cardeal Ratzinger,  um dos que mais se empenharam no encobrimento destes crimes, criando, nomeadamente, por escrito, há já alguns anos, normas, regras e directrizes, tácticas e estratégias, ministráveis aos membros do clero, no sentido de os ensinar a encontrar a melhor forma de esconder, escamotear e evitar o conhecimento e as denúncias de tais casos. [Read more…]