Livre arbítrio e imposição coerciva: descubra as diferenças


Faz-me imensa confusão, esta comparação disparatada entre a possibilidade do governo nos enfiar uma app telefone adentro, transformando agentes de segurança em monitorizadores de telemóveis, e os dados que entregamos voluntariamente aos Facebooques da vida. Será assim tão difícil de perceber a diferença entre uma imposição coerciva e uma decisão pessoal e voluntária?

Sejamos sérios: se eu, ou qualquer um de vocês, decide entregar informação pessoal a uma plataforma digital, bem ou mal, é de uma escolha livre que se trata. Uma escolha que pode ser revertida a qualquer momento. Se um governo decide impor uma aplicação, fazendo uso de multas e de patrulhamento policial, é o espírito da democracia que está a ser posto em causa. São os nossos direitos, liberdades e garantias que estão na prancha. [Read more…]

COVID-19, um genocídio

*Abílio Montalvão Nunes, Antropólogo

O Instituto Nacional de Estatística informou recentemente que em Portugal, nos últimos seis meses, morreram mais 5882 pessoas do que no mesmo período do ano passado. Destes óbitos, apenas 1852 foram atribuídos à Covid-19. Há um excesso, portanto, de 4030 óbitos em apenas seis meses, que se explica, evidentemente, pelo brutal bloqueio do acesso ao Serviço Nacional de Saúde, o qual cancelou milhares de actos médicos desde o advento da nova Pandemia decretada pela OMS e prontamente adoptada pela canalha burocrática e administrativa dos seus protectorados.

Governantes e quase todos os seus opositores limpam todos os dias os pés à Constituição da República portuguesa, suprimindo Direitos, Liberdades e Garantias de modo totalmente ilegal, estando em vigor, de facto, um Estado de Sítio não declarado nem legitimado nos termos e imposições constitucionais exigíveis a um Estado de Direito.

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Sobre o atribulado processo de desconfinamento, o oportunismo político e as várias narrativas que proliferam

1) Tal como muitos de nós previam, o desconfinamento, em grande parte forçado pela elite económica, com o alto contributo da obediência canina do governo, levou a que muitas pessoas baixassem a guarda, convencidas de que a pandemia tinha chegado ao fim. Não só não chegou, como pode perfeitamente piorar e colocar o país numa situação mais crítica do que a inicial, com custos ainda mais elevados para a saúde pública, para a economia e para a imagem de Portugal no exterior.

2) Por todo o lado, mas com especial incidência nas regiões de Lisboa e Algarve, multiplicam-se os ajuntamentos, desde festas ilegais a encontros “espontâneos” junto de bombas de gasolina ou zonas de divertimento nocturno, não esquecendo algumas manifestações, mais ou menos inevitáveis, mais ou menos desnecessárias, mas também cerimónias religiosas em Fátima, que foram já palco de pelo menos uma concentração de algumas centenas de pessoas, e onde hoje foi reportado um pequeno foco de contágio. Mas a Festa do Avante, que ainda não aconteceu – e que, a meu ver, não devia acontecer – é o único problema que inquieta algumas pessoas. Percebe-se bem porquê. [Read more…]

Nacional-parolismo em tempos de covid

PIC

Lamento ser o desmancha-prazeres, mas estou convencido que fomos a terceira ou quarta escolha para receber a final da Liga dos Campeões. Não deve haver muito quem se queira meter nisto, neste momento. E acrescento que isto pode correr duplamente mal. Por um lado, porque a zona de Lisboa está a braços com uma situação muito delicada, no que à propagação do vírus diz respeito. Por outro, porque se algo correr mal, nomeadamente a nível de contágios, os holofotes que chegarão de todo o mundo para cobrir a bola, serão os primeiros a crucificar a imagem imaculada que o turismo português ainda tem. E isso poderá causar danos irreparáveis da nossa galinha dos ovos de ouro.

Sei bem que não é uma opinião popular. O futebol é soberano e ai de quem se lhe oponha, seja lá de que maneira for. E essa soberania absoluta, quase totalitária, ficou bem evidente no momento de nacional-parolismo imortalizado pela foto em cima, com este grupo de simpáticos convivas, que, sem grande coisa para fazer, se reuniu para uma grande cerimónia protocolar de elogio desbragado ao grande conseguimento da pátria. Com honras de abertura de todos os telejornais, como se tivesse sido encontrada a cura para a covid-19. É o que temos.

Jair Bolsonaro: o pior gestor mundial da pandemia tem medo da verdade

JB

De longe o pior na gestão da crise sanitária, que começou por desvalorizar e apelidar de “gripezinha”, Jair Bolsonaro decidiu restringir o acesso aos dados da pandemia. Com o país mergulhado numa tempestade perfeita, com uma curva epidemiológica a subir a pique, dúvidas quanto à veracidade dos dados divulgados e suspeitas fundadas de fraude na contabilização do total de óbitos, Bolsonaro está refém da sua incompetência e negligência, e, sem surpresas, optou pelo caminho da opacidade total. Eis o regime que capturou o Brasil em todo o seu esplendor: incompetência, negligência, fraude, fanatismo, ocultação e desrespeito pela vida humana. E eis o que nos espera, se algum dia cairmos no erro de nos deixarmos levar pelo canto da sereia neofascista, cujo nome não pode ser mencionado, e que tenta, a todo o custo, aproximar-se do clã jihadista que se empenha em transformar o Brasil num regime autocrata.

Pandega pandémica em Lisboa


Após o desconfinamento e com os números da pandemia a subirem em Lisboa, ouvimos frequentemente aos responsáveis políticos e técnicos da saúde, queixumes que os cidadãos não estão a enfrentar o problema com seriedade. Ameaças veladas que pode ser necessário recuar, interditar praias, centros comerciais, grandes lojas e vários serviços do Estado permanecem encerrados, para nosso bem ao que dizem, enquanto a economia agoniza, aumentando o número de falências e consequente desemprego. Mas em Portugal as regras nunca são exactamente iguais para todos, senão vejamos: [Read more…]

Fim de semana de calor

But there is no [i]skin.
Kiko Loureiro

Music has its written language, but it’s audio.
Steve Vai

***

Durante toda a semana, esteve calor em Portugal. Foi semana de calor. E essa semana de calor terminou. Acabou-se o calor. Doravante, durante os próximos dias, provavelmente, estará frio em Portugal. Por isso, temos o título deste texto e, mais importante, deste oráculo:

Obviamente, dir-me-ão, trata-se do fim-de-semana. Não é uma semana de calor que termina, é um fim-de-semana com calor que começa ou se prevê. Então, se tão obviamente se trata de um fim-de-semana com hífenes, por que motivo lhos tiraram? Como já explicou António Emiliano, fim-de-semana não é o fim da semana e um bicho-de-sete-cabeças não é um bicho com sete cabeças.

É escusado perguntarmos o motivo de tal supressão a quem assinou de cruz o Acordo Ortográfico de 1990. Ainda nos respondiam com algo de semelhante a:

Fim-de-semana passa a fim de semana, porque agora facto é igual a fato (de roupa).

Continuação de um fim-de-semana com hífenes e votos de óptima saúde.

***

A pandemia neofascista

JB

Cartoon: Carlos Latuff

Nelson Teich, apesar do apelido que rima com Reich, não sobreviveu um mês no Ministério da Saúde de Bolsonaro. Entrou a 17 de Abril, para substituir Luiz Henrique Mandetta, demitiu-se a 15 de Maio, para ser substituído por (mais) um militar. O anterior foi corrido por insistir na importância do distanciamento social. Este demitiu-se por se recusar a recomendar a cloroquina, e por discordar da equiparação de salões de beleza e ginásios a serviços essenciais. Pobre Ministério da Saúde brasileiro, onde o conhecimento científico é enxovalhado e espezinhado, e o autoritarismo ignorante de Bolsonaro é quem mais ordena.

O senhor que se segue é o general Eduardo Pazuello, um militar de carreira sem qualquer tipo de formação na área da saúde. Contudo, Pazuello é detentor da melhor das qualidade para integrar o actual governo brasileiro: é amigo pessoal de Bolsonaro. Tão amigo que afirmou mesmo estar disponível para acatar qualquer medida imposta directamente pela presidente para a área da saúde. Com obediência cega e sem levantar questões. [Read more…]

Por favor, não matem os velhinhos (a menos que a “economia” exija o seu sacrifício)

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Rodrigo Constantino é um dos opinion makers mais influentes e seguidos do Brasil. Apresenta-se como “Economista, jornalista, liberal com viés conservador contra extremistas de todos os lados“, e é um dos mais fervorosos apoiantes de Jair Bolsonaro nas redes sociais. O debate político no Brasil atingiu um patamar de surrealidade tal, que um tipo que se assume “contra extremistas de todos os lados”, pode apoiar um extremista como Bolsonaro, sem se transformar numa anedota nacional.

Segundo este jornalista, em suma e sem perder muito tempo, os idosos devem estar preparados para se oferecer em sacrifício pela economia, tal como os jovens de 20 anos que vão para a guerra, como se a esses jovens fosse dada a possibilidade de escolher. No fundo, é aquilo que defendem inúmeros políticos conservadores e liberais, no Brasil, nos EUA e noutros pontos do globo, apesar da hipocrisia compulsiva que não lhes permite verbalizar que o modelo de sociedade que realmente defendem é o que melhor serve os interesses da elite económica e financeira, com a qual, regra geral, andam de mão dada. Morra quem tiver que morrer. [Read more…]

Ajustes directos, máfias partidárias e corrupção

Concordo com a proposta do CDS para a criação de uma comissão eventual de inquérito à compra de material médico para combate à pandemia, na sequência de uma série de dúvidas levantadas sobre os ajustes directos efectuados nesse contexto.

Bem sei que a urgência da situação implica decisões rápidas, e que a abertura de um concurso público seria incompatível com a celeridade necessária, mas é importante que se dissipem todas as dúvidas, nomeadamente aquelas que gravitam em torno dos contratos que envolvem João Cotta, antigo sócio do Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, e o Grupo Mello. [Read more…]

Semiautomaticamente correcto

MI

Foto: Jeff Kowalsky@Vanity Fair

À porta do capitólio de Lansing, capital do Michigan, um dos Estados mais atingidos pela pandemia, um grupo de manifestantes pró-Trump protesta contra as medidas de confinamento, empunhando armas semiautomáticas que, aqui pelo Velho Continente, apenas vemos nos filmes, normalmente norte-americanos. Ou no serviço militar, se decidirmos fazê-lo. Ou no covil do quadrilha, se optarmos por uma carreira no crime organizado.

Alguns destes manifestantes, que gritavam “Os tiranos devem ser enforcados”, referindo-se aos legisladores estaduais, e que comparavam a governadora democrata Gretchen Whitmer a Adolf Hitler, exigindo a sua prisão, devido às medidas de confinamento impostas naquele Estado, onde vários hospitais entraram já em ruptura, invadiram as galerias do parlamento do Michigan, com as suas AR-15 e AK-47. [Read more…]

Marcelo Rebelo de Sousa, o 1º de Maio e a direita trauliteira

MRS

Ainda sobre as comemorações do Dia do Trabalhador, aqui vai um excerto do decreto presidencial (Presidente da República = Marcelo Rebelo de Sousa) que renova o estado de emergência para a sua terceira e última fase. A renovação foi aprovada com os votos do PS, PSD, BE, CDS e PAN, as abstenções do PEV e do Chega, e os votos contra do PCP, IL e Joacine Katar Moreira.

O decreto, que não está sujeito a aprovação parlamentar, é da exclusiva responsabilidade de uma pessoa: Marcelo Rebelo de Sousa. Não vou transcrever o que está escrito na imagem, parece-me claro e o destaque é objectivo, mas vou dizer isto: resumir esta situação a uma cedência do governo ao PCP e à CGTP não é apenas um absurdo. É, apenas e só, mais um exercício de manipulação da direita trauliteira do costume, ancorada nos observadores e no Twitter. [Read more…]

Combater o vírus da evasão fiscal para salvar a União Europeia

TH

Imagem via Pressenza

Dinamarca, Polónia e França tomaram uma decisão muito sensata e corajosa, ao excluir todas as empresas sediadas em paraísos fiscais de qualquer apoio estatal, no âmbito do combate às consequências económicas da pandemia. O meu aplauso e votos de que o governo português tenha a mesma coragem e sensatez. Que este seja o primeiro passo para um boicote total da UE à evasão fiscal, e que todos os membros lhes sigam o exemplo. E que o segundo seja um projecto de harmonização fiscal no seio da União, para acabar com as práticas desleais e contrárias ao espírito que está na base da sua constituição, das quais países como a Holanda, o Luxemburgo e a Irlanda não querem abdicar. Se queremos sobreviver e sair desta crise com uma União Europeia mais coesa, mais justa e mais solidária, ao invés de ficarmos sentados a assistir ao seu colapso, o momento de agir é agora.

Pelo cancelamento dos exames nacionais do Ensino Secundário

Ensinar e aprender em tempo de crise

Tomada de Posição do Conselho Pedagógico da Escola Secundária de Camões

23 de abril de 2020

SOBRE A REALIZAÇÃO DE EXAMES NACIONAIS NO ANO LETIVO 2019/2020

 

Considerando que:

  1. A evolução da pandemia, conhecida como COVID19, é incerta quer em termos globais, quer no caso específico de Portugal.
  2. O pico da doença poderá ainda não ter sido atingido e, que na presente situação, quaisquer previsões para um eventual regresso às atividades letivas presenciais são totalmente prematuras.
  3. As condições definidas para a realização dos exames do ensino secundário por parte do Sr. Primeiroministro visam exclusivamente fazer deles um instrumento de acesso ao ensino superior.
  4. O recomeço das aulas presenciais previsto para maio tem apenas como objetivo a preparação dos alunos para os referidos exames.
  5. Essas aulas poderão pôr em causa a saúde pública de toda a comunidade escolar, obrigando ao levantamento do processo de isolamento, e que expõe a comunidade escolar a riscos desnecessários e de consequências imprevisíveis. Destaca-se, para este efeito, o facto de os jovens, por serem particularmente assintomáticos, se tornarem vetores de transmissão de grande risco.
  6. O novo calendário de exames irá inevitavelmente condicionar o início do próximo ano letivo, que deveria começar atempadamente de forma a poderem ser recuperadas as aprendizagens que ficaram atrasadas no corrente ano letivo.

O Conselho Pedagógico da Escola Secundária de Camões decide:

  1. Exigir ao Ministério da Educação o cancelamento dos exames do ensino secundário.
  2. Solicitar ao Ministério da Educação, em coordenação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que elabore novas formas de acesso ao ensino superior válidas para o corrente ano letivo e que não passem pela ponderação de qualquer tipo de exames realizados em 2020.
  3. Divulgar o mais amplamente possível a resolução ora aprovada junto de escolas, organizações representativas da comunidade escolar e população em geral.

Dias de Revelação

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[Pedro Antunes]

Um dia vamos descobrir que estes foram alguns dos melhores dias da nossa vida.
O período em que descobrimos o valor de tanto que tomávamos como garantido.
Para alguns, os dias foram melhores porque os puderam passar com as pessoas que mais amam, com todo o tempo do mundo para os amar.
Outros descobriram agora que afinal não era esta a vida que queriam. Não são estas as pessoas com quem querem viver.

Quem está sozinho sofre mais, mas quem sabe se não está mais acompanhado do nunca.
Solidários e abertos ao mundo, descobrem novas amizades à janela da casa ou nas portas que se abrem na internet.
Vamos à janela e vemos o mundo mais quieto do que nunca. Não há pressa sem sentido. As pessoas vivem o que têm de viver e não sentem a angústia de demonstrar que são úteis numa sociedade que nos força a ser o que não somos.
Uma longa aprendizagem. Como se todos sofrêssemos de uma doença grave e esperamos pela cura para que voltemos a viver, mas desta vez com os olhos abertos para o que realmente interessa.

Fotografia: Nuno Conceição website facebook instagram

Crónicas do Rochedo 38 – Tempos de Excepção, medidas de Excepção

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O que acontece se o sector da Restauração e similares (restaurantes, bares, cafés, confeitarias, etc) não recupera rapidamente?

Nenhum problema, eu sou agricultor e produtor de fruta e legumes, continuo a plantar e a mãe natureza encarrega-se do resto”. Errado: o sector da Restauração e Similares é o principal consumidor de frutas e legumes. Sem ele o agricultor terá de fazer como já se vê em muitos dos países atingidos pela pandemia: deixar na terra a maioria da sua produção por não ter quem compre. O mesmo no caso dos produtores de gado.

Nenhum problema, eu sou produtor de vinhos e as uvas continuam a nascer e o vinho a produzir-se”. Errado: o sector da Restauração e Similares é o principal comprador de vinhos a nível mundial. Sem restaurantes e bares bem que os produtores de vinho terão de reduzir em 75% a sua produção.

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Stop the madness!

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[Marco Faria]

Trump não era apenas um ignorante, um arrogante e um irresponsável à frente da maior potência mundial. Passou a ser um caso extremo de saúde pública…e de insanidade mental.
A Sala Oval tem um homem das cavernas a gerir uma crise, que já matou mais de 51 mil americanos. O Aprendiz parece um Nero dos tempos modernos. Não sabe tocar harpa, mas o monstro come pipocas, enquanto espera que o fogo apague com lixívia. Só o Brasil roça o absurdo com o seu covid-evangelista.
A pandemia virou manicómio.
Stop the madness!

Grândola

Críticas leva-as o vento

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[Anabela Laranjeira]

Hoje, por curiosidade, estive a ver as duas “aulas” para o 1ºCiclo na RTP Memória. Fui apanhando também, sem surpresa, a chuva de críticas às professoras que lá apareceram.
Concordo que, para actrizes, são bem canastronas, mas eu não faria melhor figura. Não sei que imagem têm vocês, os das críticas, da figurinha que fazem frente a câmaras.

O Matias viu comigo a professora Isa e gostou muito da história da Mosca Fosca; até já conhecia a história, e respondeu com ânimo às perguntas que ela ia fazendo. As crianças, em geral, identificam-se com a figura dos professores. Têm-lhes respeito e manifestam empatia, a empatia que vocês, os das críticas gratuitas a quem trabalha, não têm.

Li muitos comentários parvos por aqui, tenham juízo! A professora Isa não é contadora de histórias, também não é animadora de festas de anos, não critiquem a forma autêntica como se vestiu e como leu a história. Ela é isso mesmo, uma professora, não é a Xana Tok Tok! Mudem para o Canal Panda se querem mais ânimo amigos.
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Embargar a China? Why not?

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Não querendo entrar em teorias rebuscadas sobre a origem do novo coronavirus, de natureza conspirativa, parece-me inegável que a China foi desonesta com o resto do mundo, ao ocultar, deliberadamente e durante várias semanas, a gravidade do problema que tinha em mãos.

Vai daí, é meu entendimento que o mundo deve exigir à China compensações financeiras pelo caos que a sua opacidade aprofundou. Vou ainda mais longe: parte significativa do Plano Marshall que a Europa e o mundo vão precisar, quando a crise económica que já se sente ocupar o primeiro plano das nossas preocupações, deve ser assumido por Pequim.

Caso a China decida não colaborar, defendo que deve haver coragem, pelo menos do mundo democrático, em impor sanções pesadas, e, eventualmente, um embargo total. De caminho, e pensando apenas no espaço europeu do qual faço parte, parece-me que estamos perante o momento ideal para um plano ambicioso de reindustrialização da Europa, capaz de, simultaneamente, gerar emprego e acabar com a dependência das importações chinesas. Isto será absolutamente crítico em sectores como o têxtil ou o automóvel, apenas para citar dois exemplos.

Naturalmente, tal intenção enfrentará poderosas forças de bloqueio, não só da própria China, como do sector financeiro e da grandes multinacionais ocidentais, cujos lucros, estratosfericos, dependem dos baixos custos de produção e de matérias-primas que a grande fábrica do totalitarismo chinês lhes proporciona. Mantendo o actual status quo comercial, é praticamente impossível ao Ocidente competir com um regime que explora a mão-de-obra, ignora direitos laborais e não respeita direitos humanos.

Ainda no campo dos interesses do modelo económico ocidental, importa realçar que a China é hoje um dos maiores mercados de consumo a nível mundial e um dos maiores clientes de produtos de luxo produzidos pela Europa e pelos EUA. Um embargo total à China resultaria numa perda significativa de vendas para inúmeras marcas, do sector da moda ao automóvel entre muitos outros. E o capitalismo, que não se deixa abalar por contradições éticas ou morais, dificilmente cederá. É o lucro que importa, não os direitos humanos. Muito menos a democracia.

Assim, encontramo-nos numa encruzilhada. Por um lado, estamos reféns de um regime comunista totalitário, que controla e comanda parte significativa da economia mundial, incluindo empresas estratégicas na Europa e EUA. Por outro, estamos nas mãos de multinacionais e instituições financeiras, que se deitam com qualquer oligarca ou autocrata que lhes pague o preço certo em euros. Ou dólares. Ou yuans. Talvez precisemos de uma revolução. E os ares de Abril costumam ser propícios para derrubar ditaduras. Why not?

Crónicas do Rochedo 37 – Já alguém avisou quem nos governa?

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Há quase um mês, mais precisamente a 20 de Março escrevi a primeira crónica sobre a verdadeira catástrofe económica que se avizinhava com a queda do turismo fruto da pandemia. Mais tarde, abordei a questão dos supostos apoios lançados pelo governo e depois sobre outro sector com uma ligação muito forte ao turismo, o da restauração e similares.

Hoje, em Espanha, começam a surgir os primeiros números da realidade. Todos eles explicam que as previsões negativas apontadas pelo FMI afinal são mais optimistas que a realidade. A média apontada para a queda do sector em 2020 é de 81,4% do PIB. Sendo a menor nas Canárias (-76%) e a maior nas Baleares (-95%) e na Catalunha (-84%). Neste momento o sector já aponta para perdas superiores a 124 mil milhões de euros em 2020. Recordo que o Turismo e Similares representa cerca de 12,5% do PIB espanhol e 15% do PIB português.

Estes valores significam uma queda do PIB em Espanha (e em Portugal, não se iludam) superior, bem superior, à prevista pelo FMI no final da semana passada. Ora, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desaconselhou os europeus a marcar férias em Julho e Agosto. Na passada sexta, a Ministra do Trabalho espanhol foi mais longe, ao afirmar que não acredita que as restrições actuais existentes no que toca ao turismo possam ser levantadas antes do final do ano. Para piorar, a IATA reviu em baixa as suas previsões anteriores apontando que o tráfico aéreo talvez atinge um valor de 50% do normal no último trimestre do ano e o tráfico aéreo interno talvez chegue aos 50% no terceiro trimestre. Por isso mesmo, uma parte dos empresários do turismo nas Baleares assim como em Benidorm já assumiu que nem sequer vão abrir este ano, independentemente de serem ou não levantadas as restrições colocadas pelo governo espanhol.

O caso português não será muito diferente. Não será mais positivo. Podem esperar, se nada de concreto e real for feito antes, com no mínimo mais de 2 milhões de pessoas atiradas para o desemprego só neste sector e nos sectores com ele conexos. Milhares de micro, pequenas e médias empresas falidas. Mesmo acreditando (tenho muitas dúvidas) nos que dizem que em 2021 teremos uma recuperação do sector em 50% e que em 2022 já estará em valores normais, será preciso que as empresas e os postos de trabalho lá cheguem. Os custos para o Estado, para o país no seu todo, serão maiores que os custos das ajudas directas que o sector vai precisar para chegar vivo a 2021. Se o Governo e os partidos que o apoiam (BE e PCP), mais o PSD não perceberem isto, vai ser trágico para a economia nacional no seu todo e por vários anos.

Em Espanha acordaram hoje para os números desta catástrofe e para a necessidade de um plano de resgate urgente. Em Portugal alguém avise quem de direito…

A trafulhice fiscal das Holandas desta vida

TH

Panama Papers, Swiss Leaks ou o famoso “double Irish, Dutch sandwich” (se não estão familiarizados com a expressão, sugiro que a pesquisem e se maravilhem com os embustes que são o milagre irlandês e ética financeira holandesa), existem esquemas para todos os gostos e à medida de cada evasor fiscal. E todos eles, sem excepção, contam com a participação de “respeitáveis” instituições financeiras europeias e norte-americanas. E de estados-membros da União Europeia. E com a inércia e o silêncio cúmplice da Comissão Europeia. Ou não estivessem, todos eles, nas mãos dos principais beneficiários dessa trafulhice. Sim, trafulhice. Deixem-se de politicamente correctos e chamem os bois pelos nomes. É trafulhice, sim. E é trafulhice feita à custa de milhões de pessoas, que pagam a factura em doses cavalares de austeridade, independentemente do nome que se decide, em cada momento, dar a essa austeridade.

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Sobre o insulto gratuito da TVI ao Norte de Portugal

TVI

Sobre o insulto gratuito da TVI ao Norte de Portugal, é preciso, antes de mais, clarificar um aspecto muito importante sobre este caso: não são os lisboetas, ou sulistas, ou whatthefuckever que se acham coisa nenhuma. A TVI não representa o Sul, nem Lisboa, nem porra nenhuma abaixo do Rio Douro. Representa-se a si mesma, com o jornalismo sensacionalista que pratica, com o entretenimento medíocre que transmite. Por vezes, representa também a voz do dono, como quando, no final de 2015, lançou o pânico sobre o hipotético encerramento do Banif, levando imediatamente a uma queda abrupta do seu valor em bolsa, precipitando uma corrida aos depósitos e permitindo ao Santander adquirir a posição do Estado no banco a preço de saldos. O facto do banco Santander ser accionista de referência do grupo Prisa, que, por sua vez, era e (penso eu) continua a ser dona da TVI, não teve nada a ver com o assunto. Se é para conspirar, vamos conspirar sobre coisas sérias, tipo mortes por Covid-19 em massa no SNS, que o governo está a ocultar numa vala comum nas Berlengas, com ajuda do silêncio cúmplice de todos os partidos, OCS’s e dos familiares dos defuntos, todos pagos para se calarem. [Read more…]

“Vai Ficar Tudo Bem”

“O dia-a-dia de uma pessoa de 89 anos quando se vê privada da sua liberdade, sem entender bem a dimensão da tragédia.
A ordem é clara: FICA EM CASA e ela ficou!
Uma homenagem, uma celebração de uma longa e feliz vida e de uma amizade que se estreitou com o confinamento obrigatório!” – Débora Sousa

Bolsonaro e o vírus evangélico

A farsa evangélica, vírus altamente contagioso que corrói o Brasil há décadas, como outros fanatismos religiosos, operados por vigaristas que fazem da fé e da ignorância dos mais vulneráveis um negócio canalha e altamente rentável, continua sem vacina. Os milionários do dízimo continuam a vender água milagrosa do Rio Jordão, políticos de todas as cores continuam a oferecer-lhes a cabeça da laicidade numa bandeja, enquanto abanam o rabo, e o assalto prossegue, triunfante. [Read more…]

Vírus de direita

Alt-Covid

Três palermas sem escrúpulos, três desastres no combate ao coronavírus, três negligentes que colocaram milhões em risco. Seja a fascista terraplanista, a troglodita egomaníaca ou a populista de tablóide, a direita que domina a cena internacional representa um perigo maior para a saúde pública que o próprio coronavírus. Uma curva exponencial de estupidez sem fim.

O editorial esquerdalho do Financial Times

KM

O editorial que se segue foi publicado no Financial Times, sendo a tradução da autoria de João Rodrigues, perigoso ladrão de bicicletas. Tentem não entrar em pânico, não baixem a guarda, mas preparem-se: os esquerdalhos andam aí e querem comer os vossos filhos ao pequeno-almoço.

A existir um raio de esperança no Covid-19, este é a injecção de um propósito comum em sociedades polarizadas. Mas o vírus e o confinamento económico necessário para o combater, também lançaram uma luz horripilante nas desigualdades existentes, para lá de terem criado novas desigualdades. Para lá de derrotar a doença, o grande teste que todos os países enfrentarão em breve consiste em saber se os actuais sentimentos de propósito comum moldarão a sociedade a seguir à crise. Como os líderes ocidentais aprenderam na Grande Depressão e depois da Segunda Guerra Mundial, a exigência de um sacrifício colectivo implica oferecer um novo contrato social que a todos beneficie.

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De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

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Campo de refugiados de Moria, ilha de Lesbos, Grécia. Uma criança, possivelmente em fuga da eterna guerra na Síria, explica-nos, de forma simples, que estar fechado em casa, mesmo na esmagadora maioria das mais humildes que por cá temos, não é assim tão mau. Mau é ver tudo o que temos ser destruído por uma guerra, sermos obrigados a fugir da nossa terra, arriscarmos a vida na fuga e não irmos além da rede do campo de refugiados, onde nos sujeitaremos às condições sub-humanas que imperam em qualquer campo de refugiados, onde dividiremos uma tenda como esta com 5 ou 10 pessoas, não necessariamente da nossa família. De repente, a nossa sala parece maior, não parece?

O choque de ventiladores

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Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.

Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]

A União Europeia ligada ao ventilador

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Na foto: dois imbecis holandeses

António Costa esteve muito bem, mas muito bem mesmo, a chamar os bois pelos nomes: as palavras do Ministro das Finanças holandês, que pediu uma investigação à falta de margem orçamental do governo espanhol para lidar com a pandemia, são, efectivamente, repugnantes. São repugnantes, irresponsáveis, negligentes e arrogantes. São mais um prego no caixão da União, que avança, triunfante, em direcção ao abismo da dissolução, para gáudio da extrema-direita. E são tudo que a União Europeia não precisa neste momento. [Read more…]