Send ‘em over!

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Mandem médicos, mandem enfermeiros, mandem professores. Aqui não se trabalha de borla ou a troco de pratos de lentilhas.

São os recursos humanos, estúpidos!

O mundo tem sido invadido por extraterrestres com ar de pessoas sérias. Em vez de serem verdes e terem dedos compridos, usam MBA e gravata. Com a típica habilidade dos marcianos, conseguiram convencer os terráqueos de que era preciso trabalhar mais horas e que havia Estado a mais e que o que era preciso era empreendedorismo, seguros de saúde e competitividade e que é cada um por si e que o mexilhão é mesmo para se lixar.

Em 2005, deu-se, então, início a um processo de desmantelamento dos serviços públicos, ao mesmo tempo que se abre caminho para que os privados ocupem o espaço, com destaque para o que acontece na Saúde.

Independentemente da conversa extraplanetária do coordenador de um relatório sobre os blocos operatórios, com demasiadas alusões a termos como oferta e procura, vale a pena fixar a seguinte ideia: faltam anestesiologistas e enfermeiros. Camilo Lourenço, de Plutão, no entanto, já disse que não há nada melhor do que ter profissionais de saúde a emigrar. É o que dá passar muitas horas dentro de discos voadores.

Sobre o milagre do emprego V

o número de enfermeiros portugueses a trabalhar no Reino Unido aumentou cinco vezes em quatro anos” (Expresso)

Da colecção O governo que destrói recursos humanos (4)

Hospital da Feira com tempos de espera inaceitáveis

Um homem não faz uma percentagem

Morreu um homem no Hospital de São José, depois de ter estado seis horas à espera de ser atendido. Não sei se terá morrido por ter estado seis horas à espera de ser atendido, porque nem sempre o que é posterior é consequência.

Recentemente, o tempo de espera nas urgências dos hospitais aumentou. Diante de uma frase destas, a única solução razoável é ser-se ingénuo e perguntar: mas uma urgência não implica, exactamente, que o tempo de espera diminua e rapidamente? Se isso não acontece, de quem é a culpa (quando algo põe em causa a saúde das pessoas, só se pode usar a palavra culpa)?

A verdade é que os profissionais de saúde continuam a fazer referência à falta de recursos humanos nos hospitais e centros de saúde. Recentemente, o Hospital de Amadora-Sintra foi autorizado pelo governo a angariar médicos recorrendo a manobras que oscilam entre o leilão e a negociação, quando qualquer hospital deveria ter pessoal suficiente para cobrir as necessidades e não dedicar-se a tapar buracos em ocasiões de maior aperto.

Não tenho a sorte de ter a certeza de que haverá vida para além da morte. Depois da morte, apenas a morte está garantida e antes dela nem a vida é certa. Acredito em poucos milagres ou talvez num único: a vida de cada indivíduo é sagrada e, portanto, a vida de uma única pessoa é uma religião. Se há gente a adoecer ou a morrer por incompetência, descubramos os incompetentes e não esperemos por castigos no Além, porque há o enorme risco de não existirem. [Read more…]

Empreendedorismo é enfermeiros receberem 3,1 euros por hora

Segundo o Diário de Notícias, o Centro Hospitalar do Médio Tejo entrega à empresa Sucesso 24 Horas 1200 euros mensais por cada enfermeiro colocado pela dita empresa. No referido centro hospitalar, estão a trabalhar oito enfermeiros contratados nessas condições.

Os enfermeiros, para receberem 510 euros mensais (que a Sucesso 24 Horas tira dos 1200 que recebe), têm de trabalhar 40 horas por semana.

É uma história edificante: um hospital precisa de enfermeiros. Como, por alguma razão, não os pode contratar, paga 1200 euros a uma empresa para fazer aquilo que o hospital não pode fazer. Por razões fáceis de entender, há enfermeiros dispostos a receber 510 euros para trabalhar 40 horas por semana.

Contas feitas, o Estado gasta 1200 euros por cada enfermeiro e os enfermeiros, profissionais altamente diferenciados, recebem muito abaixo da tabela. A Sucesso 24 Horas ganha 690 euros por cada enfermeiro que consegue contratar para trabalhar por um valor próximo do ordenado mínimo. Convém não esquecer que a Sucesso 24 Horas é uma empresa especializada em prestação de serviços na área da saúde.

Não faltará quem diga que sempre estão melhores do que as enfermeiras que trabalhavam a troco de comida.

Aí está o empreendedorismo em todo o seu esplendor. É claro que estes enfermeiros não fazem greve: deve ser porque não sentem a mínima revolta.

Ébola em Espanha

Falta de formação, caos, improvisação: a denúncia já tinha sido feita há semanas por um dos enfermeiros, no seu blogue.