Revoluções inevitáveis

Raquel Varela*

Este ano celebram-se os 100 anos da revolução alemã, os 100 anos da revolução húngara, os 70 da revolução chinesa, os 60 da revolução cubana, os 40 da revolução iraniana, os 40 da revolução na Nicarágua, e para quem, como eu, considera a queda do Muro e Tiananmen dois movimentos revolucionários (porque em história não se confundem processos com resultados), celebram-se os 30 anos do começo do fim da URSS e das esperanças numa China com menos opressão política. Todas estas datas têm vários factos em comum, mas dois deles são fulcrais: a força das massas contra o Estado, criando uma esperança única ao nível das mudanças no século XX,  e a derrota destas forças em regimes políticos que se consolidaram contra elas. Negar o papel das revoluções no século XX é negar que a par do lucro, força motriz das nossas sociedades capitalistas, há uma outra força que determinou os nossos destinos como a lei da gravidade: a ideia de que podemos viver num mundo mais livre e igualitário.

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Marx em Bruxelas

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Jésus ne pouvait pas descendre, c’est donc moi qui ai fait le déplacement

Quem morar por estas bandas, não deve perder o Marx de Michel Poncelet, em cena até 25 de Maio.

De regresso ao mundo dos vivos, Marx explica, sem intermediários, mas de forma bastante crítica, as suas ideias. Uma excelente interpretação do texto de Howard Zinn, em que os fragmentos dedicados ao tempo presente são transportados, de uma forma extremamente fina, do Soho nova-iorquino original para Bruxelas, espaço concreto do espectador que se deslocou ao Théâtre de la place des Martyrs. Um monólogo em que Poncelet consegue dar-nos uma perspectiva realista e notável dos participantes da narrativa e interagir com quem se encontra no acolhedor espaço da sala de espectáculos. E mais não digo, se não, estrago a surpresa.

Post scriptum: Quem não morar por estas bandas, pode sempre ver a interpretação que deixei há uma semana ou comprar o livro do Zinn (esta é a edição que possuo). Creio que ainda não haverá tradução portuguesa, mas há Marx, le Retour (o texto interpretado por Poncelet) e Marx en el Soho.

E fiquemo-nos pelas consoantes

Não constitui qualquer novidade a confusão actualmente instalada na ortografia portuguesa europeia, sendo este apenas mais um exemplo. Lembremos, pela terceira vez, as palavras de Gonçalves Viana:

Les lecteurs seront surpris de rencontrer dans les textes des contradictions et des irrégularités orthographiques. J’ai gardé l’orthographe de chaque écrivain, à fin de mettre sous leurs yeux l’état anarchique où elle se trouve.

Por estranho que possa parecer a algumas almas mais atreitas à distracção, já não nos encontramos em 1903. Este exemplo é fruto do péssimo serviço cívico prestado pelo jornal A Bola, que consequentemente perdeu, pelo menos, um leitor e se meteu num imbróglio já devidamente aventado

Post scripta:

  1. A propósito de Marx, darei futuramente nota das minhas impressões sobre a interpretação de Michel Poncelet e espero poder abstrair-me da sublime prestação do Brian Jones
  2. Os meus parabéns ao António Fernando Nabais por mais este excelente texto.
  3. Já agora, um comentário perfeitamente superficial, inútil, pessoal e banal: na quarta-feira, estarei aqui.

ABola 1252013

Pensamentos socialistas do séc. XIX

As propostas socialistas como forma de construção de uma nova sociedade. ReferÊncias a Karl Marx e Engels, entre outros.

Da série Filmes para o 8.º ano de História

Tema 8 – A civilização industrial no século XIX
Unidade 8.1. – O mundo industrializado

Luta de classes

Uma andaluza expedição à Robin dos Bosques, expropriar pequenas e simbólicas quantidades de comida para distribuir por quem passa fome, é um crime de lesa majestade. A propriedade é sagrada.

Já fugir aos impostos e ser apanhado, faz do detentor de uma grande fortuna uma infeliz vítima do estado. O capital é deus.

É esta a burguesia que temos, sempre disponível para uma, aliás justíssima, recuperação de Karl Marx.

O presente, essa grande mentira social. II – Reciprocidade Comercial

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Capítulo Segundo

Reciprocidade Comercial

 1. Nascimento da ideia de Reciprocidade.

O título até parece mercantilista. Mas não é por causa da teoria mercantilista que está colocado. A teoria mercantilista faz de tudo o que existe um comércio, de todo o bem que é fabricado, uma mercadoria a ser convertida em dinheiro, em investimento, em lucro para o proprietário dos meios [Read more…]

III – Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O Manifesto do Partido Comunista combina a seriedade filosófica mais profunda com o talento mais mordaz. Imagine a Rousseau, Voltaire, Holbach, Lessing, Heine e Hegel fundidos numa só pessoa – digo fundidos e não confundidos num monte – e o meu amigo terá o Dr. Marx.

O Manifesto acaba com uma revisão da actividade política dos partidos comunistas e do socialismo em todos os países da Europa e com uma expressão de temor: Uma parte da burguesia procura remediar os males sociais com o fim de consolidar a sociedade burguesa. Nessa categoria enfileiram-se os economistas, os filantropos, os humanitários, os que se ocupam em melhorar a sorte da classe operária, os organizadores de beneficências, os protectores dos animais, os fundadores das sociedades de temperança, enfim os reformadores de gabinete de toda categoria. [Read more…]

II- Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx

O que os trabalhadores mereciam, e poderiam obter se acordassem de sua sonolência, era o controlo de seu próprio trabalho, a posse do valor que geravam com esse trabalho e, consequentemente, auto estima, liberdade e poder. Pretendia que os trabalhadores passarem a possuir o produto do seu trabalho, acabar com a alienação. [Read more…]

Mea Culpa, Mea Culpa, Mea Máxima Culpa

Foi a sua persistência, a da sua mulher Jenny e a de Friedrich Engels, o amigo eterno, que Karl Heinrich Pembroke Marx foi capaz de descobrir a formação do capital e convertê-lo numa fórmula que todos deviam saber. Sem saber economia, como tenho referido entre outros dos meus livros:

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Neoliberalismo e Materialismo Histórico

Parlamento

Estou ciente de ter escrito este texto antes de escrever e publicar o que escrevi e publiquei ontem, 28 de Agosto, com o título de Materialismo Histórico, definindo a maneira dos Marxs e Friederich Engels: materialismo histórico é uma abordagem metodológica ao estudo da sociedade, da economia e da história que foi pela primeira

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materialismo histórico

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Parece-me redundante falar do materialismo histórico. Bem sabemos que Marx o retirou dos Manifestos de Babeuf, dos seus estudos com Hegel em Berlim. No texto de 1848, A ideologia Alemã, Marx, Engels, e Jenny Marx ou a Baronesa Prussiana Johanna von Westphalen, de forma firme e decidida, proclamam e argumentam que não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência. Ideia retirada de Hegel, da sua investigação entre os operários, especialmente da AIT, dos debates que tinham entre eles sobre as leituras feitas.

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Baronesa Johanna Von Westphalen da Prússia, redactora e autora do Manifesto Comunista

Jenny

«Finalmente pensaram a frase, pronunciada por Jenny: proletários do mundo, uni-vos. Quem finalmente escrevera o Manifesto Comunista fora Johanna von Westphalen, denominada a baronesa vermelha».  (excerto do meu livro Marx, um devoto luterano (2010). Dedicado aos colegas aventares que são da minha cor e ideologia)

 

Muitas surpresas foram encontradas na pesquisa que fiz para este livro. A primeira, os comentários de Ratzinger sobre Karl Marx e o apoio que procurou nos seus conceitos para escrever o seu livro Jesu von Nazareth, Editora Vaticana, Estado Vaticano, Roma, traduzida ao português no mesmo ano como Jesus de Nazaré, Esfera dos Livros, Lisboa. [Read more…]

Direita e Esquerda

Este texto foi já publicado há meses atrás. No entanto, parece-me oportuno usá-lo novamente, agora como princípio de resposta à questão que o Fernando Moreira de Sá, secundado pelo Luís Moreira, levanta sobre a eterna questão dos conceitos de Direita e de Esquerda.

A raiz dos conceitos de direita e esquerda estará, segundo sempre ouvi dizer, no facto de nas assembleias políticas anteriores e posteriores à Revolução de 1789, os políticos mais conservadores se sentarem à direita da mesa da presidência e os mais radicais à esquerda. Na Assembleia Nacional (1789), a expressões «gauche» e «droite» eram aplicadas respectivamente a republicanos e a monárquicos; na Convenção Nacional (1792), o termo usou-se para distinguir jacobinos de girondinos. Os primeiros eram defensores dos chamados sans-cullotes, os deserdados da fortuna; os segundos eram deputados que representavam a burguesia ilustrada, hesitante entre a monarquia constitucional e a república.

De então para cá, o campo semântico dos dois termos foi-se alargando e especializando, incorporando contributos e empréstimos vindos de todas as áreas do conhecimento e, da localização, aleatória de duas facções nos hemiciclos da França de fins do século XVIII, os conceitos de direita e esquerda saltaram para a liça das grandes lutas sociais e políticas. O poeta Jean-Arthur Rimbaud disse que era preciso «mudar a vida». Karl Marx, (que, tal como Engels, nunca disse ser «de esquerda»), afirmou que era indispensável «transformar o mundo».

Eis aqui duas boas sínteses para o conceito de esquerda, a mudança da vida e a transformação do mundo, numa palavra, a Revolução. A direita, também com contributos os mais diversos, vindos também de todos os quadrantes do conhecimento, procura conservar o que considera serem valores intemporais – reage mal à mudança da vida e pior a todas as transformações do mundo que não sejam regressos ao passado. [Read more…]

solidariedade

Este conceito não foi criado por mim. Em 1883, Émile Durkheim definia a solidariedade como o apoio e coordenação de pessoas entre si. Nemhuma sociedade seria capaz de funcionar se não houver apoio mútuo. Bem sabia Durkheim que essa solidariedade era uma ilusão, como socialista que era. Ideologia Socialista Democrata aprendida das suas leituras da obra de Karl Marx e de trabalhar com outro socialista, bem mais avançado do que ele, Marcel Mauss. Durkheim apoiava a igualdade no seu texto acima citado e lutava pela abolição da propriedade privada, como refiro num livro escrito por mim em 2008: O Presente, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade, Afrontamento, Porto. Porque acabar com a propriedade privada? Porque dividia à sociedade em classes: os que tinham bens e os que nada tinham. Estes, trabalhavam para os primeiros por um salário que nem permitia alimentar a família.

O Grande Mestre lutou em favor dos que nada tinham e escreveu o livro de 1883, intitulado De la division du travail social. Étude sur lórganization des sociétés supérieures, editado por Félix Alcan, Paris. O que ele denomina sociedades superiores, refere a sua própria forma de organizar a sua vida na França, a sua Nação. Não é despreçar aos já conhecidos povos de uma outra forma de organizar a vida, denominados Nativos,povos que ele estudava e analisava, comparando as suas formas de vida como a dos franceses e outros povos europeus. A sua conclusão foi simples: havia dos tipos de solidariedade, a organizada pelo Direito, e a espontânea ou denominada por ele forma mecânica ou de apoio mutuo espontâneo. A dele, era solidariedade orgânica, por outras palavras, organizada pelo Direito e pela Economia. O seu texto é um debate com Adam Smith, como sabemos, sobre o seu livro de 1776: A riqueza das Nações. [Read more…]

Memória descritiva: A capital e o capital – («Braga reza, o Porto trabalha, Coimbra estuda e Lisboa diverte-se»)

Capital é palavra com muitos significados. Das mais importantes acepções destaco duas, dois substantivos com géneros diferentes – o capital, acepção do foro da economia; a capital, na área da geopolítica. Dois famosos livros, entre muitos outros, celebram cada uma das acepções – «O Capital», de Karl Marx, e «A Capital», do nosso Eça. Como adjectivo tem também a sua importância – pena capital, por exemplo, para quem a ela tiver sido condenado, assume uma dimensão transcendente.

O significado de que, para já, me quero ocupar, é aquele sobre o qual Eça de Queirós dissertou num romance que viria, depois, a dar lugar à sua obra-prima «Os Maias». Isso mesmo, a capital de Portugal – Lisboa. No seu livro, Eça relata as vicissitudes de um provinciano numa capital, também ela provinciana. Porque naquela época final do século XIX, tal como agora, a capital era um espelho do País. Como se cada país tivesse a capital que merece.

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