Fiscalidade amiga dos deputados

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Estas coisas emergem de esgotos noticiosos ou de sites onde o fakenewsismo abunda, e a malta fica com a sensação que ali poderá haver gato (espero que esta expressão escape a malha fina do PAN). Mas eis que o Polígrafo mete mão na coisa, e a esmiúça até ao tutano, e fica confirmado para a posteridade que sim, os rendimentos dos deputados da nação beneficiam de um regime fiscal mais simpático que os demais mortais. E a cereja no topo do bolo? São as ajudas de custo e outros “extras”, incluindo aqueles que derivam de vigarices relacionadas com deslocações ou declarações de residência, que escapam ao leviatã fiscal. [Read more…]

O meu vencimento obsceno é melhor que o teu

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Pois é, Jorge. O pessoal da telha envidraçada e a sua infinita cara-de-pau. Já quase ninguém se lembra dele. E sabes bem que passar despercebido é um talento valioso que poderá explicar em parte o salário que ganha. Que não é assim tão diferente daquilo que irá (?) auferir António Domingues mas que tem o condão de não levantar grandes discussões. Pelo menos mediáticas. Contudo, e apesar de pouco se saber sobre a venda do Novo Banco, Sérgio Monteiro já se encontra em funções desde Novembro do ano passado. Um ano. E, segundo noticia o Expresso, ficará pelo menos mais três meses até “concluir a venda”. A ver se desta é que é.

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E o Sérgio Monteiro, pá?

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Os media, António Domingues e Sérgio Monteiro, por Daniel Oliveira

António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática.

Foto: Estela Silva/Lusa@Esquerda.net

O salário do Presidente da CGD

©José Caria/Expresso

© José Caria/Expresso

Existe um conjunto importante e alargado de “informalidades jurídicas”, ou seja, uma espécie de “terra de ninguém” no território do Direito e do Facto, contíguo e, muitas vezes, sobreposto ao do Exercício do Poder público, que confere aparente legitimidade a decisões políticas das quais se ignoram os pressupostos verdadeiros. Ignorá-los não é defeito do sistema que rege a intersecção entre estruturas financeiras e estruturas políticas, mas feitio desse sistema cuja geometria tem séculos de evolução, mas que ao longo desses séculos tem mantido um conservadorismo estrutural assinalável.

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Um médico do SNS que ganha mais que o PR?

Sim, um médico político-partidário. Entre 11 e 18 mil euros pagos por si, claro! Taxas moderadoras não-incluídas.

Os operários têxteis do Bangladesh sonham com 74 euros por mês

Mais ou menos o que custam, nas grandes capitais da Europa, umas calças de ganga produzidas por eles (artigo em castelhano).

Ficar doente é coisa de malandro

O orçamento de estado é uma espécie de merda e talvez seja a hora da Renova fazer uma colecção especial indo, por higienicoexemplo, buscar inspiração ao Relvas ou ao Gaspar.

Não, juro!

Não estava a pensar no que, nos respectivos, se segue ao recto. A minha reflexão ia mais de encontro às palavras que tais personagens debitam com frequência excessiva. E ia, fundamentalmente, encontrar os actos desta gente que nos rouba, fazendo de conta que nos governa.

Uma das medidas já em vigor vai fazer com que qualquer um de nós fique sem salário nos três primeiros dias de atestado. Se tiver uma gripe, um acidente, um azar (por definição as doenças quase nunca são um caso de sorte, mas enfim…) lá vem o ladrão buscar mais uns trocos. [Read more…]

Quem consegue dormir direito ou esquerdo?

É o desemprego em massa dos professores,

é a TSU,

são os salários que estão mais magros a cada ano que passa,

foi o investimento em formação académica (licenciatura e mestrado e livro publicado) que não teve nem tem contrapartidas financeiras (só a realização pessoal) –  o ministro não foi Gago ao exortar os portugueses a voltarem à escola e a conquistarem o canudo e o título de  «doutor»,

são agora as dezenas de vozes a apregoar pelo ensino profissional (o outro, o Paulo Rangel, que escreveu esta semana «Pelo direito fundamental a não ser dr.»),

é o outro, quase gago, que nos pede mais sacrifícios,

é a outra, também sabida em Finanças, a Ferreira Leite, que até é do mesmo partido do PM, a avisar o governo que se não «arrepia caminho» este país fica destroçado,

somos nós que não dormimos a pensar onde podemos cortar ainda mais nas despesas,

que ganhamos menos que há 4 anos, por exemplo,

nós que até somos sortudos em ter trabalho, mas não sabemos até quando,

é o outro, um José, que desesperado já aos 28 anos, se resignou, baixou a cabeça e aguarda de braços cruzados que lhe arranjem emprego,

são os outros, «vão p´ro diabo», que se lembraram de mandar erguer uma Cidade do Futebol,

é o mimado do CR que chora, choras porquê, “menino da lágrima”? – olha à tua volta!

é o futuro dos nossos meninos, dos nossos filhos, que nos preocupa…

A eles não queremos que falte o necessário.

 

Nogueira Leite já se pirou?

Depois de ter anunciado que se pirava se os impostos aumentassem, para alivio da pátria e dos portugueses honrados em geral, António Nogueira Leite apagou a declaração de partida do Facebook. Será que abriu uma vaga na administração da CGD?

A ansiedade entre os candidatos ao lugar é enorme. É que ele até pode trabalhar para os impostos até Agosto, mas um salário bruto de 189 mil euros/ano mesmo que se receba apenas três meses chega perfeitamente para várias famílias numerosas.

Em busca do salário perdido

O pároco da minha freguesia leu um aviso que deixou a assembleia a murmurar, reagindo. Alguém perdeu a carteira onde trazia todo o salário. 

Penso nesse homem ou nessa mulher que, a esta hora, se sente ainda mais pobre e mais desesperado. Imagino o pior dos cenários.

Não deve viver muito longe da minha casa. A crise,  se ainda não entrou na minha (sou afortunada), anda por perto: na minha rua, na escola dos meus filhos, etc.

No estabelecimento onde costumo tomar café reparei, certa vez, numa criatura com o jornal aberto nos anúncios de Emprego. Apontou um contacto num guardanapo. Talvez tenha conseguido o desejado emprego. Espero que sim.

É tão difícil «arranjar» trabalho nos dias que correm. A falta que faz o merecido e tão necessário salário…

Acredito que esse homem ou essa mulher vai encontrar o seu dinheiro, mais cedo ou mais tarde. Os portugueses são, na sua maioria, gente de confiança e compaixão.

Vai viver um ano com o salário mínimo e depois conversamos: Vítor Bento

“Importa proteger o talento, remunerar o talento. Há um caminho perigoso do igualitarismo, que defende que todos devemos ser igualmente pobres, que hostiliza a diferenciação remuneratória”, afirmou Bento durante um colóquio sobre diplomacia económica promovido pela comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros. in Público

Em 2010 Vítor Augusto Brinquete Bento recebeu 450 000 euros como presidente do conselho de administração da SIIBS. Como andou pelo Banco de Portugal é provável que tenha tido mais diferenciações remuneratórias. No Conselho de Estado substitui Dias Loureiro, outro grande combatente contra o caminho perigoso do igualitarismo.

O valor do salário

No actual debate público em torno das políticas económicas e financeiras, quer em Portugal quer pela Zona Euro em geral, torna-se evidente que os ditames ideológicos do pensamento económico dominante, enquadram o salário com um mero custo. Por cá, chega-se mesmo a entender que fazem parte de gorduras a eliminar tanto quanto possível.

Esquece a lógica neo-liberal – para quem o lucro é sagrado e o mercado é tudo – que a saúde de qualquer economia se afere pela distribuição da riqueza que se concretiza pelos salários e pelos impostos. Uma economia com algumas grandes fortunas à custa de muitos assalariados remediados não é economia saudável: é escravatura contemporânea. [Read more…]

Os canudos e o Sr. António

É notícia que este ano, para o ensino superior público, há “mais 647 vagas, num total de 54 068“.

Em princípio isto seria bom. Mas na verdade não é. Pelo menos enquanto dominar a lógica das famílias investirem ao longo de anos numa carreira académica para que a  descendência atinja o almejado canudo, e depois de se ter um doutor, ou engenheiro, na família, é procurar emprego. Com sorte, irá trabalhar numa empresa criada e gerida por alguém que só tem alguns estudos de liceu.

Um dos grandes males deste país é que se estuda para doutor ou engenheiro, ou algo do género, para se ir trabalhar para a empresa do Sr. António  – porque neste país o normal é tratar as pessoas pelo primeiro nome, nem que elas tenham idade para serem nossos avós.

O Sr. António não foi para doutor, lançou-se à vida e será ele quem, como patrão, irá fixar o salário do Sr. doutor ou do Sr. engenheiro. E é um sacana, porque explora e quer ficar rico. Como se fosse censurável quem assume responsabilidades empresariais – pagar salários, fornecedores, tributos, encargos, rendas, dar avais pessoais aos bancos, etc – almejar ter muito mais do que um salário. Para isso, para viver de um salário, tinha estudado para ter um canudo de doutor ou engenheiro e arranjado emprego na empresa doutro Sr. António.

o natal deste ano 2010

…para a minha mulher, que tudo faz por mim… 

Todos sabemos o que é o Natal, pelos menos nos países do Ocidente e cristãos. É a comemoração do nascimento de quem nos salvara do pecado, faz 2010 antes deste dia. Para as pessoas de fé religiosa é o nascimento do Redentor do Mundo. O problema, mais uma vez, é definir estas palavras, estes conceitos a que não estamos habituados por não sermos religiosos, ou sendo religiosos, aprendemo-los na infância mas depois esquecemo-los porque a vida, dura como ela é, faz-nos pensar todo o dia nos nossos deveres profissionais remetendo partes da nossa história, longa como é, para o esquecimento, também o stress do dia-a-dia não nos permite sermos homens e mulheres de fé e de acreditar na existência de uma divindade, que nos proteja das aleivosias de outros seres humanos.

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A pobreza alastrou nos últimos 3 anos

Quatro em cada dez portugueses, acham que a pobreza cresceu "muito" nos últimos três anos.

 

Para responder a esta questão o governo deve apostar na criação de postos de trabalho, porque o desemprego é a principal razão para as pessoas caírem na miséria, opinião corroborada pela generalidade da população europeia.

 

Depois vêm as baixas pensões, os baixos salários e as baixas prestações sociais.

 

Estas opiniões são partilhadas pela maioria da população europeia, embora em Portugal o número dos que dizem que o salário não chega ao fim do mês, seja maior. Este é o país onde os patrões não querem e não podem aumentar os salários em vinte e cinco euros, como diz aí em baixo, o Ricardo.

 

Em Portugal temos 1.8 milhões de pobres e em toda a Europa temos 80 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. Um fenómeno novo é haver cada vez mais pessoas que trabalham e que não conseguem sair da pobreza.

 

O Comissário Europeu para a pobreza diz que 2010 vai ser o ano em que será possível centrar as preocupações na pobreza.

 

Um por cento da população acha que o dinheiro chega facilmente para as necessidades, enquanto 40 mil idosos passam fome, indicando o preço dos alimentos como o principal factor.

 

Alguem ouviu falar nestes assuntos, nas recentes eleições? E o PS, que inicia novo mandato de governo, após onze anos no poder nos últimos catorze, não tem nada a dizer ?

Trabalho igual, salário igual?

O poste do aventador João Paulo fez-me lembrar o momento em que a frase que faz  título a este texto, apareceu na luta sindical.

 

A questão, para quem tinha que tomar decisões, passava por determinar o verdadeiro significado de "trabalho".

 

"Trabalho" é a "função ? Conjunto de actividades e processos que um determinado trabalhador tem que executar? A ser assim, este conceito vertido para as tabelas de acordos de empresas ou de actividades, queria dizer, por exemplo, que todos os 3ºs oficiais administrativos passariam a ganhar o mesmo.

 

Ou "trabalho" quer dizer " produtividade", "resultados", capacidade de produzir melhor e maior números de actos? A ser assim, é necessário que se faça uma avaliação isenta e o mais objectiva possível. Nas mesmas condições quem produz mais e melhor? E havendo quem trabalhe mais e melhor o salário deve ser igual?

 

Claro, que quem mais produz deve ganhar mais, sob pena de estarmos a beneficiar a preguiça e a incompetência. Mais, estar a igualizar pela medíocridade leva qualquer organismo para a falência , ou para o descrédito, o que quer dizer que, a prazo, fecham.

 

O "igualitarismo" é profundamente injusto e, leva as organizações para a pobreza, mesmo que alguns acreditem que pelo facto de serem pagos pelo Estado, nunca ficarão sem emprego. E porquê? Porque esquece o mérito de quem se interessa, de quem está motivado, de quem quer fazer bem. Ora, sem estas qualidades, nenhuma organização avança, nenhuma sociedade melhora , nenhum sistema sobrevive.

 

Estranhamente, os sindicalistas andam a vender esta ideia, a do "igualitarismo", a uma classe que, até pelas qualificações académicas, jamais a aceitará. Os professores toda a vida foram estudantes, foram avaliados, uns são licenciados, outros mestres, ainda outros doutorados, com médias muito diferentes entre si, desde o aluno excepcional ao aluno medíocre.

 

 

Agora são todos professores, o "doutor" não deve ganhar mais por ser doutorado, deve ganhar mais por apresentar melhores resultados, porque as suas qualificações lhe dão, em principio, meios para ser melhor. Se não for melhor, (e isso vê-se pela avaliação) não deve progredir mais rapidamente, nem ganhar mais.

 

Mas, se o licenciado, por mérito, por trabalho, por determinação, fizer melhor que o "doutorado" ou por quem tem mais anos de carreira, deve progredir mais rapidamente na carreira e ser melhor remunerado. 

 

Só pela soma dos méritos e da produtividade individual se alcançam melhores resultados globais. Chegarem todos ao topo da carreira, é uma quimera que dura, enquanto o resto da sociedade não reivindicar o mesmo. Nessa altura, verificaremos todos que não é possível!

 

Na falta de avaliação aceite por todos, aparecem formas não aceites e não democráticas de se favorecer uns quantos, como é o caso da criação dos "professores titulares", evidente discricionaridade. Mas de quem é a culpa? Não querem ser todos iguais?