No público não vale tudo mas no privado é um negócio

O Público conta-nos hoje que alguns alunos do ensino recorrente (por módulos capitalizáveis) entraram em Medicina, e faz disso quase um escândalo. Antes de as Novas Oportunidades terem chegado trabalhei no recorrente durante três anos. É um modelo que facilita a vida a adultos trabalhadores-estudantes (e assim deve ser) mas sem comparação com os EFA’s que o substituíram: os programas são os mesmos do ensino diurno, e na prática apenas se permite que cada módulo (correspondente a cada período) seja feito por exame. Ao contrário do que ali se escreve é impossível fazer o secundário num ano, e os exames são tão válidos como os nacionais.

A bem dizer pensava que esta modalidade estava extinta, assassinada pelas Novas Oportunidades, embora na altura tenha estranhado o aparecimento de aúnuncios de abertura destes cursos no ensino privado.

E esse é o escândalo que agora se revela. Parece que médias de 20 por aqueles lados vão nascendo, já que tal como no ensino regular um tolinho qualquer deu a estas escolas autonomia para a realização de exames. Não sei se estão a ver o filme: sou cliente de uma empresa que me examina. Em última análise se a coisa não correr bem posso pedir o livro de reclamações (estou a exagerar, mas a lógica é essa).
Quando agora lemos isto:

Esta professora conhece bem o que se passa no Externato Luís de Camões – é à direcção da escola secundária que dirige que compete passar os diplomas aos alunos do colégio, bem como as respectivas fichas ENES (o documento comprovativo da classificação do ensino secundário e das notas dos exames nacionais correspondentes às provas exigidas para ingresso no superior). “É uma situação estranhíssima: certifico as notas, mas não tenho qualquer competência para verificar em que condições elas são obtidas – limito-me a verificar se os documentos que me chegam do externato estão completos do ponto de vista formal”, frisou.

Fica bem claro onde está o problema. Eu ainda sou do tempo em que aluno de colégio vinha ao liceu fazer os seus exames, o que não acontecia por acaso. Os resultados estão à vista.

Comments

  1. coiote says:

    Para o capitalismo selvagem, que tantos aplaudem, aí têm…siga

  2. Marito says:

    Se obrigarem todos os meninos dos colégios irem fazer os exames juntamente com os alunos do público, a “qualidade” do privado vai-se esbater, logo o negócio diminui. Assim, aqueles meninos que vão para os colégios particulares no 11º e 12º anos, para de repente se transformarem em alunos excepcionais ( alguns até são bons, mas não excepcionais!) vão seguramente desistir. Acabe-se com esta vigarice, mas pior do que ENORME INJUSTIÇA, patrocinada pelo nosso santo estado.

  3. Os “Burritos”, que vão para o privado a pagar +/- 25.000,00 Euros, para terem 20 valores devem mas é efectuar exames nas escola do Ministerio, como todos os outros.
    A maior parte são os FILHOTES dos nosso Medicos, mas que eu saiba a inteligência ainda não é transmitida geneticamente. Basta ver os nomes e os valores das mediads, no site de ingresso ao Ensino Superior, está lá para quem queira tirara as duvidas.

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