Bilhete do Canada – Depois queixem-se

Desde que estourou a bomba do Brexit tem havido duas preocupações por parte da nomenklatura de Bruxelas: enquanto Merkel afirma que não há pressa nas negociações de saída da Inglaterra, que não é preciso ser desagradável nesta rampa final, outros sublinham que até o processo estar terminado não cessam os deveres e os direitos de quem decidiu sair.

Cameron, que pôs o pé na argola e trata agora de limpar-se o melhor possível, respondeu à letra, em sede própria, no parlamento,  com aplauso geral: quem trata do timing somos nós, porque cá em casa mandamos nós.  E com isto deu a entender que percebeu a jogada da chanceler: fazer de conta, levar tudo em pianinho para que fique tudo na mesma.

Juncker é que, na primeira sessão depois do desastre, perdeu as estribeiras: invectivou a delegação britânica, foi desabrido. Farange não se ficou, passou rodas de inúteis a todos, acusando-os de nunca terem feito nada na vida, de não terem proporcionado um único posto de trabalho.

Se puxam mais por ele e acompanhantes, arriscam-se a que o Farange, que como os malucos diz tudo, conte ali pelo claro o caldinho da estrondosa fuga ao fisco que Juncker ajudou a medrar no Luxemburgo quando foi governante.  E mais coisas.  Mesmo muito mais coisas.

Ponham-se a puxar por eles e depois digam que têm pouca sorte na vida. Vai linda a peixeirada, vai.

Bilhete do Canadá: Ginástica do pendura

Autor desconhecido

Autor desconhecido

Um dia destes Passos disse que António Costa ajoelhou diante da Comissão Europeia. Como se não fosse essa a transitória, mas nem por isso menos infeliz posição de todos os estados da Europa do Sul conduzidos à escravatura financeira por uma clique dirigente que se amesendou em Bruxelas sem ter sido eleita.

Passos, a fazer o pino na sua actual carreira de cómico, vê o mundo a partir da sua cabeça para baixo e pés no ar. No tempo em que tinha a cabeça no ar e os pés no chão, esteve gloriosamente de cócoras.  Primeiro como gestor dos dinheiros europeus a fundo perdido via Tecnoforma, sempre de braço dado com Relvas; depois, a babar-se, quando foi primeiro ministro para ir além da troika, pondo Portugal na penúria.

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Firmeza

Vladimir Putin and David Cameron
As vozes indignadas da UE e, mais ainda, dos EUA, estudam com denodo medidas a aplicar à Russia. Chegaram a propor sansões que passariam pelo congelamento das contas bancárias dos cidadãos russos, informa a imprensa em geral.

O senhor Cameron, no recesso do seu gabinete, lê tudo isto. E ocorrem-lhe coisas preocupantes. Pensou nas contas dos milionários russos que enchiam os offshores britânicos – a começar por Londres ; pensou no destino de clubes como o Chelsea se os seus proprietários se zangassem; pensou nos pingues proventos das empresas britânicas sediadas ou dependentes da Rússia.

Varreu tais preocupações da cabeça e, erguendo-se firme, ditou altaneiro, com ar de Wellington, o seguinte memorando ao seu secretário, que o deveria imediatamente comunicar a Putin: ” Senhor Putin, tem 100 anos para levantar a mão dos assuntos ucranianos! Ou sofrerá as consequências!”.