Acordo Ortográfico: a gaguez de Francisco José Viegas

Esta entrevista a Francisco José Viegas (FJV) sobre o Acordo Ortográfico (AO) é um amontoado de gaguez, de indefinições e de disparates. Depois de ter ouvido atentamente, limito-me a aglomerar, também eu, alguns comentários, tentando gaguejar menos, definir melhor e evitar o disparate.

Francisco José Viegas começa por confessar que há coisas no AO de que gosta e outras de que não gosta, o que é irrelevante, porque a discussão sobre este assunto só faz sentido a partir do momento em que não se fale de gosto.

Depois, e após relembrar que o AO está a ser discutido há vinte anos, afirma que foi discutido à última da hora, o que é muito semelhante a um paradoxo. Sobre este arremesso alegadamente tardio, aproveita para ironizar acerca de uma tendência lusa para esperar até ao último momento e contestar uma medida há muito anunciada. FJV revela, assim, um profundo esquecimento acerca dos vários pareceres dados por especialistas.

Aproveitando a deixa de FJV, e analisando um outro tique português, a verdade é que, nas questões ligadas às Ciências Humanas e Sociais, há uma tendência do poder e da opinião pública para desprezar repetidamente os contributos dos especialistas nas matérias. Assim tem sido com a Educação, com o desprezo a que são votados avisos e contributos dos professores, e assim tem sido com a questão do Acordo Ortográfico, em que os muitos pareceres emitidos por linguistas foram ignorados e  considerados manifestações de mera caturrice. [Read more…]

Contra o Acordo Ortográfico: o que não interessa

A discussão sobre o Acordo Ortográfico (AO90) não está esgotada. Hoje, e ao longo de mais sete textos, procurarei dar o meu contributo para o debate, sabendo que será praticamente impossível ser original, tal a quantidade de contendores que tem versado o assunto. Procurarei, ainda assim, sintetizar, divulgar e organizar muita da argumentação entretanto produzida.

No debate sobre o AO90, tem havido demasiado ruído para que esse mesmo debate seja efectivo e, portanto, consequente. Entre a confusão de declarações importa definir, antes de tudo, de que é que não falamos, quando falamos sobre o AO90.

Há, por exemplo, quem afirme que não devemos adoptá-lo porque somos os donos da língua e que, portanto, a haver sujeição, deveriam ser os outros países a acatar o que lhes quiséssemos impor. Tudo indica que tais afirmações terão origem num complexo resultante de um desejo de regressar aos tempos colonialistas. [Read more…]