É mesmo para acabar.

“Com a retirada de Obama e a entrada em cena do Luís XIV da Quinta Avenida, o mundo entra noutra fase. Podemos chamar-lhe incerteza mas incerteza é o que menos existe” – Clara Ferreira Alves, Expresso, 21 de Janeiro de 2017.

Quando acabei de ler o artigo desta semana de Clara Ferreira Alves na revista do Expresso fiquei a pensar que nunca como nos últimos tempos concordei tanto com aquilo que ela escreve. Sempre gostei de ler os seus artigos e ainda mais quando discordo das suas opiniões. Mas este seu texto, com o título “É para Acabar”, é do melhor que tenho lido nos últimos anos. Está ali tudo, devidamente retratado e colocado no seu real contexto:

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A maior prova, se tal seria necessário, foram os resultados das eleições nos Estados Unidos. A imprensa a fazer campanha contra Trump e o resultado foi ao contrário. O mesmo se diga no que toca ao Brexit. Retomando o texto de Clara Ferreira Alves:

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Estou plenamente convencido que assim será. Um a um, eleição a eleição os “Trump” mais ou menos letrados por esse mundo fora, a começar pelas próximas eleições em França, vão vencer com o voto popular. Porque o povo está farto. Completamente farto e prefere o “quanto pior, melhor”. As elites merecem que assim seja, para desgraça de todos. Voltando ao artigo de Clara Ferreira Alves:

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Subscrevo tudo isto que a Clara Ferreira Alves escreveu. Para mal dos nossos pecados, estou convencido que assim será. É mesmo para acabar…

Mário Soares, Clara Ferreira Alves e eu

Celebram-se hoje seis anos sobre a publicação de «Momentos de Lucidez», post sobre as diatribes de Mário Soares enquanto líder da oposição, primeiro-ministro e presidente da República.
Um post apenas, entre os cerca de dois mil que escrevi desde então sobre os mais diversos assuntos e sobre as mais diferentes personalidades. Um post que teria caído no esquecimento não fosse o caso de um palhaço qualquer ter decidido que o seu autor não devia ser eu mas sim a jornalista Clara Ferreira Alves.
«Momentos de Lucidez» foi publicado a meio da tarde do dia 12 de Janeiro de 2009 no 5 Dias, um blogue infelizmente moribundo que, na altura, era constituído por vários militantes e simpatizantes do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda.
De todos os lados do espectro partidário, choveram então críticas e elogios a esse post, mesmo dentro do próprio blogue. Não vou agora debruçar-me sobre a justeza dessas críticas e desses elogios, mas sempre direi que, seis anos depois, há por ali uma ou outra opinião pessoal na qual hoje não me revejo. Embora, no essencial, mantenha quase tudo o que escrevi. Afinal, nada daquilo é novidade, antes se baseia, na sua maioria, nas denúncias de Rui Mateus nos «Contos Proibidos» e nas reportagens de Joaquim Vieira na «Grande Reportagem» e de José António Cerejo no «Público». [Read more…]

A singularidade do estilo de Ricardo Santos Pinto

AntonioSmith

© Shaenon K. Garrity (http://bit.ly/1KvTVTd)

 

Adivinhe de quem é.

(…)

Ora veja lá o nome do autor do texto citado e depois veja o nome do autor deste mesmo post.

Ricardo Santos Pinto

 ***

Ontem, ao procurar um texto de Malcolm Coulthard, co-autor do excelente An Introduction to Forensic Linguistics: Language in Evidence, fui surpreendido por um estudo de Rita Marquilhas e de Adriana Cardoso. O artigo de Marquilhas e Cardoso simula uma peritagem relativa a enunciados escritos no âmbito da investigação de um crime e debruça-se sobre um texto escrito por Ricardo Santos Pinto, publicado em 12 de Janeiro de 2009, no 5dias.net, mas frequentemente atribuído à jornalista Clara Ferreira Alves.

As Autoras indicam que, em 2011 ,”Clara Ferreira Alves continuava a desconhecer que se tratava de um texto de autoria já clarificada”. Como se percebe pelo episódio relatado na epígrafe, mesmo depois de indicar o texto, Ricardo Santos Pinto vê-se obrigado a voltar à carga, perante a insistência de um comentador.

Poderia terminar este pequeno comentário com um ingénuo “esperemos que este estudo de Rita Marquilhas e Adriana Cardoso venha, duma vez por todas, esclarecer o assunto”. Contudo, como demonstrado pelo caso ‘Voltaire vs. S.G. Tallentyre/Evelyn Beatrice Hall’, muito provavelmente, nem os esclarecimentos de Ricardo Santos Pinto, nem o estudo de Marquilhas e Cardoso, nem sequer este texto (para quem tiver dúvidas sobre a autoria, o meu nome está lá em cima, debaixo do título) servirão para que muitos passem a preferir a realidade à ficção. Infelizmente, como bem sabemos, desde o Maxwell Scott: “This is the West, sir. When the legend becomes fact, print the legend”.

Mário Soares

Sobre a coerência política de Mário Soares, a recordar este texto de Clara Ferreira Alves

José Sócrates não devia ter sido detido de noite

Clara Ferreira Alves está muito preocupada pelo facto de José Sócrates ter sido detido durante a noite quando chegava de Paris.
Não a preocupa o facto de José Sócrates andar a ser acusado de corrupção há 17 anos sem que tenha sido minimamente investigado em todo este período. Não a preocupa o facto de o Ministério Público ter travado em 2003 uma busca à sua residência que investigaria as ligações perigosas por causa do processo da Cova da Beira. Não a preocupa que os claros indícios de corrupção no caso Freeport tenham passado ao lado do Ministério Público. Não a preocupa que a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal de Justiça o tenham protegido descaradamente enquanto ele foi primeiro-ministro. Nada a preocupa, nem mesmo os evidentes sinais exteriores de riqueza que ele ostenta, tão suspeitos quão inexplicáveis.
Nem sequer se pergunta por que razão José Sócrates só foi detido depois de abandonar o poder. Porque isso não a preocupa. É um cidadão diferente dos outros, por isso, ao contrário dos outros, tinha o direito de estabelecer condições, como foi público, para as perguntas que o Tribunal lhe queria fazer.
O que a preocupa é que ele tenha sido detido durante a noite. Também acho. José Sócrates devia ter ido calmamente para casa, reunir-se com os principais implicados no caso, engendrar a estratégia de defesa, destruir as provas se ainda as houvesse e, aí sim, avisar as autoridades de que estava disponível para ser ouvido. Afinal, ele foi um primeiro-ministro, merece um tratamento especial.

A ininteligível produção de *fatos políticos

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“Retrato de Galileu Galilei”
Justus Sustermans (http://bit.ly/17Msan7)

Muito rapidamente, aproveitando alguns intervalos para cafés.

Fiquei ontem a saber, através do Público, que Rui Teixeira foi acusado de denegação de justiça, abuso de poder e coacção de funcionário.

Lembremo-nos daquilo que disse um dos principais responsáveis pela situação caótica actualmente vivida na ortografia portuguesa europeia:

Ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas”.

É verdade que José António Pinto Ribeiro nada disse nem acerca de eventual abate, prisão ou punição daqueles que não aceitarem ler e estudar documentos com as “novas regras”, nem sobre abate, prisão ou punição de quem impingir documentos redigidos “ao abrigo” de regras que não estão em vigor. Enfim, como já tive a oportunidade de recordar, relativamente ao aspecto ‘adesão’ e à dimensão ‘punição’, a doutrina divide-se.

Contudo, é sabido, não se encontrando os tribunais “sob a tutela orgânica e funcional do Governo“, nada obriga Rui Teixeira a adoptar uma norma que, manifesta e compreensivelmente, lhe desagrada. Resta saber se, não tendo o dever de adoptar o AO90, incumbe ou não a qualquer juiz a obrigação de aturar no seu círculo judicial textos redigidos “ao abrigo” de uma proposta ortográfica que, como sabemos, é inadequada para a norma portuguesa europeia, tendo – convém sempre refrescar a memória – sido objecto de pareceres negativos.

Haverá sempre quem critique Rui Teixeira por este indicar alterações efectivamente não previstas no Acordo Ortográfico de 1990, aludindo à supressão quer do acento de ‘cágado’ (proposta de 1986), quer da letra consonântica ‘c’ de ‘facto’. Segundo a SIC, “não se entende o reparo do juiz”. Lamento imenso, mas entendo [Read more…]

Da Mais Abjecta Absolvição de Si

Admito-o, com a máxima franqueza: Passos e as suas circunstâncias trouxeram-me um curral de desemprego, trouxeram-me cortes selváticos e perversões no que realmente recebo de subsídio de desemprego e é abaixo de miserável, indigno, tornando impossível ser pai, marido, gente. Mas não tenho ódio com que odeie este Governo já sobejamente odiado por ter cão e por não ter, porque sim e porque sim, para além das grilhetas herdadas. Sócrates, com a sua máquina mediática furiosa que debitava treta de entreter vinte e quatro por vinte e quatro horas, sete dias na semana, varria os pobres e a paisagem do real feio para debaixo do tapete nas inaugurações-croquete, nos anúncios repetidos, no optimismo vácuo, na mensagem charlatã e no luxo com que se rodeava e a que se não poupava. Passos atira-nos com o real para cima das costas, em bruto. Sócrates fingia que não havia pobreza nem cada vez mais desempregados. Passos quer evacuar de Portugal o máximo de activos humanos através de uma massiva emigração de corações, braços e cérebros, e porventura matar de inanição desempregados, doentes e pobres com mais doses de abaixo de penúria. Um luxava e fingia. Outro perde cabelo e procede segundo a mais estrita crueza em consonância com a situação das Contas Públicas e o que delas puder salvar. [Read more…]

Sobre o que separa José Rodrigues dos Santos

da literatura. Clara Ferreira Alves leu o romance “inspirado” na vida de Calouste Gulbenkian e chama os bois pelos nomes.

O obituário histórico-sindical que a Clarinha declarou

O 1º de Maio está morto em todo o mundo (…). Em Portugal, por exemplo, resumiu-se o um grupo de comunistas a passear um cartaz em Lisboa e a ouvir o camarada Arménio falar de uma pequena tribuna de madeira

afirmou a incontinente tagarela Clara Ferreira Alves (ex intelectual orgânica falhada do PSD e candidata a qualquer coisa em que a levem a sério o que, surpreendentemente, alguns dos nossos amigos fazem), perante o sorriso embevecido de Rui Ramos, o historiador que lava mais branco e cujo maior prazer é “irritar os tipos da esquerda” o que é, convenhamos, um elevado objectivo científico.

A coisa passou-se na avença que a senhora tem no simpático canal Q, já que no palco do Eixo do Mal preferiu uma abordagem mais de acordo com os interlocutores e o auditório. Pagas à hora, figuras como a Clara bem merecem o velho epíteto coimbrão de – com vossa licença – “caga-tacos”.

Que parte é que ainda não perceberam?

Clara Ferreira Alves explicou, no Eixo do Mal e em português de lei. Dúvidas? arranjem explicador.

Já Sabem Onde Podem Enfiar o Manifesto

Está na moda a impunidade feliz. Ex-políticos vivem regalados depois de anos de Roubo, mas um Roubo naturalmente destinado à impunidade dos deuses. A impunidade das preciosas e douradas mãos de suas excelências intocáveis, os políticos, comparados connosco, a ralé que bem pode perder o 13.º e o 14.º e imputar a perda não à gestão danosa dos Governos de Saque Socratista, mas ao manso Passos. E no entanto, a impunidade vai toda para os políticos das licenciaturas instantâneas, os políticos do poder de aprovar o tal outlet em zona protegida de flamingos e o poder de aprová-lo à última da hora pantanosa, certamente sem luvas no processo. [Read more…]

Adivinhem quem vai a Bildberg 2011

O clube de Bildeberg está reunido na Suiça. Sem especular muito sobre este clube, que segundo várias teorias mais ou menos conspirativas governa o mundo, de facto e de fato, é sempre interessante saber quem acompanha Pinto Balsemão ao evento. Normalmente nos anos seguintes acabam a governar Portugal, ou dito de outra forma, são nomeados ali.

Seguindo esta fonte, a presença de António Nogueira Leite, “da José de Mello Investimentos, SGPS, SA” parece natural. Já Clara Ferreira Alves, “CEO, Claref LDA; writer” me deixa um pouco perplexo. Terá ido em reportagem?

José Sócrates é um assassino

O autor do disparo à queima-roupa que vitimou, há dois anos, um militante do PSD, nunca foi descoberto. E José Sócrates acaba de confessar a Armando Vara, enquanto este está a ser escutado, que foi ele o autor do disparo.

O Magistrado que autorizou e ouviu as escutas, convencido de que um crime de homicídio é suficiente para que seja extraída uma certidão, envia o processo para o Procurador-Geral da República, que o endereça ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. Este declara as escutas nulas, porque não foram por ele autorizadas, e ordena a sua destruição. O Procurador-Geral da República não recorre e manda cumprir a ordem.

José Sócrates, Pinto Monteiro, Noronha do Nascimento, Clara Ferreira Alves e Mário Soares pensam que se fez Justiça, sendo que, para este último, estamos em presença de um «problema comezinho». Afinal, a Justiça americana, que liberta assassinos em série porque a obtenção da prova não seguiu todos os preceitos (como vemos nas séries), é que tem razão. 

Tudo está bem quando acaba bem.

 

 

A máquina do tempo: O fenómeno explosivo dos blogues

 

Segundo informação que colhi na Wikipédia, em 2007 foi rastreada a existência de mais de 112 milhões de blogues. Dois anos depois este número deve ter sido em muito ultrapassado. Caracterizados como uma fonte dinâmica de informação e de entretenimento, são um fenómeno típico dos últimos anos. Para além desta função de informar, de entreter, de permitir o contacto com outras pessoas, já aqui, noutra das minhas crónicas, salientei o carácter catártico deste meio.

 

 Através dele, dizem-se coisas que doutro modo ficariam sepultadas e, quem sabe, a remoer dúvidas e a adensar angústias dentro das cabeças dos bloggers. Com eles faz-se uma catarse que alivia tensões e evita dispendiosas idas ao psicanalista. Provavelmente, ao aliviar essas tensões, os blogues já terão salvo vidas, evitado suicídios (pensando melhor e lendo alguns comentários, talvez tenham provocado outros suicídios, digo eu com o meu feitio pessimista). Porque é preciso alguma contenção e cuidado com as pulsões que se libertam em posts e comentários. Algumas, transformam-se em rottweilers à solta e sem açaimo…

 

A propósito desta nova maneira de comunicar, Clara Ferreira Alves escreveu, estas linhas no Diário Digital, aqui já citadas pelo Arrebenta: “A blogosfera é um saco de gatos que mistura o óptimo com o rasca e acabou por tornar-se um prolongamento do magistério da opinião nos jornais. Num qualquer blogger existe e vegeta um colunista ambicioso ou desempregado ou um mero espírito ocioso e rancoroso. Dantes, a pior desta gente praticava o onanismo literário e escrevia maus versos para a gaveta, agora publicam-se as ejaculações. Mas, sem querer estar aqui a analisar a blogosfera e as suas implicações, nem a evidente vantagem dessa existência e da qualidade e liberdade que revela por vezes, destituindo do seu posto informativo os jornais e televisões aprisionados em formatos e vícios, o resíduo principal de tudo isto é que os jornais mudaram, e muito, e mudaram muito rapidamente. Parafraseando Pessoa na hora da morte, We know not what tomorrow will bring.

 

Reconhece-se alguma razão ao que Clara Ferreira Alves diz – os blogues transformaram-se em receptáculos de prosas absolutamente impensáveis – a iliteracia, a ignorância, o facciosismo desbragado (político, futebolístico e não só), tudo é acolhido nos blogues com o mesmo estatuto que peças interessantes e culturalmente válidas. Qualquer anormal se sente no direito de dar vazão aos sentimentos mais primários, à obscenidade sem limites, à mais ordinária incontinência verbal.

 

Tudo cabe nos blogues. Na blogosfera, liberdade é igual a impunidade. Nestas condições, de facto, separar o óptimo do rasca, não é fácil (mesmo dentro de um texto, seja ele da Clara Ferreira Alves ou do Arrebenta). Embora esse seja um problema que não afecta somente os colaboradores dos blogues, reconhece-se que neste meio ele assume uma maior acuidade.

 

Há diversos tipos de bloggers – serão muitos os tais colunistas desempregados – e aproveito para perguntar à Clara que usa o termo num estranho sentido pejorativo – É crime estar desempregado? Quantos jornalistas ou colunistas desempregados não são mais dignos do que aqueles que mantêm os empregos à custa de sabujice, de amigos bem colocados junto das administrações, de favores sexuais, de se apostar nas teses mais convenientes, de se manter o silêncio sobre temas importantes, e fazer berraria por irrelevâncias  e por aí fora – esses «colunistas desempregados» escrevem muita vez com um sentido de responsabilidade que nem todos os colaboradores dos jornais demonstram. Porque, sobretudo no jornalismo, estar empregado, nem sempre é um mérito. Fechar parêntesis.

 

Há também os bloggers ignorantes, estúpidos e analfabetos que aproveitam a blogosfera para vomitar insultos e obscenidades que, ditas em qualquer recinto público, dariam direito a prisão imediata. A questão é – não podemos exterminá-los – como impedi-los de aparecer com os seus comentários piratas? A blogosfera é livre e isso é bom enquanto todos os bloggers se comportarem de forma civilizada. Oxalá a irresponsabilidade de imbecis, que só com muito boa vontade podem ser considerados gente, não obrigue a criar regras sem as quais até agora se tem vivido perfeitamente.

 

O blogger não tem de respeitar as ideias dos outros (as ideias fizeram-se para ser desrespeitadas, debatidas, rebatidas e, se necessário, abatidas); mas deve respeitar sempre quem expende essas ideias com que não concorda. A isto se de deve resumir o código deontológico de quem colabora em blogues. É lícito desrespeitar ideias com que se não concorda, por mais sagradas que sejam para outros. Todavia, tem de se respeitar os outros, mesmo que sejam os defensores de ideias que nos parecem absurdas.

 

 É tão simples, não é?

 

 

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