E fiquemo-nos pelas consoantes

Não constitui qualquer novidade a confusão actualmente instalada na ortografia portuguesa europeia, sendo este apenas mais um exemplo. Lembremos, pela terceira vez, as palavras de Gonçalves Viana:

Les lecteurs seront surpris de rencontrer dans les textes des contradictions et des irrégularités orthographiques. J’ai gardé l’orthographe de chaque écrivain, à fin de mettre sous leurs yeux l’état anarchique où elle se trouve.

Por estranho que possa parecer a algumas almas mais atreitas à distracção, já não nos encontramos em 1903. Este exemplo é fruto do péssimo serviço cívico prestado pelo jornal A Bola, que consequentemente perdeu, pelo menos, um leitor e se meteu num imbróglio já devidamente aventado

Post scripta:

  1. A propósito de Marx, darei futuramente nota das minhas impressões sobre a interpretação de Michel Poncelet e espero poder abstrair-me da sublime prestação do Brian Jones
  2. Os meus parabéns ao António Fernando Nabais por mais este excelente texto.
  3. Já agora, um comentário perfeitamente superficial, inútil, pessoal e banal: na quarta-feira, estarei aqui.

ABola 1252013

O Tractor e os *tratores: Toni, o Grande

A partir de hoje, infelizmente, depois do despedimento de Toni, o Grande, as ocorrências de tractor diminuirão drasticamente em órgãos de comunicação social que capitularam (pois, capitularam; a propósito, a interpretação do Brian Jones é soberba) perante a inenarrável proposta ortográfica adoptada pelo Estado português. A não ser que haja reflexão profunda e necessária, além de respectivas e adequadas medidas (esperemos pelas conclusões), doravante, só órgãos de comunicação social de referência em ortografia portuguesa europeia adoptarão a grafia correcta. Entretanto, ficámos a saber que a maior fábrica de *tratores do Irão é dona do Tractor. Sim: Tractor porque *tratores. Exactamente. Percebemos perfeitamente. .

Tractor