O apogeu social do idiota

A idiotização radical das organizações humanas parece ser um processo irreversível, mas é esse processo que garante que os sistemas de poder mantenham a sua integridade e prossigam o desempenho da sua função, quer operativa, quer doutrinária, fundada exclusivamente em rituais de submissão e dependência.
É esse modelo teórico e funcional que é transmitido em rede, como uma irrigação vascular e fractal da idiotice, até aos pontos mais distantes e interiores da estrutura social.

Uma sociedade de cobardes e paralíticos morais, sem nervo crítico e analítico para distinguir o certo do errado, está num estado de desenvolvimento antropológico inferior ao tribal, ficando mesmo a dever ao homem primitivo a integridade e a coragem que este demonstrou ao enfrentar a vida e o mundo com um repertório filosófico e tecnológico infinitamente mais frágil.

Entre a barbárie da excisão genital ainda praticada por tribos de raiz sociológica e cultural pré-histórica e a lobotomização ética e moral do idiota contemporâneo, vai a distância da responsabilidade acrescida que a este cabe no desenvolvimento e progresso da sociedade humana.
Há, contudo, um lado positivo nisto tudo. E nós vamos descobri-lo à nossa custa.

Depardieuvosky, o russo

Comemorando o aniversário do seu amigo Ramzan Kadyrov, ditador da Tchetchénia, o veterano actor representa em total improviso o mais complexo papel da sua carreira: o de idiota com passaporte russo.

Para o enredo ser mais melodioso, já canta em dueto com a filha do tirano do Uzbequistão.

Aguarda-se uma viagem de Depardieu à Coreia do Norte, para gáudio e aplauso da nossa direita que o idolatra enquanto foragido ao fisco, tal como sempre o admirou quando actuava em filmes subsidiados pelo estado francês.

É oficial: Mira Amaral passa a ser sinónimo de idiota

“Sou classe média, não sou rico”, disse o grandessíssimo Mira Amaral!