Lista de Sócio-Enrabadores

O combate político é fodido. Vem um motociclo pela Esquerda e garante-nos que quem nos enraba é a Direita. Vem um Autocarro pela Direita e diz, não, senhor, quem nos enraba em Portugal, desde há décadas, é uma cultura de Esquerda em contraciclo com o resto do Mundo, uma cultura que petrificou a sua Constituição recozida, uma cultura de garantismo de direitos sem dinheiro para os garantir de facto, uma cultura e a sua petrificação mental. Não sei. Na minha lista de sócio-enrabadores há muitos cromos. Refuto, porém que a vocação nacional seja aturar sucessivas enrabadelas governamentais, num País onde a compita pelos orçamentos dita que muitos se comam vivos no grande balde de caranguejos. Só? É discutível. Para os mercados, o Tribunal Constitucional tem sido sado-masoquista e colocado Portugal sob risco ao obstaculizar a premência de reduzir a despesa, der por onde der, antes que as coisas piorem. Odeio a Troyka. Mas odeio ainda mais um caminho covarde e demagógico de a recambiar. O caminho dos seguros, dos semedos, das catarinas, e do diabo a quatro. Na minha lista de caramelos enrabadores cabe um Relvas, dois ou três isaltinos, mas nunca nos esqueçamos dos varas, dos sócrates, dos oliveira e costa, dos lima. A lista de enrabadores é enorme. Para que a havemos de resumir?!

Política de Consumidores: Só na clandestinidade?

Antes e depois do temporal

Estes são os nossos estadistas, coerentes, horizontes largos, firmes nos propósitos, competentes, acima das fraquezas da espécie, capazes de olhar para o bem do país e não para as suas guerras  mesquinhas.

Estas duas fotos envergonham qualquer mortal!

Tudo não passa de mais ou menos dinheiro, nada tem a ver com políticas, com “governance”, com capacidade de estabelecer objectivos e as medidas e avançar coerentemente. Quando o dinheiro aparece ninguem tem convicções, sempre fomos tão amigos…

Mesmo quando a tarefa é hércula e justa um bocadinho de dignidade  é fundamental!

A têmpera de José Sócrates

Podemos não gostar dele, não perceber como um homem como ele tão mal preparado quiz ser Primeiro Ministro, como andou anos a fio a contar-nos histórias que nada tinham a ver com a realidade, como muitas vezes as convicções roçaram a obstinação e a teimosia, mas há que reconhecer, tem têmpera. Como o aço!

Poucos teriam a coragem de prosseguir o combate cada vez mais dificil, cada mais revelador de medidas e políticas erradas, mas é antes de quebrar do que torcer. Ainda agora as escutas e os sucateiros entraram em cena e já a PJ vasculha a PT onde estão dois boys, à procura de financiamento partidário. A mesma PT onde ele impediu que a Sonae concretizasse a OPA!

O mundo desaba à sua volta, o desemprego atinge valores nunca alcançados, a economia não dá mostras de arrancar, a dívida é bem maior do que os já insustentáveis 90% do PIB, o país está de rastos, mas ele contínua. Guterres saiu pelo seu pé dando uma lição de humildade quando percebeu que não sabia como sair da situação. Prestou um serviço ao País?

É apego ao combate, à função ou ao poder?

A torrar em lume brando

Como já todos se aperceberam Sócrates, não faz ideia nenhuma de como se sai desta situação, como não fazia quando a crise chegou. Mas há uma crise interna, estrutural que mina a capacidade do país e que tem sido escondida.

E a política do “tapa e esconde” continua como se vê pela tentativa de colocar nos centro do combate político o casamento gay e a regionalização. Não é que não sejam dois assuntos que a seu tempo devam ser dicutidos, as prioridades é que são outras, e tambem todos sabem quais são.

O desemprego que cresce sem cessar e a dívida que ameaça o desenvolvimento do país por muitos anos. São estes dois assuntos estratégicos que devem ser as prioridades e que devem concentrar todas as energias e toda a atenção.

Levar a oposição a desconcentrar-se destes dois assuntos chave e a esquecer o orçamento que irá materializar as políticas que realmente vão ser seguidas, é uma tentação para o primeiro ministro.

Igual tentação é apontar o dedo a Cavaco sempre que este tome uma decisão, seja ela qual for. Há sempre espaço para repartir responsabilidades, vitimizar-se, quiçá estender o tapete a decisões precipitadas resultantes do calor da luta.

Numa palavra, esta situação em lume brando é que não interessa ao governo, está só, já queimado, a apurar (se esta imagem de cozinha é permitida) para ser servida na mesa da sua incompetência, mentiras e suspeitas de compadrios.

Sócrates faz parte do problema

Hoje no Público, Vasco Pulido Valente, vem dizer o que aqui há bastante tempo, venho dizendo. As coisas para o país seriam bem mais fáceis sem Sócrates!

 

Com o PS mas sem Sócrates, seria possível encontrar áreas de concordância, convergências, entendimentos que não são possíveis hoje e que ajudariam e muito na governação. Sócrates tem inimigos, pessoas que não lhe perdoam quatro anos de governo de "quero, posso e mando" e a quem tratou mal .

 

Ninguem quer partilhar com Sócrates esta situação miserável, a caminhar para a bancarrota e muito menos a continuar políticas que se revelaram desastrosas como mostram os resultados.

 

Depois, as suspeitas em que se envolve ou em que o envolvem, minam a credibilidade e a capacidade de resolver problemas, arrastam consigo a credibilidades de outras figuras do Estado, como é esta patética " revelo, não revelo" que o PGR protagoniza.

 

Obrigado a recuar em políticas que há seis meses eram intocáveis, e por fraqueza, não por vontade própria, vai rapidamente perder a iniciativa política e daí à paralisia, vai um passo.

 

Quiz governar pela propaganda e para isso arranjou multiplos combates com a comunicação social, tentando amansá-la, no que resultou casos atrás de casos,  espremidos até ao absurdo, no meio de uma situação económica dramática.

 

Em democracia é possível enganar muitos durante algum tempo!