A ministra da Saúde fez bem e deu o exemplo

A senhora Ministra da Saúde teve um lapso de linguagem durante uma entrevista, proferindo declarações que não reflectiam aquilo que verdadeiramente pensava e queria dizer. Numa atitude louvável de humildade, a qual só pode assumir alguém com dimensão para ocupar cargos públicos de alta responsabilidade, veio pedir desculpas, publicamente, a quem se tinha sentido atingido pelas suas declarações. É assim que se faz. É isto que se espera de uma governante com dimensão cívica, ética e política.

A senhora ministra não foi a tempo, contudo, de evitar o ataque imediato e feroz do Secretariado Nacional do PS, o partido do próprio governo a que pertence. Eduardo Vítor Rodrigues, acabado de ser condenado pelo tribunal de Gaia, mantém a língua afiada e os seus alvos bem escolhidos.

A greve dos Enfermeiros

O senhor Primeiro-Ministro afirmou, hoje, no Parlamento, sobre a greve dos enfermeiros, que o “exercício do direito à greve não pode ter como consequência a morte de pessoas”, aludindo a supostas declarações de um responsável da Ordem dos Enfermeiros.

O senhor Primeiro-Ministro tem toda a razão. Sendo legítimo por princípio, o exercício do direito à greve deixa de o ser quando provoca a morte de pessoas. Tal, aliás, como o exercício do direito à cativação. Quando o governo da República cativa os recursos necessários ao funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, induzindo com tal opção o aumento de mortes ou danos irreversíveis por deficiente ou tardia assistência, incorre numa ilegitimidade não inferior à dos grevistas que critica. É pena que ninguém lhe diga isto na cara.

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