Uma greve bem sucedida

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Arménio Carlos entende bem que o trabalhador é um bem essencial, como referi em outros textos meus deste blogue. Durante semanas a CGTP preparou a greve do 14 de Novembro, que acabou por ser um sucesso. Os estivadores, os transportes, as fábricas, especialmente as de vidro exportados a outros mercados, as escolas fecharam, a FENPROF, o SNEsup, calculam que todo fechou. Não houve aulas ontem, com excepção em Universidades privadas onde se educam os ricos deste país, os médicos e o seu sindicato atendiam apenas nas urgências dos hospitais, enfermeiras, enfermeiros, assistentes hospitalares tratavam apenas de casos graves, os tribunais, fechados por causa de greve de juízes e de funcionários, a administração pública, o sindicato dos sargentos da PSP, em fim, tantos, que nem cabem na página em que estimava referir esta greve bem-sucedida. Portugal parou!
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A greve virada do avesso com Allende e no Portugal de hoje

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Confesso ter sido grevista, mas de greves viradas do avesso. Não foi por acaso, como narro noutros textos, que organizei sindicatos quando morava no Chile, mais de 40 anos antes destes dias de greve em Portugal. Sindicatos rurais e industriais. Todos eles contra os proprietários dos meios de produção que pagavam mal, às vezes até esqueciam esse pagamento, despediam a seu prazer, contratavam à sua laia, o operariado para eles era apenas força de trabalho. Força de trabalho não como a definida por Karl Heinrich Pembroke Marx, essa que ele associava à mais-valia dos proprietários dos meios de produção. Era simplesmente força de trabalho, usada para todo serviço. A Revolução Francesa não tinha passado pela América Latina, nem por Portugal, se passara, foi rapidamente esquecida. A liberdade de procurar meios de produção, não existia, porque esses meios eram raros e escassos.

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