Haja decoro

O Dr. Marco António Costa com a senhora Bastonária da ordem dos Enfermeiros

Espalha-se como uma bactéria nas redes sociais um mal-entendido que importa esclarecer com urgência. Parece estar em causa a greve cirúrgica dos enfermeiros e a actuação da senhora bastonária da respectiva Ordem que, segundo alegações não fundadas em facto algum estabelecido para além de qualquer dúvida razoável, estará a ser incentivada na sua demanda por dirigentes do PSD, designadamente pelo senhor Dr. Marco António Costa.

[Read more…]

As reivindicações dos enfermeiros são justas?

Esta é a pergunta cuja resposta interessa verdadeiramente conhecer. O problema, no entanto, está no muito ruído que é gerado à volta das greves.

António Costa considerou que a greve dos enfermeiros é “ilegal” e “selvagem”. O primeiro-ministro tem direito à sua opinião, embora o segundo adjectivo seja demasiado sensacionalista para que possa ser usado de modo leviano. Sendo licenciado em Direito, estará obrigado também a usar com parcimónia um termo como “ilegal”.

Os políticos, quando estão no poder têm, sobre greves, o mesmo discurso redondo: não está em causa o direito à greve, mas ou é injusta (mesmo selvagem) ou as reivindicações não poderão ser satisfeitas, porque o défice iria ser agravado, ou não é a altura ideal para se fazer greve. Os mesmos políticos, na oposição, são a favor das justas reivindicações dos trabalhadores e fazem de conta que não são igualmente culpados da destruição do sistema.

A Comunicação Social, nestas alturas, prefere o óbvio e entrevista os utentes que estão a ser prejudicados pela greve, como se houvesse greves sem incómodos. Há, com frequência, histórias de alguém que se tinha levantado de madrugada para ter uma consulta por que esperava há meses. Curiosamente, a Comunicação Social perde muito menos tempo a investigar os milhares de casos de pessoas que precisam de madrugar nos Centros de Saúde ou de consultas que só têm lugar muito tempo depois de serem marcadas. [Read more…]

A ministra da Saúde fez bem e deu o exemplo

A senhora Ministra da Saúde teve um lapso de linguagem durante uma entrevista, proferindo declarações que não reflectiam aquilo que verdadeiramente pensava e queria dizer. Numa atitude louvável de humildade, a qual só pode assumir alguém com dimensão para ocupar cargos públicos de alta responsabilidade, veio pedir desculpas, publicamente, a quem se tinha sentido atingido pelas suas declarações. É assim que se faz. É isto que se espera de uma governante com dimensão cívica, ética e política.

A senhora ministra não foi a tempo, contudo, de evitar o ataque imediato e feroz do Secretariado Nacional do PS, o partido do próprio governo a que pertence. Eduardo Vítor Rodrigues, acabado de ser condenado pelo tribunal de Gaia, mantém a língua afiada e os seus alvos bem escolhidos.

A greve dos Enfermeiros

O senhor Primeiro-Ministro afirmou, hoje, no Parlamento, sobre a greve dos enfermeiros, que o “exercício do direito à greve não pode ter como consequência a morte de pessoas”, aludindo a supostas declarações de um responsável da Ordem dos Enfermeiros.

O senhor Primeiro-Ministro tem toda a razão. Sendo legítimo por princípio, o exercício do direito à greve deixa de o ser quando provoca a morte de pessoas. Tal, aliás, como o exercício do direito à cativação. Quando o governo da República cativa os recursos necessários ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, induzindo com tal opção o aumento de mortes ou danos irreversíveis por deficiente ou tardia assistência, incorre numa ilegitimidade não inferior à dos grevistas que critica. É pena que ninguém lhe diga isto na cara.

%d bloggers like this: