AstraZeneca – E uma vacina para esta loucura?

“Muitos milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos anualmente na União Europeia por diferentes razões. O número total de episódios tromboembólicos em toda a população vacinada não parece ser mais elevado do que na população em geral”, acrescenta o comunicado. Até ao momento, “os benefícios da imunização com a vacina da AstraZeneca contra a covid-19, que tem riscos associados de hospitalização e morte, continuam a ultrapassar os riscos de efeitos secundários”, conclui a EMA -Agência Europeia do Medicamento.

 

Era o Vasco Pulido Valente que escrevia “O Mundo está a ficar perigoso” em inúmeros dos seus artigos de opinião. Imaginem o que diria hoje perante a novela da vacina da AstraZeneca.

Os jornais ingleses dizem que a UE está doida. A UE diz que a AstraZeneca está doida. Nós é que estamos a ficar doidos. Xalupas. Lélé da cuca. Nem meia dúzia de dias passaram sobre a esperança de uma abertura “quase plena” da economia no curto/medio prazo fruto das boas expectativas com as vacinas e os processos de vacinação. Nas notícias podíamos ler coisas como: “reservas de férias de verão do mercado alemão e britânico para Portugal, Espanha e Grécia sobem 600% com a perspectiva de vacinação em massa”. E nem dois dias passaram das notícias de aviões cheios de alemães rumo a Maiorca para a semana santa. E de repente…

De repente começam vários países europeus a suspender a vacina da AstraZeneca. Um a um. Só ontem: Portugal, Alemanha, França, Espanha, Países Baixos e Chipre. E porquê? Segundo o Público, “suspeita por estar relacionada com casos de formação de vários tipos de coágulos sanguíneos, com alguns casos de morte”. Quantos casos no todo? 30 em 5 milhões. Está montado o circo. E que circo. Numa altura em que Portugal se preparava para vacinar professores e assim abrir as escolas. Em que inúmeras companhias aéreas começavam a ter os seus voos cheios para a semana santa. E vários países a reabrir a economia. Ok, é favor desmontar as mesas e as cadeiras, recolher as camas de praia e regressar para dentro de casa.

Olhando para a bela relação entre a UE e a AstraZeneca e agora esta suspensão só posso finalizar com: Que comecem as teorias da conspiração.

In FAR med

Vamos lá ver se percebi bem. A maioria das farmacêuticas está em Lisboa. Há algumas no distrito de Coimbra. E a escolha da candidatura para a futura localização da Agência Europeia do Medicamento foi o Porto. Falhada a candidatura, Costa arranjou um rebuçado e quer mudar o Infarmed para o Porto. É isto, não é?

Embora rejeitando que a medida se trate de uma compensação pela perda da EMA, o ministro Adalberto Campos Fernandes acabou por admitir que se tratava do “reconhecimento pelo enorme trabalho feito pela região norte”. Esta ideia é, aliás, partilhada pelo coordenador de área da Saúde do grupo parlamentar socialista, António Sales: “É óbvio que não se pode ignorar que com a candidatura à EMA, foram criados projectos e expectativas. É uma questão de agora ser optimizado todo o investimento que se fez neste outro projecto com dimensão e escala”, sublinhou. [DN]

Portanto, vamos satisfazer “expectativas”. Era simpático atender a razões que não fossem do jogo político e outras que poderemos desconhecer. Vamos esperar por esses projectos para melhor se perceberem as motivações.

Por fim, no CDS apoia-se a medida, “é claro” e o PSD “saúda” a decisão. Grandes cínicos, que andaram a vender a ideia de menos Estado, para agora se colocarem do lado do Estado que resolveu actuar em toda a sua prepotência, sem sequer primeiro falar com os diversos protagonistas.