Duplas personalidades

Ouvir Augusto Santos Silva (ASS) dizer que esteve sempre “empenhado na defesa da democracia e da liberdade”, quando o mesmo foi um dos maiores bastiões dos governos de José Sócrates e dos que mais tentou, desde sempre, impedir a esquerda parlamentar de ter poder de decisão, confesso, fez-me rir muito. Isto, claro, para lá do espectáculo de circo com fogo de artifício entre Partido Socialista e Chega na Assembleia da República, onde ASS tem sido dos maiores protagonistas e que vocês, ingénuos, tanto aplaudem.

Santos Silva é a cara chapada do PS neo-liberal, nunca o escondeu, nunca disso se envergonhou e não será agora, depois de se tornar numa estrela de Hollywood da Assembleia da República, que isso mudará. Ver-vos aplaudir alguém que sempre abominou a esquerda parlamentar e o socialismo dá-me gozo e náuseas ao mesmo tempo.

O Chega é o seguro de saúde do PS que, por entregar 40% do orçamento da saúde aos privados, depende agora da extrema-direita para alcançar o monopólio do eleitorado. Um não vive sem o outro e é por isso que andam de mãos dadas desde Janeiro.

E ainda dizem que o romantismo morreu!

os artistas de circo e as pedras das calçadas

Há algo de profundamente humilhante em ver-se, mesmo a décadas de distância e com um bom bocado de mar e largas léguas de permeio, os desacatos e as manigâncias e malabarismos de pessoas que se conheceram numa outra vida, pessoas que, de um modo ou de outro, fizeram parte do nosso universo pessoal.

Colegas de liceu. Colegas de faculdade. Irmãos e primos mais velhos uns, a maioria mais novos, de amigos, colegas, companheiros (e irmãs e primas, mas por qualquer motivo que me finge escapar a maioria das “elas” de então parece ter-se evaporado). Colegas das lides políticas, das lides partidárias, das lides académicas, das lides políticas académicas, das lides políticas partidárias académicas. Amigos, alguns. Outros, conhecidos apenas. Outros, mesmo, inimigos, alguns até virulentamente viscerais.

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