Crónicas dos tempos de crise: o PCP, o BE e a Troika

Uma das recorrentes limitações da política portuguesa é a tentativa de tapar o sol com uma peneira. Outra, é passar incólume entre os pingos da chuva. Foi o que fizeram BE e PCP com a troika que por cá anda. No caso concreto, tentaram tapar o sol com as cartilhas que, coitadas, nem tapam o sol nem resistem à chuva.

Não é por não ser recebida por estes partidos que a troika se vai embora e é por não se quererem comprometer (por mero taticismo de imagem, vulgo marketing) que PC e BE não desempenham o papel político que deviam.

Muito mais pragmáticos, realistas, empenhados e positivos foram os sindicatos ou, por exemplo, o Observatório Permanente da Justiça do insuspeito (em relação às suas simpatias pelo FMI) Boaventura Sousa Santos. Dos primeiros espera-se pragmatismo terra-a-terra e que lutem pelos direitos dos trabalhadores que representam, a começar pelos ordenados no final da cada mês. Ora, estando a situação no ponto em que está, não estando nem estes garantidos (a começar pelo funcionalismo público) nada como ir “negociar” com os negociadores e vincar que existem linhas que não podem ser ultrapassadas. Do segundo, como intelectual reconhecido que é, espera-se visão , sentido de antecipação e marcação de terreno. Demonstrou-as, ainda que os resultados possam ser nulos.

Os partidos que dizem representar os trabalhadores, as classes operárias e desfavorecidas, as juventudes urbanas, etc., etc., decidiram não representar coisa nenhuma [Read more…]