Ah, ça ira…(?)

O homem é escandalosamente rasca. Ordinário a fazer justiça ao péssimo porte, língua viperina para a graçola de beco de doca e um espectacular baú de sempre esperadas vulgaridades, este perfeito bon à rien foi um poço de promessas e de todos os arrivismos, tudo fazendo para chegar a este resultado. Vencido à tangente por um molusco, tem a Sra. Le Pen a morder-lhe as canelas. Quanto ao resto, já se confirma aquilo que todos desconfiávamos: o fulano que tanto podia ser candidato pela extrema-direita como pela extrema-esquerda, a coqueluche do luso Bloco, ficou perto daquele residualismo que pouco conta, apenas sobressaindo entre outras ninharias presentes no cortejo.

O que a França tem visto nestes últimos 40 anos, roça a risota em pleno teatro do guignol: o Giscard dos negócios vergonhosos e do petit commerce africain, o Mitterrand das escutas, silenciamento de opositores, mortes misteriosas e semeador de sedíciais, o Chirac semi-presidiário militante e agora isto que ainda está e aquilo que talvez venha, são  um panorama desolador. Ao pé disto e , por incrível que vos possa parecer, quase tudo o que temos visto em Belém, mais se assemelha a uma plêiade de arquiduques da Casa de Áustria, príncipes florentinos e grãos-duques do Sacro Império, Cavaco Silva incluído.

A ideia de um país que teve Luís IX, Henrique IV, Luís XIV, os dois Bonapartes e até De Gaulle como Chefes do Estado, ver-se reduzido a uma vitrina do bordel cor de rosa da dupla Sarkozy-Bruni, é sintomático. Enfim, c’est ça, la république.

Em França ganharam as promessas que fazem o imaginário reivindicativo da oposição em Portugal

Foto: Agence France-Presse/Getty Images

Hollande vence primeira volta das presidenciais francesas

Se o resultado se mantiver na 2ª volta, vamos ver se apenas foram promessas vãs. Por exemplo, serão as seguintes promessas para manter?

  • Restabelecer imediatamente a idade da reforma nos 60 anos (ler)
  • Criar 150 mil empregos reservados aos jovens (ler) – onde é que já vi isto?
  • Criar 60 mil postos suplementares na educação (ler)
  • Aumentar a proporção de remuneração fixa dos clínicos gerais (ler)

Num país a viver apertos financeiros, veremos se a promessa fácil chegará a bom termo.

François Hollande, o inimigo a abater por Merkel & Cia.

A notícia foi divulgada a partir do semanário alemão Der Spiegel:

François Hollande estaria prestes a ser boicotado por Angela Merkel e os parceiros italiano, espanhol e o Partido Conservador britânico.
Angela Merkel, Mario Monti, Mariano Rajoy e David Cameron estariam então “cometidos verbalmente” a não receber o socialista em caso de eleição, enquanto este último segue na frente das sondagens (58% das intenções de votos na segunda volta em relação a Sarkozy, conforme uma pesquisa mais recente LH2-Yahoo!).
De acordo com o semanário alemão, os líderes conservadores estão “indignados” com a vontade manifestada pelo candidato socialista para renegociar o Pacto Fiscal, uma peça central de resgate da zona do euro. A motivação de David Cameron, cujo país não assinou o Pacto Fiscal, seria mais de carácter ideológico.

Fonte: Le Huffginton Post

Angel Merkel, queira-se ou não, reedita o despotismo germânico, reiterando a tentação da hegemonia sobre a Europa. Nem sequer é, portanto, novidade histórica vinda daquelas bandas. Volta à actividade, em alguns políticos alemães, com a Sra. Merkel em destaque, o maldito e genético vírus do elitismo germânico.

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