Para se ser de Direita é obrigatório ser-se estúpido, ignorante ou insensível?

Tenho amigos suficientes de vários quadrantes políticos para saber que todos temos os nossos tiques: o cabelo desalinhado da esquerda face ao risco ao lado da direita, a camisa aos quadrados do comunista contra o pullover sobre os ombros do democrata-cristão e outras parvoíces sem importância nenhuma que poderia ficar o resto da tarde a desenvolver, recorrendo a graçolas semióticas de trazer por casa.

Como é evidente, para se ser de Direita não é obrigatório ser-se estúpido, ignorante ou insensível, até porque isso poderia levar a que pessoas de Direita e de Esquerda se pudessem confundir.

Acredito, em contrapartida, que as pessoas inteligentes, informadas e sensíveis, sejam elas de Esquerda ou de Direita, estejam mais próximas do que distantes. Não me espantaria, portanto, que, independentemente das diferenças ideológicas, todos considerassem que as crianças constituem, por assim dizer, um património inestimável que deve estar salvaguardado e que é da responsabilidade de toda a aldeia, de toda a sociedade. [Read more…]

Sou contra a total autonomia das escolas, sou sim senhor

Parece que uma charlatanice qualquer é praticada numa escola onde se deveria ensinar ciência. Não me espanta. Primeiro porque com a actual lei de gestão privatizadora é fácil o unanimismo, todos os que pertencem aos órgãos da escola fazem parte da equipa do chefe, o líder, o iluminado, mesmo tratando-se como neste caso de alguém com os fusíveis estragados. E depois porque, naturalmente e como em todas as profissões, há professores ignorantes, que acreditam em astrologia ou decifram o seu futuro num tarot qualquer.

Embora o conceito de gestão de liderança aumente os riscos, e muito, tal já sucedia antes, diga-se em abono da verdade, razão pela qual as escolas têm de ter limites na sua autonomia, científica e pedagógica. Todas as escolas, incluindo as privadas onde de resto outras charlatanices, nomeadamente religiosas, são praticadas. Templo sim, mas do saber.

A propósito deste assunto o José Manuel Fernandes está mais preocupado com o “que se ensina em muitas aulas de História” e eu compreendo-o. Se o obrigassem a repetir o 9º ano teria fortes probabilidades de alcançar a repetência. A ciência não se compadece com as vigarices que debita todos os dias e que a sua tolerância perante este caso é flagrante exemplo.