O combate ao crime não é (nem pode ser) um reality show

Não quero viver num país onde um polícia fotografa criminosos capturados para alimentar radicalismos justiceiros nas redes sociais. Aliás, quero inclusive viver num país que pune exemplarmente um polícia que não sabe o seu lugar nem honra a enorme importância e responsabilidade da sua função. Para descredibilizar o país já nos chega (e sobra) a classe política que temos.

Vem isto a propósito da divulgação das imagens da captura dos três criminosos que na Sexta-feira fugiram do Tribunal de Instrução Criminal do Porto. Não sei se terá sido um polícia, se terá sido um popular que furou o (inexistente?) perímetro de segurança, mas sei que, poucos minutos depois, a fotografia estava na página de Facebook do Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública. De uma forma, ou de outra, estamos perante uma situação de enorme gravidade, com contou com a colaboração de elementos das forças de segurança portuguesas.

[Read more…]

O esgoto do entretenimento televisivo, ridicularizado em 3:21 minutos

Não vos trago uma grande novidade, até porque este fantástico sketch do ainda mais fantástico canal Q já tem mais de dois anos. Acontece que, dois anos depois, este show de variedades duvidosas, música de qualidade questionável em formato playback e massacre psicológico via chamadas de valor acrescentada continua no ar.

Não sei que audiências terão este tipo de programas, dos quais a RTP já abdicou – já era tempo de parar de gastar dinheiro dos contribuintes com mediocridades destas – mas poucos formatos ilustram tão bem a mediocridade de um país onde há quem vote na Ágata para vice-presidente de uma autarquia. Agora imaginem o quão fácil é para um Isaltino.

Sobre o que separa José Rodrigues dos Santos

da literatura. Clara Ferreira Alves leu o romance “inspirado” na vida de Calouste Gulbenkian e chama os bois pelos nomes.