Acesso ao Ensino Superior e Ensino Recorrente

Maria Eduarda Neves

O ingresso ao Ensino Superior deve ser conquistado por mérito. Não podemos permitir que haja duas formas de avaliação no concurso para as MESMAS vagas. Mais um ano veremos alunos que, já tendo concluído o secundário, aproveitam-se do Ensino Recorrente – criado para aqueles que não conseguiram terminar o Ensino Secundário Regular – para aumentar exponencialmente as suas classificações internas, que não são afectadas pelos Exames Nacionais.

Esta situação afecta todo o Ensino Superior português porque os alunos não colocados em suas primeiras opções, como Medicina, vão para outros cursos, aumentando as suas médias mínimas de ingresso, passando por Medicina Dentária, Ciências Farmacêuticas, Fisioterapia, Enfermagem e assim sucessivamente. Reacção que também acontece em todas as áreas do Ensino Superior, tendo em consideração cursos como Engenharia Aeroespacial e Arquitectura.

É uma recção em cadeia.

O Ministério da Educação tentou impedir que isso acontecesse, mas cerca de 300 estudantes ganharam um processo no Tribunal e, assim, foram autorizados a utilizar médias internas próximas ou iguais a 200 nas suas candidaturas. [Read more…]

No público não vale tudo mas no privado é um negócio

O Público conta-nos hoje que alguns alunos do ensino recorrente (por módulos capitalizáveis) entraram em Medicina, e faz disso quase um escândalo. Antes de as Novas Oportunidades terem chegado trabalhei no recorrente durante três anos. É um modelo que facilita a vida a adultos trabalhadores-estudantes (e assim deve ser) mas sem comparação com os EFA’s que o substituíram: os programas são os mesmos do ensino diurno, e na prática apenas se permite que cada módulo (correspondente a cada período) seja feito por exame. Ao contrário do que ali se escreve é impossível fazer o secundário num ano, e os exames são tão válidos como os nacionais.

A bem dizer pensava que esta modalidade estava extinta, assassinada pelas Novas Oportunidades, embora na altura tenha estranhado o aparecimento de aúnuncios de abertura destes cursos no ensino privado.

E esse é o escândalo que agora se revela. Parece que médias de 20 por aqueles lados vão nascendo, já que tal como no ensino regular um tolinho qualquer deu a estas escolas autonomia para a realização de exames. Não sei se estão a ver o filme: sou cliente de uma empresa que me examina. Em última análise se a coisa não correr bem posso pedir o livro de reclamações (estou a exagerar, mas a lógica é essa).
Quando agora lemos isto: [Read more…]