Declaração: eu não gosto dos Tokyo Hotel

Eu sou uma pessoa que respeita a opinião dos outros.  Tenho amigos que fazem parte de juventudes partidárias, tanto da JSD como da JS, tenho amigos comunistas,  embora estes não tenham coragem para se filiarem, tenho alguns que não sabem quem é o Primeiro-Ministro e em Inglaterra até conheço pessoas que inclusivamente vão votar no BPN  na próxima general election.

É também verdade que falo com pessoas que acham que os Delfins cantam bem e que um homem pintar o cabelo é aceitável e bonito. Amigas minhas adoram o Nicholas Spark e aquelas histórias em que alguém tem um cão e depois morrem com uma doença desconhecida e complexa. É assim, não tenho nada contra. Eu até conheço pessoas que acham que o Thomas Crowmell era boa pessoa e que Henrique VIII era um bom Rei (se bem que aqui a culpa é do J. Rhys Myers).

Mas há uma coisa que eu não tenho e dou graças a Deus por isso (não sei bem se agora se pode dar graças a Deus, isto agora com a pedofilia não se sabe. Tenho que rever o meu manual das coisas que são ou não socialmente aceitáveis). Eu não tenho amigos que gostam dos Tokyo Hotel. Porque eu posso tolerar a malta das jotinhas, a malta que acha que o Nick Griffin até tem boas ideias, a malta que acha que o Nicholas Spark é literatura, mas agora os Tokyo Hotel é algo completamente diferente. Temos que enfrentar isto: eles são maus. Não, a sério. Cantam mal, escrevem mal, não há nada de certo com aquele grupo de adolescentes. Pior que os Tokyo Hotel só mesmo as fãs dos Tokyo Hotel e talvez seja esta o cerne do problema.  Eu conheço pessoas que dormiram no chão por causa do concerto dos U2. Ok, mas são os U2. O Bono canta bem e faz coisas boas.

Os Tokyo Hotel têm aquele efeito que os Beatles tinham só que os Beatles eram bons. Há dois anos, acho eu, choravam e berravam na televisão porque o Bill tinha um problema na garganta e não podia cantar. Este ano esperemos que o Bill não tenha nada porque de novo aquelas cenas em directo é…mau. Sim porque os Tokyo Hotel vão voltar. E aproveitando as férias já há tendas no pavilhão atlântico. Eu devo ser a única que vai ter que trabalhar nas férias. A culpa é de História. E do bom gosto certamente.

As adolescentes da Guerra Junqueiro

A Av. Guerra Junqueiro estende-se (pouco) entre a Alameda D. Afonso Henriques e a Praça de Londres. Na Alameda, temos o Instituto Superior Técnico de um lado e do outro o Monumental Fontanário, que eu já tive o prazer de admirar por dentro, ver as enormes máquinas que sugam a água e a deitam de grande altura. No meio, um tapete verde de relva, onde miúdos e graúdos se divertem, famosa pela manifestação que nos idos de 70 travou a unicidade e destemperos revolucionários…

Depois é subir encostados à direita, onde podemos encontrar todas ou quase todas as marcas de roupa e perfumaria, com uns bancos à mistura. Belos prédios ( 6 assoalhadas que eu já lá andei a sonhar com um) sombreados por frondosas árvores e com garagem privativa no que começaram por ser quintais.

Já a chegar à Praça lá está a Mexicana e a sua famosa esplanada onde gerações de estudantes iniciaram amores e desamores, vitrine natural de gente bonita, onde se passam belas tardes no paleio ou a ler o jornal, mas lá dentro é que está o trabalho do Arqto Jorge Ribeiro Ferreira Chaves, com o seu passarinhário(?) com clarabóia de luz natural e envidraçado para se verem os pobres enclausurados. Mas o máximo, mesmo, está na parede o Painel Cerâmico ” Sol Mexicano” de Querumbim Lapa de Almeida ( por acaso tenho muitas dúvidas, sempre pensei ser do Abel Manta ou do Keil do Amaral) que tem sido defendido com unhas e dentes dos ataques ferozes de quem quer fazer da Mexicana mais um banco ou outra coisa qualquer, desventrando, claro está, o belo painel cerâmico…

Do outro lado temos a bela Igreja que podem apreciar na imagem, da autoria do arqtº António Lino, com a particularidade de ter três naves cercando o altar pela frente e pelos lados. Moderna, esbelta e bonita, cercada por jardins e belas estátuas e dominada pelo Ministério da Segurança Social, com os seus 32 andares (durante muito tempo o mais alto de Lisboa).

O cinema Londres, só com duas salas, onde se vê cinema sem coca-cola e sem barulho de maxilares alarves, com um raro toque de telemóvel a trazer-nos à realidade, volta as costas a um “fast-food” que tresanda…

As adolescentes é que, entretanto, já passaram, como todas em qualquer avenida em qualquer parte do mundo!

Mas dão um belo título!