A sede da CPLP deveria ser transferida para o Porto

A CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, é uma organização internacional que congrega países lusófonos que, segundo afirma a própria instituição, são “nações irmanadas por uma herança histórica, pelo idioma comum e por uma visão compartilhada do desenvolvimento e da democracia”.

A CPLP afigura-se, no presente e no futuro, uma estrutura fundamental da política externa portuguesa, não apenas no domínio da língua e da cultura, mas nos domínios cujo desenvolvimento pode por elas ser potenciado, com base num património histórico e identitário comum. 

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A privatização do Infarmed

O “grupo de trabalho” criado para avaliar o impacto da mudança do Infarmed de Lisboa para o Porto produziu um relatório onde afirma, entre outras coisas, que se deve “contemplar em legislação excepcional compensações aos funcionários em deslocação ou alterar a natureza jurídica do Infarmed, de instituto público para entidade reguladora independente”.

Ou seja, se o Infarmed não vai para o Porto a bem, vai a mal:

– Privatiza-se.

Não seria este, afinal, o principal objectivo desta polémica?

A novela do Infarmed

Uma cidade faz-se e cresce a partir da força das suas instituições e da massa crítica que consegue gerar. Essa massa crítica resulta não apenas do grau de consciência cívica dos seus cidadãos e do modo como estão prontos a colocá-la ao serviço da cidade, mas também do seu lastro histórico, ou seja, de como e em que medida essa massa crítica foi construindo Cultura (Civilização) aos longo dos anos e dos séculos, sedimentando-a num corpo colectivo e identitário chamado Cidade. Uma Cidade não é um lugar onde vão muitos turistas que pagam para se divertir. Isso é um bordel.

Vem isto a propósito da inaceitável instrumentalização de importantes instituições do país, a que se assistiu na novela da putativa transferência do Infarmed para o Porto, já antes agravada por uma brincadeira eleitoral que teve como epicentro a Agência Europeia do Medicamento e uma “candidatura” vergonhosa, feita numa capela, que colocou em causa não apenas a credibilidade do Porto, mas a de Portugal como um todo.

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O Infarmed e a descentralização

© Expresso

O episódio bizarro do anúncio de deslocalização do INFARMED para o Porto veio de novo acender a discussão estéril sobre a descentralização de poderes e recursos do Estado democrático, abrindo mais uma vez uma janela de oportunidade à demagogia fácil e ao discurso provinciano e pseudo-erudito do cacique local, cheio de razões de queixa da macrocefalia do Terreiro do Paço.

Esta refrega retórica cinge-se, normalmente, a uma berraria de sentido único, para consumo mercantil de paróquia, sendo aqui e ali polvilhada com tiradas de sociologia de feira cujo propósito é capitalizar emoções colectivas primárias, instintos de bairro mais próprios das bancadas de um estádio de futebol, do que dos fora democráticos aos quais pertence por direito a discussão séria sobre o assunto. E a discussão séria sobre o assunto não pode ser feita com dirigentes locais que tanto enchem autocarros com gente vestida de samarra, carregando chouriços e garrafões de vinho para ir cantar as janeiras a um palácio de Lisboa, como atam ao pescoço uma gravata fina e fazem discursos de Estado sobre os méritos inefáveis da Regionalização. Méritos esses sem segredos para o bom cacique, como é sabido.

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Infarmed: o regresso do papão “elitista de Lisboa”

Ou como dizer nada sobre coisa nenhuma.

In FAR med

Vamos lá ver se percebi bem. A maioria das farmacêuticas está em Lisboa. Há algumas no distrito de Coimbra. E a escolha da candidatura para a futura localização da Agência Europeia do Medicamento foi o Porto. Falhada a candidatura, Costa arranjou um rebuçado e quer mudar o Infarmed para o Porto. É isto, não é?

Embora rejeitando que a medida se trate de uma compensação pela perda da EMA, o ministro Adalberto Campos Fernandes acabou por admitir que se tratava do “reconhecimento pelo enorme trabalho feito pela região norte”. Esta ideia é, aliás, partilhada pelo coordenador de área da Saúde do grupo parlamentar socialista, António Sales: “É óbvio que não se pode ignorar que com a candidatura à EMA, foram criados projectos e expectativas. É uma questão de agora ser optimizado todo o investimento que se fez neste outro projecto com dimensão e escala”, sublinhou. [DN]

Portanto, vamos satisfazer “expectativas”. Era simpático atender a razões que não fossem do jogo político e outras que poderemos desconhecer. Vamos esperar por esses projectos para melhor se perceberem as motivações.

Por fim, no CDS apoia-se a medida, “é claro” e o PSD “saúda” a decisão. Grandes cínicos, que andaram a vender a ideia de menos Estado, para agora se colocarem do lado do Estado que resolveu actuar em toda a sua prepotência, sem sequer primeiro falar com os diversos protagonistas.

INFARMED acrescenta um “novo” efeito adverso à Ritalina

A comunicação social deu ontem, 14 de Março de 2017, notícia de que o INFARMED tinha actualizado durante a tarde a “bula da substância metilfenidato”, o principal princípio activo de medicamentos como a Ritalina, usada no “tratamento” da Hiperactividade e Défice de Atenção.

Esta actualização serviu para incluir um “novo” efeito adverso, que dá pelo nome de Priapismo.

Esta informação que o INFARMED adianta agora sobre a Ritalina e outros medicamentos contendo Metilfenidato, foi anunciada já em Dezembro de 2013, há mais de três anos, pela FDA (U.S. Food & Drug Administration), a autoridade do medicamento dos Estado Unidos.

Sabe-se que os protocolos seguidos nos Estados Unidos, no que à política dos medicamentos diz respeito, são diferentes dos europeus. Ainda assim, trata-se de mais um efeito adverso grave, e mais grave ainda se tivermos em conta que este medicamento é prescrito a crianças, não se compreendendo muito bem este “atraso” na correcção da bula.

Algo vai mal no reino da Ritalina.

 

Imagem: Internet

Alguns riscos da Ritalina segundo o INFARMED

Risco cerebral vascular – Enxaquecas, acidente vascular cerebral e vasculite cerebral: as secções relevantes do RCM e FI devem ser alteradas de forma a harmonizar a informação de segurança existente.

Risco de distúrbios psiquiátricos – Comportamento agressivo, depressão, psicose, mania, irritabilidade e ideação suicida: a utilização de metilfenidato pode causar ou agravar alguns distúrbios psiquiátricos, pelo que todos os doentes devem ser cuidadosamente avaliados relativamente a este tipo de distúrbios antes de se iniciar o tratamento e devem ser regularmente monitorizados relativamente a sintomatologia psiquiátrica, durante o tratamento. Os termos “concentração excessiva” e “comportamentos repetitivos” reflectem efeitos observados do metilfenidato, devendo ser adicionados como efeitos adversos possíveis ao RCM e FI.

Efeitos sobre o crescimento – Para assegurar que qualquer eventual efeito sobre o crescimento seja minimizado, devem ser incluídas no RCM e FI orientações sobre monitorização regular (altura e peso dos doentes) e advertências melhoradas e harmonizadas.

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Ritalina ou a lobotomização química preventiva

Um aumento exponencial do consumo de Metilfenidato (Ritalina) entre as crianças, com custos a rondar os 8 milhões de euros, a ser verdadeira a informação prestada pelo Infarmed, ainda assim extremamente lacónica. Já os esclarecimentos prestados pelo presidente do Conselho Nacional de Educação não são apenas lacónicos, mas denotam, numa visão benigna, preocupante falta de informação.

A infância é uma doença

“Recentemente, um professor disse-me que quando olha para adolescentes que estão a ser medicados há anos com ritalina se lembra do que os electrochoques faziam aos internados no filme de Milos Forman, Voando sobre um Ninho de Cucos. É abusiva esta visão?”

Esta é uma das perguntas que a jornalista do Público, Clara Viana, faz ao bastonário da Ordem dos Psicólogos, numa entrevista de leitura obrigatória publicada hoje.

A Ritalina é uma das marcas comerciais do Metilfenidato, princípio activo da maioria dos medicamentos usados para “tratar” crianças com diagnóstico de Hiperactividade e Défice de Atenção. Foi precisamente a Ritalina que nos idos anos de 1969 e 1973 retirou o título de vencedor da Volta a Portugal em bicicleta a Joaquim Agostinho, pois era uma substância proibida em Portugal e foi detectada num controlo antidoping feito ao ciclista.

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Havia necessidade? Governo de cobardes!

Bastou o homem apontar-lhe o dedo e dizer que o ia encontrar. O medicamento já está a caminho. Shame, shame, everybody knows your name!

History DIY

history

Numa das incubadoras de boys, secção azul, vivem-se tempos agitados, com direito a um momento História-DIY, mas sem terem previamente lido o livro de instruções. A linha retórica consistiu em enumerar umas quantas desgraças, numa perspectiva maniqueísta de socialismo mau e capitalismo, depreende-se, bom. Não valendo a pena defender nenhum dos lados e apenas para recolocar as coisas em perspectiva, de repente lembro-me do Vietname, do Iraque e de mais uma catrefada de sítios com petróleo. Tanto trabalho para chegar à punch line de chamar paleomarxista ao João José Cardoso, parecendo-me parvo, até é uma forma de elogio. Bolas João, configuras no manual de História de algumas pessoas! [Read more…]

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