País do Futebol

A Cidade do Futebol já não me surpreende.

Não se poupa em «poupar»

Nestes tempos de crise, a palavra mais rodada que um táxi em Nova Iorque não é «amor» (como escreveu alguém), mas antes a palavra «poupar».

Todos os dias a palavra se pronuncia. Se não é dita, é pensada a cada acto que o português realiza. Até as crianças já perceberam que é preciso amealhar.

Pensa-se duas, três vezes, antes de escolher isto ou aquilo; entrar ou não entrar no restaurante x ou y, ou não entrar de todo; comprar na loja x ou y; opta-se pelas marcas brancas há muito e cada vez mais em produtos que antes eram de marca; as férias nunca foram tão estudadas (ainda bem que temos a internet!) nas suas diversas modalidades; etc.

Tudo se planeia sob este ponto de vista. Não é mau. Mas devia ter-se começado a fazer antes para não chegar a ser obsessivo como se está a tornar.

As voltas que se dá para poupar uns trocos.

É que já «dói» quando vemos que houve desperdício.

Pensei na vida particular de cada um, mas, claro, pense-se na vida deste país, que não poupou mais cedo.

No regresso de férias, optei pela A8: 3 faixas. Os carros contava-os pelos dedos se tivesse paciência para o fazer. Para quê tantas vias rápidas e auto-estradas?

Talvez um dia, um satélite qualquer nos forneça uma foto deste Portugal que, visto do espaço, é um emaranhado de estradas… Era melhor que fosse uma concentração de estufas de tulipas como na Holanda…

Megainvestimentos – a estratégia do confronto!

Hoje veio, pela enésima vez, o governo insistir no TGV de parceria com a Espanha para dar maior credibilidade á coisa.

Basicamente, a questão pode colocar-se assim. O governo está no meio de uma embrulhada e não sabe como sair dela, O que aí vem é bastante pior. A Alemanha, a rica Alemanha, ela própria, aperta o cinto para dar o exemplo e Teixeira dos Santos lá vai dizendo que se calhar é preciso mais cortes nas despesa e maiores aumentos de impostos.

Esta realidade dá cabo de qualquer governo, mas quer o PSD quer o Presidente da República tambem não estão interessados em governar, por isso, vão deixando “queimar em lume brando” Sócrates. Como pode aliviar Sócrates a pressão? Viajando como um caixeiro viajante a assinar negócios que já foram assinados há anos e mostrando ao país o enorme sucesso e, ao mesmo tempo, deixar “em ponto de não retorno” os grandes investimentos, mesmo que para isso condicione toda a futura governação.

É que, no momento, nem precisa de muito dinheiro para lançar os concursos, mas é ele que deixa as grandes decisões tomadas e vai pairar no país por mais uma década. Quer dizer, quem venha depois que pague, e se não quiserem assim, deitem o governo abaixo, desafia!

Em Marrocos, Sócrates informou o mundo imbecil, que estava ali para vender o TGV ao anfritião, enquanto a Espanha apresentava uma nova carruagem para o TGV muito inovadora. Quer dizer, no dizer de Sócrates, nós vendemos o “know how” do lançamento dos concursos ( os dossiers com as condições) e os Espanhóies, Alemães, Holandeses e Franceses vendem a tecnologia!

Mas a verdade é que Sócrates, bem à sua maneira não desarma, perante um Cavaco Silva titubeante e um Passos Coelho pouco ansioso para ter dores de cabeça. O país, entretanto, é que perde, com um governo que não governa e que só toma medidas que sabe que em nada concorrem para a saída da crise.

Os outros países há muito que têm políticas definidas e as implementam!

O ovo no cu da galinha

Quando se fala de megainvestimentos, fala-se como sendo " ovo em cú de galinha".Mais negócios para as grandes empresas Portuguesas, mais trabalho para a mão de obra nacional , mais estudos para os consultores nacionais, mais empréstimos para os bancos da praça

 

Quando se adjudica por ajuste directo, evitando a Lei, e os concursos públicos, entrega-se de mão beijada à Motta-Engil, e andou que temos pressa. Claro que tambem nos custa dinheiro porque o Estado faz por 100 o que poderia fazer por 50, como é o caso dos Contentores de Alcântara.

 

Havendo concursos públicos, e a alguns deles não podemos fugir por exigirem concurso internacional, pode acontecer  que a FCC, grupo Espanhol, apresente um preço inferior em 424 milhões de Euros à proposta da Motta-Engil, e assim ganhar o concurso, para a construção da componente rodoviária da terceira travessia do Tejo em Lisboa

 

Jorge Coelho afadiga-se agora, com um grupo de técnicos muito bem pagos, a esmiúçar a proposta vencedora para verificar se há marosca, porque uma diferença tão grande só pode resultar de uma inovação nos procedimentos ou na aplicação de materiais de alta tecnologia. Ora a Motta-Engil não conhece nem uns nem outros que tenham aparecido assim, sem mais, no mercado.

 

Resta um preço irreal a contar com as obras a mais e indemnizações por parte do Estado, por não cumprir os termos do contrato. Esmiúçando, Dumping !

 

E na situação em que as finanças públicas estão, é certo que muitos incumprimentos vão acontecer!