De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

CRM

Campo de refugiados de Moria, ilha de Lesbos, Grécia. Uma criança, possivelmente em fuga da eterna guerra na Síria, explica-nos, de forma simples, que estar fechado em casa, mesmo na esmagadora maioria das mais humildes que por cá temos, não é assim tão mau. Mau é ver tudo o que temos ser destruído por uma guerra, sermos obrigados a fugir da nossa terra, arriscarmos a vida na fuga e não irmos além da rede do campo de refugiados, onde nos sujeitaremos às condições sub-humanas que imperam em qualquer campo de refugiados, onde dividiremos uma tenda como esta com 5 ou 10 pessoas, não necessariamente da nossa família. De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

O choque de ventiladores

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Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.

Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]

A União Europeia ligada ao ventilador

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Na foto: dois imbecis holandeses

António Costa esteve muito bem, mas muito bem mesmo, a chamar os bois pelos nomes: as palavras do Ministro das Finanças holandês, que pediu uma investigação à falta de margem orçamental do governo espanhol para lidar com a pandemia, são, efectivamente, repugnantes. São repugnantes, irresponsáveis, negligentes e arrogantes. São mais um prego no caixão da União, que avança, triunfante, em direcção ao abismo da dissolução, para gáudio da extrema-direita. E são tudo que a União Europeia não precisa neste momento. [Read more…]

Brasil. Covid-19 já mata milhares… de neurônios.

A Covid-19 já chegou ao Brasil há mais de um mês. Os poucos dados atualizados e confiáveis indicam que o número de infectados só aumentam. Já são 4371 casos confirmados e 141 mortes até as 12h51 desta segunda-feira.

As proximas duas semanas serão decisivas na explosão de casos mas apesar de todas recomendações da OMS o dirigente maximo do país, Jair Messias Bolsonaro, contínua a minimizar os efeitos letais do vírus e tem incentivado em ações e discursos, a quebra do isolamento em nome da salvação da economia. A ultima dele foi sair às ruas de Brasília no domingo, cumprimentando seus eleitores. Em seguida declarou que é preciso combater o vírus como homem. Deve achar que será com um fuzil que venceremos a pandemia. Que o presidente brasileiro não entende muito de economia, isso já é sabido mas adotar uma postura que pode resultar num colapso muito maior na saúde e economia de toda a nação brasileira, é chocante.

As ações do presidente são apoiadas por seus eleitores e simpatizantes que estão promovendo manifestações (carreatas) pela abertura de escolas e comércio. Grande maioria empresários e dondocas em carrões, cansados de limparam a própria sujeira e cuidarem dos filhos (se é que o fazem pois já há registros de “serviçais” terem morrido ao pegar vírus dos patrões).

Enquanto isso governadores e prefeitos tem adotado uma medidas mais preventiva, fechando comércios, escolas e serviços, incentivando a população a se isolaram. Especialistas indicam que o Brasil terá muitas baixas. A mais otimista delas que li, indicava algo em torno de 40 mil mortes devido a Covid-19.

Não há certezas com relação aos números mas as previsões são de caos e uma crise sem precedentes. A parte da população que votou em Jair e acredita que o vírus é apenas uma gripezinha também sofrerão. Na verdade já sofrem. Seus neurônios, os poucos que tinham, já pereceram.

Crónica do Rochedo 33º – A pandemia europeia

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Quando Portugal procurou a ajuda dos seus parceiros europeus para a questão da violação dos direitos humanos em Timor, boa parte da Europa assobiou para o lado (então a Holanda…). Quando os países do sul da Europa precisaram de ajuda no combate à crise provocada pelo colapso financeiro de 2008/9, boa parte da Europa balançou entre o assobiar para o lado e o castigar esses “bebedolas”. Quando a Grécia se viu a braços (e continua) com o problema dos refugiados, boa parte da Europa fez de conta. Quando, hoje, perante uma pandemia sem precedentes a Itália pediu ajuda, parte substancial da Europa disse não ou, no melhor dos casos, nim.
A Europa está refém de uma doença infecciosa que se espalha entre parte substancial dos seus países, sobretudo a norte e centro, um vírus que se pode descrever como uma espécie de “eu quero lá saber dos outros países, do bem comum, o que importa é o meu interesse: o meu país, a minha economia, os meus problemas”. É uma pandemia europeia.

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Coronavírus: (quase) tudo o que precisa de saber

Oferecemos viseiras de protecção a profissionais de saúde e lares

Elogio

a Portugal in the war against nCoV-19

Crónicas do Rochedo 31º – Ainda o Turismo e os supostos apoios

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Depois da publicação da Crónica anterior, vou continuar a desenvolver a problemática económica que se avizinha para o turismo agora na óptica dos apoios já tornados públicos. Para se perceber a grandeza do problema é ler a crónica anterior.

Analisando o que já está previsto e publicado pelo governo (site IAPMEI e PME Investimento) e que se pode resumir a apoios de tesouraria e fundo de maneio, acrescentando os apoios ao sector da Restauração e Similares (profundamente dependentes do Turismo na Grande Lisboa, Área Metropolitana do Porto, Algarve, Madeira, Açores, Região do Douro e em muitas das nossas cidades), temos o seguinte:

Em praticamente todas as linhas de crédito os spreads bancários (sublinho, apenas no que toca aos spreads) variam entre um mínimo de 1,928% e um máximo de 3,278%. 

Não encontrei de quanto é o juro nem tão pouco, se existem, os custos bancários para processamento e afins destas medidas. Nem que tipo de garantias são exigidas.

Vamos lá ver se nos entendemos: 

Neste momento, todo o sector do Turismo assim como o da restauração e similares dele dependente estão numa realidade surreal: receitas zero. Para piorar a situação, a principal época de facturação está compreendida entre 15 de junho e 30 de setembro. Ora, como facilmente se compreende atendendo à realidade actual, a chamada “temporada de 2020” foi ao ar. Não se enganem, não vamos ter turistas estrangeiros a tempo de a salvar. Mais, é muito bonito ver algumas iniciativas que circulam pelas redes sociais com a temática do “ajude as nossas empresas e este ano faça férias em Portugal”. Desculpem mas não resolve. A estrutura existente está desenhada para uma realidade de, pelo menos, 20 milhões de turistas. O aumento incrível do número de hotéis (e similares), restaurantes, bares, lojas de lembranças (etc) e o correspondente aumento de trabalhadores nessa área não é sustentável apenas e só com o turismo interno. Nem a esmagadora maioria dos portugueses vão ter, no final de tudo isto, capacidade financeira para esse luxo a que se chamam férias. Pensem um pouco, com a excepção dos funcionários públicos, todos os outros portugueses terão, no mínimo e a correr bem, um corte de 30% nas suas receitas. A correr mesmo muito bem. E, já agora, para piorar o cenário, por exemplo, aqui em Espanha também circulam as mesmas iniciativas de este ano fazer férias em Espanha. Suponho que será um sentimento generalizado noutros países…

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Resolução do Conselho de Ministros – Estado de Emergência

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PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS

R 204/XXII/2020
2020.03.18

Resolução do Conselho de Ministros

No dia 18 de Março de 2020 foi decretado o estado de emergência em Portugal, através do Decreto do Presidente da República n.º 14-A/2020, de 18 de Março.
A Organização Mundial de Saúde havia qualificado a situação actual de emergência de saúde pública ocasionada pela epidemia da doença COVID-19, tornando-se imperiosa a previsão de medidas para assegurar o tratamento da mesma, através de um regime adequado a esta realidade, que permita estabelecer medidas excepcionais e temporárias de resposta à epidemia.

A situação excepcional que se vive e a proliferação de casos registados de contágio de COVID19 exige a aplicação de medidas extraordinárias e de carácter urgente de restrição de direitos e liberdades, em especial no que respeita aos direitos de circulação e às liberdades económicas, em articulação com as autoridades europeias, com vista a prevenir a transmissão do vírus.

É prioridade do Governo prevenir a doença, conter a pandemia, salvar vidas e assegurar que as cadeias de abastecimento fundamentais de bens e serviços essenciais continuam a ser asseguradas. Com efeito, urge adoptar as medidas que são essenciais, adequadas e necessárias para, proporcionalmente, restringir determinados direitos para salvar o bem maior que é a saúde pública e a vida de todos os portugueses.

A democracia não poderá ser suspensa, numa sociedade aberta, onde o sentimento comunitário e de solidariedade é cada vez mais urgente. Assim, a presente resolução pretende proceder à execução do estado de emergência, de forma adequada e no estritamente necessário, a qual pressupõe a adopção de medidas com o intuito de prevenir a transmissão do vírus e conter a expansão da doença COVID-19.

Estas medidas devem ser tomadas com respeito pelos limites constitucionais e legais, o que significa que devem, por um lado, limitar-se ao estritamente necessário e, por outro, que os seus efeitos devem cessar assim que retomada a normalidade. [Read more…]

Crónicas do Rochedo 30º – Turismo: Uma catástrofe à vista

Turismo de Portugal

Já não escrevia uma crónica há muito tempo. Ora, tempo é o que mais temos nestes últimos dias. Tempo para pensar e tempo para escrever. Perante a pandemia que estamos a viver existem vários sectores da nossa sociedade que enfrentam várias ameaças. Um deles é o turismo. Por ser dos sectores que melhor conheço profissionalmente, deixo aqui a minha análise baseada em factos e fontes e na experiência profissional. Podia escrever o mesmo sobre o turismo em Espanha e, sobretudo, na realidade que melhor conheço, as Baleares. Contudo, para já, prefiro analisar o problema português (aqui não será muito diferente).

Vamos começar pelos números:

O Turismo em Portugal representa 14,6% do PIB (dados de 2018) e 9% do emprego (dados de 2018) e 13,3% do total das nossas exportações (dados de 2018).

Tentando tornar a coisa mais simples de entender: 

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Covid-19 – apoios governamentais às empresas e protecção dos direitos dos trabalhadores

Ricardo Paes Mamede

Estive em reunião durante a manhã e ainda não tive tempo para analisar em detalhe as medidas anunciadas pelos ministros das Finanças e da Economia. Mas uma dúvida me surge desde já. Será possível que o governo não preveja nenhumas condições para as empresas que vão ter acesso aos apoios financeiros? Em particular, quem recebe apoios não tem de assumir compromissos quanto ao não despedimento dos trabalhadores?

Note-se que há vários motivos para os Estados apoiarem as empresas numa situação destas, uma delas é minimizar os despedimentos motivados por falta de liquidez. Se as empresas vão receber apoios sem terem de se comprometer com o pagamento de salários e o não despedimento de trabalhadores, já se está a ver o que vai acontecer: muitos oportunistas (e há-os aqui como em qualquer lado) vão pedir apoios, despedir trabalhadores e declarar falência de seguida. Para a sociedade como um todo o que teremos é mais desemprego e mais dívida pública. [Read more…]

Covid-19: porque morrem tão poucos na Alemanha?

AL

Na Alemanha, no momento em que escrevo isto, existem cerca de 15 mil infectados com o novo coronavírus. É o quinto país com maior número de infectados, atrás da Itália e do Irão, na casa dos 18 mil, de Itália, que ultrapassou os 41 mil, e da China, que ainda detém o recorde de 81 mil infectados.

Quando olhamos para o número de mortes por covid-19, contudo, a disparidade é gritante. Em Itália morreram 3405, na China 3132, no Irão 1284 e na vizinha Espanha perderam a vida 833 pessoas. Na Alemanha, o número de vítimas mortais não vai além das 44. O que explica esta disparidade? Objectivamente, não sei. Não tenho dados que me permitam lá chegar. Mas desconfio que o gráfico em cima poderá explicar alguma coisa.

O capitalismo em tempos de corona

DTJB

Foto: EPA (via Rádio Renascença)

Os Estados Unidos conseguiram a proeza de eleger Donald Trump presidente. Desde então, as proezas sucedem-se. De Trump já vimos quase tudo aquilo que não esperamos de alguém que dirige uma democracia ocidental. O racismo, a normalização do racismo e o elogio dos racistas. A xenofobia, a demonização do emigrante e o muro. A ignorância, a negação da ciência e as notícias falsas. A boçalidade, a falta de escrúpulos e ausência de uma espinha dorsal. A chantagem, a trafulhice empresarial e a corrupção. Nenhum dos seus antecessores ousou ir tão longe. [Read more…]

Diário da quarentena – A vida em tempos de Covid-19

Até agora o mais complicado tem sido arranjar comida. Apocalíptico eu sei, mas é verdade.

Viver em Londres significa que há tudo. Tudo, mesmo. O supermercado tem vegetais em espiral para quem não tem a maquinazinha em casa. Tem cenoura e batata-doce descascada em pacotes para quem não quer ter o trabalho. A fruta vem hermeticamente fechada. As sementes de romã vêm em caixas de plástico. Há dezenas de cereais, vários tipos de leite, e todo o género de comida pré-feita.

Viver em Londres significa, também, poder usufruir de tudo de todo lado. Os supermercados têm secções com produtos da Polónia ao Japão.

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Com toda a gente em casa, a factura da luz vai subir

Que fará a EDP?  Vai usar a almofada de 512 milhões de lucro em 2019 para minorar o impacto no bolso dos cidadãos ou facturar como de costume?

Fechar ou não as escolas

O Conselho Nacional de Saúde Pública diz que fechar escolas só com a autorização das autoridades de saúde.
A Direcção-Geral de Saúde concorda com o parecer do Conselho Nacional de Saúde Pública.
O Governo fará o que o Conselho Nacional de Saúde Pública decidiu. Mas este Conselho não decidiu nada – só remeteu para a Direcção-Geral da Saúde. Que concordou. Mas concordou com o quê?
Fui só eu que não percebi nada?