A têmpera de José Sócrates

Podemos não gostar dele, não perceber como um homem como ele tão mal preparado quiz ser Primeiro Ministro, como andou anos a fio a contar-nos histórias que nada tinham a ver com a realidade, como muitas vezes as convicções roçaram a obstinação e a teimosia, mas há que reconhecer, tem têmpera. Como o aço!

Poucos teriam a coragem de prosseguir o combate cada vez mais dificil, cada mais revelador de medidas e políticas erradas, mas é antes de quebrar do que torcer. Ainda agora as escutas e os sucateiros entraram em cena e já a PJ vasculha a PT onde estão dois boys, à procura de financiamento partidário. A mesma PT onde ele impediu que a Sonae concretizasse a OPA!

O mundo desaba à sua volta, o desemprego atinge valores nunca alcançados, a economia não dá mostras de arrancar, a dívida é bem maior do que os já insustentáveis 90% do PIB, o país está de rastos, mas ele contínua. Guterres saiu pelo seu pé dando uma lição de humildade quando percebeu que não sabia como sair da situação. Prestou um serviço ao País?

É apego ao combate, à função ou ao poder?

Trabalho igual, salário igual?

O poste do aventador João Paulo fez-me lembrar o momento em que a frase que faz  título a este texto, apareceu na luta sindical.

 

A questão, para quem tinha que tomar decisões, passava por determinar o verdadeiro significado de "trabalho".

 

"Trabalho" é a "função ? Conjunto de actividades e processos que um determinado trabalhador tem que executar? A ser assim, este conceito vertido para as tabelas de acordos de empresas ou de actividades, queria dizer, por exemplo, que todos os 3ºs oficiais administrativos passariam a ganhar o mesmo.

 

Ou "trabalho" quer dizer " produtividade", "resultados", capacidade de produzir melhor e maior números de actos? A ser assim, é necessário que se faça uma avaliação isenta e o mais objectiva possível. Nas mesmas condições quem produz mais e melhor? E havendo quem trabalhe mais e melhor o salário deve ser igual?

 

Claro, que quem mais produz deve ganhar mais, sob pena de estarmos a beneficiar a preguiça e a incompetência. Mais, estar a igualizar pela medíocridade leva qualquer organismo para a falência , ou para o descrédito, o que quer dizer que, a prazo, fecham.

 

O "igualitarismo" é profundamente injusto e, leva as organizações para a pobreza, mesmo que alguns acreditem que pelo facto de serem pagos pelo Estado, nunca ficarão sem emprego. E porquê? Porque esquece o mérito de quem se interessa, de quem está motivado, de quem quer fazer bem. Ora, sem estas qualidades, nenhuma organização avança, nenhuma sociedade melhora , nenhum sistema sobrevive.

 

Estranhamente, os sindicalistas andam a vender esta ideia, a do "igualitarismo", a uma classe que, até pelas qualificações académicas, jamais a aceitará. Os professores toda a vida foram estudantes, foram avaliados, uns são licenciados, outros mestres, ainda outros doutorados, com médias muito diferentes entre si, desde o aluno excepcional ao aluno medíocre.

 

 

Agora são todos professores, o "doutor" não deve ganhar mais por ser doutorado, deve ganhar mais por apresentar melhores resultados, porque as suas qualificações lhe dão, em principio, meios para ser melhor. Se não for melhor, (e isso vê-se pela avaliação) não deve progredir mais rapidamente, nem ganhar mais.

 

Mas, se o licenciado, por mérito, por trabalho, por determinação, fizer melhor que o "doutorado" ou por quem tem mais anos de carreira, deve progredir mais rapidamente na carreira e ser melhor remunerado. 

 

Só pela soma dos méritos e da produtividade individual se alcançam melhores resultados globais. Chegarem todos ao topo da carreira, é uma quimera que dura, enquanto o resto da sociedade não reivindicar o mesmo. Nessa altura, verificaremos todos que não é possível!

 

Na falta de avaliação aceite por todos, aparecem formas não aceites e não democráticas de se favorecer uns quantos, como é o caso da criação dos "professores titulares", evidente discricionaridade. Mas de quem é a culpa? Não querem ser todos iguais?