Concursos públicos e masturbação

Woody Allen, um dos mais avisados sexólogos do mundo ocidental, disse acerca do onanismo: “Não digam mal da masturbação, que é fazer amor com alguém de quem gosto muito.” Por analogia, e porque, no fundo, a sociologia é sexologia com mais roupa, parece-me absolutamente justo que um inspector-geral abra concurso para seu próprio benefício. Este é o verdadeiro português, o descobridor que não vira a cara à luta, o homem que, sozinho, vai contra cinco ou mais, sem se importar com quem esteja a ver, o corajoso que esgalha o pessegueiro, ainda que esteja em propriedade alheia.

A síndroma Vale e Azevedo – perdido o poder…

O caso do título é bem conhecido, após ter perdido o poder no Benfica, Vale e Azevedo viu vir à superfície o que muitos adivinhavam mas não tinham provas documentais, passíveis de serem usadas em juízo.

Com o governo de Sócrates está a acontecer o mesmo, perdida a maioria absoluta, o Tribunal de Contas já levantou cinco casos de contratos com graves irregularidades e onde se enterram, todos os dias, milhões de euros.

O contrato dos Contentores de Alcântara reune à sua volta consensos dificies de reunir, convergindo para uma crítica sem tréguas, atendendo aos quarenta anos de contrato renovado, mesmo antes de terminado o presente contrato, sem concurso público, numa localização muito problemática, que exige milhões de obras à conta do Estado, tudo a favor de uma empresa do grupo Motta-Engil.

Agora dá os primeiros passos a célebre Fundação das Comunicações onde entra o dinheiro do Estado vindo das empresas de telecomunicações, e que é usado na compra de milhares de “magalhães” ao arrepio de concursos públicos, à empresa que depois aparece, qual fantasma de ópera, nas minas de exploração de minério no Alentejo. Amor com amor se paga!

Sabe-se que 2 000 milhões de euros foram adjudicados sem concurso público, não tarda vamos ter que saber a quem foram contratados e vamos ter surpresas, no que diz respeito à sua concentração nas chamadas “empresas do regime”.

Quando falha o equilibrio de poderes sobra o arbítrio, a prepotência ” o quero, posso e mando”, sem vantagem para a democracia e para a transparência.

O ovo no cu da galinha

Quando se fala de megainvestimentos, fala-se como sendo " ovo em cú de galinha".Mais negócios para as grandes empresas Portuguesas, mais trabalho para a mão de obra nacional , mais estudos para os consultores nacionais, mais empréstimos para os bancos da praça

 

Quando se adjudica por ajuste directo, evitando a Lei, e os concursos públicos, entrega-se de mão beijada à Motta-Engil, e andou que temos pressa. Claro que tambem nos custa dinheiro porque o Estado faz por 100 o que poderia fazer por 50, como é o caso dos Contentores de Alcântara.

 

Havendo concursos públicos, e a alguns deles não podemos fugir por exigirem concurso internacional, pode acontecer  que a FCC, grupo Espanhol, apresente um preço inferior em 424 milhões de Euros à proposta da Motta-Engil, e assim ganhar o concurso, para a construção da componente rodoviária da terceira travessia do Tejo em Lisboa

 

Jorge Coelho afadiga-se agora, com um grupo de técnicos muito bem pagos, a esmiúçar a proposta vencedora para verificar se há marosca, porque uma diferença tão grande só pode resultar de uma inovação nos procedimentos ou na aplicação de materiais de alta tecnologia. Ora a Motta-Engil não conhece nem uns nem outros que tenham aparecido assim, sem mais, no mercado.

 

Resta um preço irreal a contar com as obras a mais e indemnizações por parte do Estado, por não cumprir os termos do contrato. Esmiúçando, Dumping !

 

E na situação em que as finanças públicas estão, é certo que muitos incumprimentos vão acontecer!